destruo meu umbigo e carrego o meu inimigo pelos quartos ensolarados e queimo minha língua no carvão do poema e reviro as gavetas da pele desenhando um livro e tenho um sonho bom que não cabe na mão fechada e aparo os dedos que crescem como grama e saio da lua pela última sombra que não assusta meu nome e eu enterro dentes nos bolsos de minha calça e abro a memória como a carne de tuas idéias e as frutas vermelhas sob o sol e jogo as flores sobre as estrelas caídas da anunciação e festejo o sorriso que rasga a paisagem e adubo a imagem da seara vagando pela cidade e corro sob as pedras do aquário de ontem e bebo as miragens sonolentas da televisão e perco a palavra no circo de tua morte e desfaço o terreno do desejo comum e imito o cristo que some e consumo as vésperas do abraço contra o fogo e afago as noites partidas ao meio e amo as posições sublunares e desordeno as esperanças e devoro as ruínas do futuro e fraturo a cabeça das teorias e rasgo a página de letras mortas e morro nas virtudes da nova terra e erro nas ruas inventadas e recrio o rio violento das minhas pálpebras e inundo o quarto dos sons graves e gravo as narrativas sobre as árvores da utopia e meto o antebraço na origem do mundo e mudo as almas de lugar e ligo as máquinas do teu nascimento e aqueço as navalhas do esquecimento e fujo do palácio das neblinas e nublo os dias distantes da infância e faço as partituras da música cega e nego às entranhas o calor da terra e ofereço ao tempo os espíritos da faca e sujo os lábios no sal das guerras e agarro as mentes da aurora e fumo a alegria das manhãs anunciadas pelo silêncio.
WOW...
Cara, isso é demais. Excitação demais. Adrenalina demais.
Uma prosa poetica fabulosa.
Fabulosa.
Por mim não mude nada.
obrigado, alex.
é rápido como um ritual de destruição e criação
como a vida do mundo, sua respiração.
os diversos "e" são os pontos de inflexão entre um relâmpago e outro de pensamento e leitura, coisas vivas de se derramar na poesia viva na boca.
deslumbrante e musical. Um Flaubert em pleno afogamento.
Valério Fiel da Costa · São Paulo, SP 29/3/2007 16:54
obrigado, Valério.
música, música. e eu não sei nadar, mesmo.
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