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Política da palavra

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Rômulo Ar. · Porto Alegre, RS
5/8/2006 · 68 · 5
 

No decorrer dos discursos pela História, muitas palavras ampliaram suas fronteiras para dar conta de tantos novos significados, não necessariamente correlacionados com o original. Não é preciso dizer, mas eu vou, que a mídia contribuiu muito para essa acomodação, segundo seus preceitos nem sempre responsáveis, como sabemos. Da mesma forma contribuiu a classe política. De uma forma geral, é importante dizer, todos nós somos partícipes deste processo, mas é inegável a diferença nos níveis de influência.

Assim, a palavra artista, por exemplo, tem hoje uma gama muito ampla de significados, de maneira que se pode dizer, inclusive, que arranja internamente significados de sentidos diametralmente opostos. De fato, isso pode ser demonstrado tomando-se tal palavra e inferindo a ela um certo sentido. O que ocorre é que tal sentido tanto pode ser utilizado no sentido literal como no que traz consigo a veia da ironia. Ou seja, "A Carla Perez é uma artista" e "A Carla Perez é uma artista".

É verdade que não há limites para a ironia, toda palavra está potencialmente sujeita ao seu gozo, isto é natural. Mas há de se notar a ruína de sua sutileza no discurso atual. De tal modo que não só a palavra banalizou-se como, por contágio, a ironia vulgarizou-se.

Essa total falta de critério contamina a sociedade de maneiras diversas e por todos os lados, através do efeito-dominó, potencializado atualmente por esse clamor de liberdade, que, na prática, permitindo toda e qualquer manifestação, instala um estado de anarquia dos significados. É esta desorganização no estado das idéias expressas que permite que qualquer um (mas não qualquer um - qualquer um com poder o bastante) levante o braço e proclame o significado da verdade. Pior só quando, por artifícios escusos, o proclamador coíbe o questionamento desta verdade.

A sociedade pós-moderna* corre para ocupar todos os espaços, inclusive todos aqueles que o tempo lhe concede. Nessa ânsia desenfreada - nem sempre desmedida - subtrai alguns vazios valorosos, como o silêncio, enquanto alça vazios-de-virtude ao mesmo nível de conceitos com alguma originalidade.

Quase não sobra silêncio e palavra para se pensar.

*embora eu não saiba bem o que é isso

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Rômulo Arbo
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Umagoma
 

"A principal função do filósofo está em devolver o sentido às palavras". Li não sei onde, mas se faz cada vez mais verdade, nessa "sociedade pós-moderna", não é?

Umagoma · São Paulo, SP 4/8/2006 11:26
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Rômulo Ar.
 

Creio que sim. tal responsabilidade devia se extender a todos aqueles que trabalham diretamente com ela, como escritores e jornalistas, por exemplo.

Rômulo Ar. · Porto Alegre, RS 4/8/2006 14:55
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ca_co
 

olá romulo,gostei do teu texto...mas a ironia que fala...ainda pode se fazer presente de forma sutil e banir o vulgar...existe texto e "texto"....

ca_co · Juazeiro, BA 15/8/2006 11:01
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brigitte
 

A riqueza do idioma português é algo facinante. Uma semântica rica e bem de acordo com o contexto. Isso é o torna a nossa língua viva e uma das mais belas do mundo. Sou apaixonada pela nossa língua e me sinto ultrajada quando percebo o desprezo e desrespeito para com ela.Discursos de políticos e artigos jornalísticos são os campeões de ultraje ao vernáculo pátrio. è uma lástima!

brigitte · Goiânia, GO 7/9/2006 21:16
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Thiago Fragata
 

As palavras têm a dinâmica dos homens - os criadores - e como eles vivem burlando as leis - as regras - para tentar estabelecer a ordem social. É por isso que não tenho nada contra os neologismos, a licença poética, as gírias, etc

Thiago Fragata · São Cristóvão, SE 19/12/2006 14:08
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