Viajando. Viajando sempre e sempre.
Através dos túneis dos sonhos
e dos delírios.
Quebro todas as redomas de solidão, até mesmo aquele tipo de solidão que me robustece demais, demais.
Oh, bendita vontade de viver! Oh, bendita vontade de morrer! Quando subo alto demais, visto o terno do diabo!
Escrevo em paredes invisíveis, chamejantes. A tinta da minha pena é o sangue diário do meu tormento.
Eu estrangulo cada Cristo hipócrita cuspido em meus ouvidos ou em meus olhos por aqueles fariseus das igrejas pútridas de tanta grana.
Normalmente – ou não – costumo fantasiar que o inferno é uma vitela invisível ou uma força imorredoura nascida do meu medo de morrer.
A morte é tão obscena e ridícula quanto uma velha prostituta banguela.
Não mais que a vida – ou pelo menos esse arremedo brutal e boçal de vida no qual ela, a dourada, foi transformada.
Foi através da minha revolta contumaz pela falta de sentido na “vida” que esta civilização aterrorizante rabiscou nesta era odiosa e odienta, que eu me tornei todo super-homem, e agora sou capaz de ser tão fraco na força do desespero.
Meus amigos são todos fantasmas. Mas eu não creio em deuses, nem em uma vida superior num paraíso ou inferno ultraterreno.
Sou todo ateu e cético na metafísica do meu desespero.
Roger, todo poeta é um fingidor... Mas que poema lindo!
Um beijo meu poetinha de sharkville.
Mister,
entre a vida e a morte os sonhos são os elos que nos mantém londe dessa realidade permeada de desesperos.
bjs
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