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poemethos 14

Adroaldo Bauer
1
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS
16/1/2010 · 1 · 0
 

São versos que versam o fim da relação,
a ausência de perdão,
a permanência do amor.
Então, ainda são versos apaixonados,
inconformados, desiludidos, descoroçoados,
mas sem se deixarem ser humilhados.
São versos de coragem, de choro, de vadiagem.
São versos vividos.
São versos vívidos.
Uns rimam, outros foram tidos até poemas.
Ainda que sinta muito tudo isso, o desamor,
sinto mais ainda pelo povo do Haiti imensa dor.


Sempre necesário é


Às vezes é necessário, sem conta
contar por vezes as contas
um rosário
as lágrimas
pérolas perfumadas de sal
muitas vezes
poucas vezes
uma vez
e basta para sentir-se
pessoa humana e viva.
Viva!


cuido feliz do meu amor

O meu amor dela cuidará,
se também a ela interessar,
mais feliz hei de ficar.
Lâmina cega na carne crua
Vadiei na ausência tua
Vagavam sol e lua no mar
Pisava pedras e indiferença
O coração amargurado
A lâmina cega na carne crua
Desnorteado, a alma nua
Pores-do-sol abrasavam os céus!
Ainda às horas sem véus
Por amor e tudo a vida continua

se amo

É muito verdadeiro,
demasiado humano
não há desamor, se amo

*****

E mais não se diga

canta a musa encantada
as pessoas as mentes atordoadas
almas inflamadas
corações apaixonados e descrentes.
Ai.
É que vai se fechando dia, mais um dia.
Ai! Ai!
É que a vida não espera o ônibus,
nem vem o trem e já se vão nos desvãos
desvairados diários doídos
lidos a contrafluxo,
na morte adivinhada do feio,
será o renascer do belo.
E, por fim: Ai!
A vida se esvai em fila.


poemethos 14
está publicado no Recanto das Letras


o que sei do amor é que se doa e perdoa


Se amor é, já é doação
Se há amor, há perdão
Amo mesmo sem restrição
sem correspondência até
Loucura acumpliciada é
desencontradas caminhadas
Amo ainda muito me doa
Os espinhos na rosa
não lhe tiram o perfume
nem deixa ela de ser flor


Sobre a obra

Luto pelo povo daqui e do Haiti

Canto porque estou triste, malcontente
E a minha vida pouca, incompleta,
Assim choro e sofro, sou apenas poeta.
Irmão dos mortos, feridos e sobreviventes
De aqui e do Haiti
Dias de tormento varando as noites
Ao açoite do vento,
Do pranto da agonia do lamento
Tudo desabado, espedaçado
Desfaço-me de mim, não passo daqui, mais não fico
Se a canção é tudo, o sangue tanto, canto é acalanto.
Só o amor não me deixa mudo, atoleimado
Canto muito por isso, injuriado, atormentado.

(inspirado em Cecília Meireles)


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Autoria
adroaldo bauer
Ficha técnica
versos livres
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