CONSTATAÇÃO
não há nenhuma luz
no final deste tunel
escuro e bisonho
apenas um poeta
bêbado e insolente
imola versos
numa pira de sonhos.
GISELE BUNDCHEN
todas as noites surges
em pensamentos vorticos
na penumbra deste quarto
que reparto com a solidão
e o tédio,
e todas as noites
galopas meus sonhos
eróticos.
A MORTE DO POETA
o poeta faleceu
sifilis no sangue
oxidou o corpo
ninguem chorou
a sina sua
ninguem chorou
ninguem via
que a lua chorava
num canto de rua.
VINDA
urges que venhas, amiga
(galopando a madrugada)
pura e coberta de róscio
(exalando anélito de rosas)
que estou ardendo em chamas.
urge que venhas
nua e submissa
para que juntos
possamos restaurar
o amor...
O OLHO NU
o olho nu
ignora o sentido
das lentes
o olho nu
perscruta
mira
divisa
descobre
desmente
certezas
e incertezas
o olho nu
cega o poder
de ver.
EPITÁFIO
quando eu morrer
os amigos dirão:
lá se foi um sujeito
anêmico
polêmico
(mas sem vaidades)
que se escondia
atrás da poesia
para dizer verdades.
Para Compulsão Diaria pelas palavras sobre minha oficina poética.
Constatação, Gisele, morte, vinda, olho nu epitáfio com que me brindas.
Surpresa magnífica!
Muito obrigada, Júlio.
Um beijo
CD
Muito bons. Curtinho e dietos, uma mensagem completa em pocos versos o que constitui uma tarefa difícil e admirável.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 2/11/2008 13:02
Definitivamente Júlio, Paris te fez muito bem! rss
Sinto uma nova força em teus poemas. Estes, fantásticos, me fizeram lembrar Manuel Bandeira.
beijo!
Agradeço a todos que colaboraram com opiniões e com importantes votos.Abraços
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 4/11/2008 15:22
o poeta faleceu
sifilis no sangue
oxidou o corpo
ninguem chorou
a sina sua
ninguem chorou
ninguem via
que a lua chorava
num canto de rua.
Que choro mais lindo e mais sentido. certamente dede então, a lua já não será mais a mesma...
quando eu morrer
os amigos dirão:
lá se foi um sujeito
anêmico
polêmico
(mas sem vaidades)
que se escondia
atrás da poesia
para dizer verdades.
Puxa, que verdades mais lindas e lidas também!
julio, como é bom ler-te!
beijão na alma poética!
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