Quem fala a você de mim?
As palavras são enganadoras
posso ser o que dizem que sou
mas posso ser tudo o mais que não dizem
o que você escolhe?
Um suicídio?
Ou mais um gole?
Carnavais, festas idiotas
com seus amigos de estação
roupas chiques
taças de espumante quentes
doces mofados pretensiosos
louras gélidas cadavéricas
ou um passeio pelas areias das praias
azuladas mornas como meu hálito
de vampiro regenerado
de todo sangue de navegador
ver golfinhos e baleias jubarte
brincando como já fizerámos um dia?
Meu sorriso te diz tudo
mas não confie muito
sorrisos também são enganadores
como olhares andares lugares
mas não desista
o que passa é a aparência
que vale só um pouco
(estou ficando rouco)
o que fica é a essência
de baunilha dos teus bolos
dos rolos
das conversas ao pé do ouvido
nossos olhos de Narcisos
o que fica é o que fica
falo sempre da mesma coisa.
Mas insista em mim
insista em você
descubra o que tenho de mais profundo
ainda que pareça raso
escorregue no meu úmido
ainda que a aparência seja de secura
areia escura movediça.
Morda os morangos
me beba devagar
cante uma música bem alegre
vamos dançar na rua?
Chapinhar na chuva?
Pegar um resfriado?
Quem aguenta ficar sentado?
Coma seu macarrão
e me sorva ao sugo
que eu também te chupo
Para onde vamos correr
quando as bomba caírem
quando os oceanos subirem
quando os asteróides incendiarem
o que resta de azul
de ozônio puro
quando as estrelas despencarem
quando os poderes forem abalados
quando o quarto cavaleiro aparecer
quando Angra explodir?
Faça uma ligação
corra na contramão
escute sua música preferida
bem alto ou ali baixinho
diga que me ama
lamba o sorvete que escorre na minha mão
não se esqueça que há música em você
há quadros que você ainda não pintou
árvores que não plantou
livros que ainda não leu
trilhas que não percorreu
não desista de você
não desista de mim
compre um piano
componha um música bem clássica
ou detone um rock ensandecido
antes que tudo seja esquecido
os sorvetes lambidos
os livros queimados
pela sua ausência sentida
deixe as pedras rolarem
para não criar limo
seja muito rolling stones
mas nada de simpatia pelo demônio
chute alguns traseiros
seja radical
seja animal
mas sem perder a douçura.
Vomite tudo o que não presta
escorra, esfregue, pondere
escove os olhos
clareie sua visão
compre uma roupa nova
use as velhas
os sapatos, as sandálias
mas ande de pé no chão
no ar, nas espumas
corra na praia com um amigo
se não tiver um agora
corra sozinho
mas vá
com o sol na sua mão direita
o sal na mão esquerda
não espere nada de ninguém
conte só com você.
A quem você ama
mostre o céu a paisagem
mas não fique só nisso
explore ame pedale
seja magro
seja gordo
e quem não gostar que se exploda!
Não desista de você
não abaixe a cabeça
não esmoreça
cada dia é sempre um dia a menos
exploda!
Pinte o cabelo!
Raspe as sombrancelhas!
Vire morcego!
Vire um tigre!
Cartões de crédito te escravizam
saia de casa
desligue essa tv
leia Nietzsche!
pois tudo o que existe
já existiu
afirme
seja
exponha
encene
cante
diga
viva a mil
mas relaxe de vez em quando
escute os sons
veja as cores do dia
as sombras da noite
procure a música em você
não desista!
Olhe em volta
repare na tristeza das pessoas
e dos animais
seja um vulcão
um terremoto
não deixe pedra sobre pedra
arrase, conquiste, estenda
seja um furacão
fique grávido de alegira
mastigue as horas de cada dia
você tem motivos para viver
abra suas janelas
areje seus porãos
não desista de você
não fique mais de joelhos
siga seu coração
seja natural
nem simples como as pombas
nem mortal como as serpentes
aproveite cada segundo como o último
porque isso é que é.
Deixe de bobagens
coma o natural
não seja um canibal
beba água da chuva
durma só quando tiver vontade
sua vida é só sua
você nasceu sozinho
vai morrer sozinho
não permita que alguém viva sua vida.
Quem sou eu?
Quem é você?
Poeira de estrelas?
Tudo de bom
tudo de bem
tudo o que é feliz
no meio dessa desgraceira cotidiana
é simples:
a chuva, a brisa da praia,
os mares, as montanhas, os rios,
as florestas
a mão na mão
o que é bom é simples
o horror vem das almas sebosas.
Às vezes tudo parece estranho
mas logo o dia clareia
há cavalos sem nome
cidades sem ninguém
cachorros sem donos
mas respire fundo
é só o começo das dores
estou grávido de um trem bala
de um avião
como diz Marina e Cícero
e você nem imagina a solidão.
A vida é um milagre!
A vida é coisa rara, muita rara!
E não dura para sempre,
ainda que retorne.
A vida já é.
A vida já foi.
Sacou?
Não desista!
Não desista!
Careo Fausto, acredita que acabei de comprar um piano? Parabéns, sensacional seu texto!
Agradeceria sua apreciação sincera de meu poema "Até", na fila de edição por mais 12 horas.
Um abraço,
Kuki
H a partes quennnntes e liricas nesse poema. ui !
mas mto lonnnnnngo. poeta...a gente acaba perdendo o tesao.
bjsssssss;)
Valeu, Fdo. Cláudia: seu tesão anda muito curto e apressado. Poesia é para desgustar com calma, mastigar bem e engolir de novo. Desacelere.
Fausto F · Rio de Janeiro, RJ 10/3/2009 13:26
Pior que vc tem toda razão, rs
Fica meu carinho , admiração e
m
e
u
s
bjssssssssssss;) desacelarannnnnndo aqui, rs.
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