toda prosa
que se presa
não quer ser presa do prazer
de quem a presa
e sem pressa
no compasso do apreço
revelar sutis contextos
desconhecidos arremessos
e
pro-romper “o qualquer jeito”
prorrogar um campo de chamas ativas
um incerto e belo jeito
transgressor de se ler
sem lei(tor)tura
passiva
[ruptura com a mecânica da recepção cartesiana da lei dura]
(nem tudo que se lê
é preciso
) de precisão quem precisa é o conciso
a síntese
o conto (
prosa é reticências... profusão
fora e dentro fundidos
compadrio enlaçados na escrita
) a aposta da prosa é a dança das frases na boca nos dedos na memória do experimentador
(a prosa orquestra seqüestros semânticos
provoca imprecisas e intuitivas leituras
simplesmente
furtivamente
acontece
a literária emoção)
... existem outras ignições
a prosa é um indefinido estado de troca ativa
um incêndio deflagrado no corpo do escritolector/lectora
uma escrita que se quer leitura
uma escritatura de dentro quando fora
de fora quando dentro
dentrodesfronteirante
forasteiramentedentro
lugares onde a mensagem não é meio nem nada
a prosa quer o leitor como descritor
de complementares locuções internas
a prosa são ternas telhas espalhadas pelo chão
ela inaugura um jogo semiolírico
que quer desbancar a lógica dos mercados e do império editorial
a prosa é poética provocativamente agridoce
ela desacredita a própria crítica jornalectureira
a prosa quer locupletar locomotivadores deslocamentos
que logram intraduzíveis sentidos
a prosa quer a leitura reinventada
loquaz
fina louça
que em louvor
se transporta translitera transcria
uma cantilena em fuga
rompendo a prisão do real
desencorrentando-se da arquitetura da tradução
a prosa não tem fim
a prosa não tem função
a prosa é a várzea e rosa no sertão
a prosa é vazante na ribeira da criação
a verdade assombra
a sombra duvida da vida certa ao meio dia
nem tudo são prosas...
fernando de castro f. ciscozappiante
Aliteração que rompe com as regras duras que talham, que não recicla...
Paulo Esdras · Brumado, BA 2/2/2008 18:37
rompimento que procura incendiar palavras...
fazer com que elas fiquem mais perto do sentir/tocar
a prosa quer sair das armadilhas do império audiovisual.
quer romper, como bem dito por você, paulo, as regras duras
da escrita
e da leitura...
a leitura e a escrita enquanto prazer
e enquanto dor vivida...
toda prosa
que se presa
não quer ser presa do prazer
de quem a presa.
Poeta como você escreveu bonito, sua alma estava levitando, adorei, meus cumprimentos! Meu voto foi o 33. Estou aqui também, se você puder votar, ficarei feliz, Efigênia Coutinho
Uma verdadeira aula poética, parabéns e meu voto. Abraços
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 3/2/2008 16:44
por um bom tempo a alma evita
o encontro com a verdade da prosa
só quando levita
ela se torna porosa
e abraça a prosa...
obrigado, efigênia!
ei falcão!
obrigado,
a idéia é uma imensa sala
onde a interação produza uma
outra prosa
a prosa coletiva
que sai de cada um
e se soma
abraços!
Fernando,
Uau, simplesmente fantástico, emocionante, cativante e intrigante.
Meu voto é o 55. Gostei muitíssimo de suas metáforas:
"a prosa é a várzea e rosa no sertão
a prosa é vazante na ribeira da criação".Você já me viu aqui no overmundo?http://www.overmundo.com.br/banco/soneto-nuvem-caida
e isso camarada!
a prosa quer cativar sem se tornar cativa
a prosa quer intrigar
a prosa quer emocionar!
e é nessa prosa
que apostamos!
abraços ternos!
valeu sílvia!
essa meta
vem de fora
abrindo peitos
são espinhos do cerrado
da rosa do guimarães
abraços!
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