Ômnibus
Hêi ! Psiu ! Você aí !
Olhe prá mim aqui !
Leia-me !
Sinta o meu dilema
eu sou apenas um poema
e um poeta mesmo disse um dia:
poesia não faz nada acontecer
(poesia não enche barriga
e não dá camisa a ninguém)
Me faço, no entanto,
ao meu modo desnecessário
no hiato de um instante
em trânsito
entre um ponto e outro
uma mensagem na garrafa
uma ponte para o encontro
E rogo praga aos pragmáticos !
pois como disse outro poeta:
se êles fossem em política
como são em estética
nós estaríamos feitos
A título de informação, para quem não se deteve na Ficha Técnica:
Esta poema foi pensado para participar do concurso Poemas no Ônibus, da Prefeitura de Porto Alegre, mas não foi inscrito por ultrapassar o limite - que considero adequado - de 14 linhas previsto pelo Regulamento do concurso.
Levi, gostei muito.
A liberdade do poeta, que se veste do próprio fazer e essa coragem (só os poetas a têm) de clarear o cotidiano, de negar o óbvio e se negar às formas são tudo coisa que admiro e persigo.
beijos
Saramar:
A poesia, assim como o pensar, a filosofia, estão na essência da alma humana. O Ser Humano, privado dessa essência, age apenas por instinto, e nessa ação esteja talvez a origem das sombras - quando não das trevas mesmo - que habitam nosso cotidiano.
Obrigado pela sua leitura, que muito me honra.
Beijos prá vc também.
Pena que os jurados do concurso não a tenham visto.
Coisa de mestre.
Benny.
Benny:
O registro sobre o concurso serve apenas para situar o poema no tempo - faz alguns anos que foi feito - e no espaço - para uma melhor apreensão do seu conteúdo.
Quanto ao mestre, atribuo a sua gentileza, como forma de estímulo a quem prefere se colocar sempre na condição de eterno aprendiz.
Grato por me honrar também com a sua leitura.
Em tempo, Benny: serve também para homenagear o projeto dos Poemas no Ônibus. Outro dia, na internet, um internauta - paulista que mora na França - se referiu à Porto Alegre como a cidade que "tem poemas até nos ônibus".
Até mais ler.
Levi, concordo com você.
Voltei para reler e votar.
beijos
Obrigado, Saramar. Vc é um amor de guria ... ;)
Beijo prá vc também.
Obrigado, Benny. É sempre bom poder contar com uma leitura qualificada como a sua.
Levi Orlando · Porto Alegre, RS 27/8/2007 12:01Opa voltei pra votar Levi!!!! Vostadíssimo... Muito bom!!
Patricia Moreira · Vitória da Conquista, BA 27/8/2007 20:24
Olá Levi,
coisa boa quando as palavras podem ser “pontes para o encontro”. O que é plenamente verdadeiro aqui no Overmundo.
E que bom saber que segue firme o projeto Poesias no ônibus, na nossa terrinha.
Amei estes versos: “Me faço, no entanto,/ao meu modo desnecessário/no hiato de um instante/em trânsito/entre um ponto e outro/uma mensagem na garrafa/uma ponte para o encontro”.
Lido e votado.
Um abraço,
Levi,
agora que te vi, li o teu poema e gostei muito.
Poesia pode não encher a barriga, mas enche a alma.
Abçs de Betha.
Rs...regulamento insano.
Votado. Poemas deveriam estar em todos os lugares, o dia ia ser mais leve...mais feliz, sem muita fome.
Belo poema,Levi,na minha cidade também tem esse projeto,louvável.
Abraços.
Letícia:
O trecho que vc extrai é justamente aquele que considero a espinha dorsal do poema, digamos assim, a sua essência mesma. Mais uma demonstração da sua sensibilidade, é muito prazeroso prá mim contar com a sua leitura.
Obrigado, mais uma vez, e um abraço.
Nydia:
Seu poema Doce De Gente foi uma das coisas mais comoventes que li aqui.
Um abraço.
Betha:
Obrigado pela leitura e o comentário (e o voto, também).
Um abraço.
Cíntia:
Suponho que a restrição prevista no Regulamento se deva à limitação do espeça nas janelas dos ônibus, onde os poemas são expostos, o que é compreensível.
O importante é que os poemas estejam por aí, alimentando a nossa alma, como vc e a Betha lembram bem.
Obrigado por me prestigiar com a sua leitura mais uma vez.
Um abraço.
Olá, linney:
Vc deve estar se referindo aos poemas no metrô, já tive oportunidade de ler alguns. Vc costuma participar ?
Obrigado por me prestigiar com a sua leitura.
Um abraço.
Oi Levi..não sou uma expert em poesia, apenas uma mera mortal que gosta de admirar a sensibilidade, os sentimentos mais profundos que estão sempre aflorando dos corações dos poetas!!muito profundas e significativas...gosto dessa sua maneira de escrever seus poemas de uma forma natural e leve!!sucesso no próximo concurso...estarei torcendo por vc!Abraços..Lú
lubraga12 · Aurora do Tocantins, TO 31/8/2007 07:40
Ôi, Lu:
A minha relação com a poesia é a mesma sua, sou um diletante (aliás, faz tempo que não escrevo nada, as que tenho anotadas são antigas), gosto de ler e eventualmente cometo alguns poemas e textos pelo mero prazer de escrever, e aquela necessidade íntima que todos temos de nos expressar de alguma forma.
Também não tenho o hábito de participar de concursos, os critérios de julgamento são sempre muito subjetivos - o que é normal, não poderia ser diferente mesmo.
No caso do poema aqui postado, foi uma idéia que tive apenas para tentar, de alguma forma, chamar a atenção (dar uma "sacudida", digamos) dos potenciais leitores dos Poemas no Ônibus - os próprios passageiros - para o Projeto, e, como disse, acabei nem enviando o poema. Apesar de nem ser um usuário assíduo de ônibus, pois moro no centro e tenho acesso fácil a quase tudo por aqui - e digo isso com pesar porque lamento muito o caráter concentrador da organização dos espaços urbanos. A propósito, achei uma delícia o breve texto da Camila - Mi (de Camila) Cortielha- em seu blog: "Ônibus Traz Idéias" ... Descobri que eu, ela , a Soninha, João Gordo e Ingmar Bergman, temos algo em comum.
fiquei feliz que vc tenha visto naturalidade e leveza nos meus poemas, são absolutamente intencionais. Como diz o poeta Kalil Gibran:
"A arte é uma passo do que é familiar e óbvio na direção do que é misterioso e oculto."
O que não significa que não goste, e que não seja capaz de fruir textos mais elaborados, alguém já disse que vc não consegue harmonia quando todo mundo canta a mesma nota.
Um abraço, obrigado pela sua leitura e palavras gentis.
Corrigindo: leia-se " a arte é um passo ..."
Levi Orlando · Porto Alegre, RS 31/8/2007 16:47Agora tá tudo esclarecido..fâ de Kalil Gibran, tudo que ele escreve é "Tudo de bom"!! o que mais gosto intimamente é daquele que trata sobre os "filhos"..que são flexas lançadas ao tempo..(não sei se é bem com essas palavras..) tem muito a ver com a minha visão de sermos humanos, somos flexas distintas que seguem direções diversas, com seus valores, idéias, dons e tudo o mais!! buscamos atingir um alvo nem sempre distinto(ou visivel aos nossos olhos...que a vida nos guie..) mas vamos seguindo em frente e deixando nossas marcas pelo caminho..Abraços
lubraga12 · Aurora do Tocantins, TO 31/8/2007 17:13
Lu:
Em sua homenagem e pela beleza que contém, transcrevo aqui na íntegra o poema do Gibran:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos em ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
Um abraço.
Obrigada, Levi.. pela gentileza de reescreve-lo pra mim..confeso que adoro a Literatura como um todo, lí muitos livros marcantes(tal como o Profeta de Kalil Gibran) não foi meu primeiro livro na iniciação da leitura, mas de todos foi o mais marcante!!meu primeiro livro(..como não sei se vc é curioso ou não...rsrsrs) foi o Pequeno Príncipe...fantástico!!até hoje quando leio me emociono com a mensagem de vida que ele traz, de um modo sutil, puro e pofundo.Mas confesso que apesar de ter lido tantos(livros) não guardo todos na memória..acho que procuro tirar a "essência" á minha maneira interpreto e guardo, em um dos meus compartimentos mentais, estou precisando fazer uma atualização em meu CPU mental..rsrsrs. Abraços!!
lubraga12 · Aurora do Tocantins, TO 1/9/2007 16:22Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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