Nunca a palavra preconceito foi tão reiteradamente proferida e exalada como nos dias atuais. Ela parece estar presente em todos os lugares. A onipresença desse vocábulo em nosso cotidiano é tanta que chega a ser sufocante. É preconceito para cá é preconceito para lá. É necessário um cuidado extremado e desmesurado para não correr o risco de ser tachado de preconceituoso por alguém que nem se quer sabe a acepção da palavra preconceito, por alguém que se julga imune a ele.
Há quem diga que preconceito e discriminação são termos com definições e significados completamente distintos. Pode ser. Mas não seria a discriminação apenas um desdobramento, uma conseqüência, uma seqüela do preconceito? Se existe discriminação é porque houve, em algum momento, um pré-conceito, um julgamento prévio sobre algo ou alguém. Há quem diga que é melhor deixar as divergências para um momento posterior. Mas...
É preciso saber e aceitar uma coisa: por desventura nossa, somos todos preconceituosos! É isso mesmo. Todos nós estamos contaminados pelo vírus do preconceito. Não pense, estimado leitor, que você não foi infectado. Não adianta resistir. Dizer que não, eu não sou preconceituoso! Talvez você ainda esteja insistindo em dizer que não, em dizer que: "esse cara nem me conhece! Como pode afirmar veementemente que sou preconceituoso?!" Desculpe-me. Mas...
Sinto lhe informar, leitor, mas você está exteriorizando o primeiro sintoma desse mal horrendo e irremediável. Um mal que pode se manifestar a qualquer momento de nossa existência. Não há medidas profiláticas para esse mal, infelizmente. Por mais que tentemos fugir dele, por mais que tentemos disfarçá-lo não conseguiremos, pois ele é algo imanente do ser humano, está encravado lá no íntimo de cada um de nós. O "Preconceitium Discriminallis", termo científico, é uma mal horrendo que pode tornar-se mais ou menos agudo e maléfico de acordo com o ambiente em que o indivíduo encontra-se inserido. A instrução e a educação que recebemos durante a nossa vida também é outro fator responsável por sermos preconceituosos em demasia ou de maneira mais atenuada. Tentamos, às vezes, mostrarmo-nos politicamente corretos e passar a idéia e a imagem de seres isentos de preconceitos, sem sabermos que estamos tentando escondê-lo num manto de hipocrisias e simulações ridículas. Talvez isso seja o sistema imunológico tentando, inutilmente, pôr em prática a sua tão nobre função. No entanto, a moléstia é tanta e tão violenta que os anticorpos produzidos não são capazes de combater e erradicar o funesto e indelével "Preconceitium Discriminallis". Mas...
É preciso saber de outra coisa: Qual o tipo de preconceito que nos acomete. É necessário fazer um breve check-up com o intuito de revelar se o "Preconceitium Discriminallis" é racial, social, econômico, religioso, cultural, étnico, lingüístico, intelectual etc. A presença de um único tipo de preconceito é considerado normal, mas se forem diagnosticados dois ou mais a situação requer cuidados especiais, urgentes e impreteríveis. Se, porventura, não se consegui diagnosticar nenhum dos tipos elencados acima, certamente, houve falhas no momento do check-up e, portanto, será necessária uma nova avaliação, desta vez, mais criteriosa. Isso porque sempre existe um dentro de nós. Já diagnosticou o tipo de "Preconceitium Discriminallis" que você padece, leitor? Mas...
Infelizmente, muitas pessoas ainda não sabem que existe há muito um coquetel responsável e capaz de minimizar (não curar) os efeitos perniciosos do "preconceitium discriminallis". Raro é encontrá-lo! Raro mesmo! O coquetel é composto por algumas cápsulas de atos benéficos, tolerância, benevolência, sensatez e uma quantidade significativa de cápsulas de humildade. Infelizmente, caro leitor, esse maravilhoso coquetel não se encontra disponível nas drogarias e nem é distribuído pelo Sistema Único de Saúde. E o pior: não adianta recorrer às farmácias de manipulação. É um medicamento assaz precioso. Sinto muito! Pensando bem... Você pode até encontrá-lo um dia desses por aí. Nada é impossível! Mas...
Não há como nos livrarmos plenamente do "Preconceitium Discriminallis", façamos o que fizermos. Estamos condenados a viver com ele e a suportá-lo, mesmo que isso nos machuque imensamente. Que bom seria se pudéssemos extirpar esse mal de dentro de nós! Melhor seria se ele nem existisse! Mas ele se encontra enraizado lá no nosso íntimo, disseminando discórdia, odiosidade e amargura, sem ao menos pedir desculpas pelos estragos causados e que ainda irá ocasionar. Nefasto "Preconceitium Discriminallis". Mas... Deixa para lá...
Bruno de Lira Alves.
Estudante Universitário.