Numa roda de intelectuais, alguém tentou me convencer de que vivemos num tal de terceiro mundo. Eu lhe perguntei onde estava a nave espacial que o tinha trazido ao nosso planeta. Ele respondeu que o seu planeta de origem era o planeta terra. Eu então pedi que ele voltasse ao lugar de onde tinha vindo, e trocasse o óculos intelecto-ocular que tinham introduzido no seu globo bio-visor, pois o tal aparelho estava travando o seu senso critico perceptível; fazendo com que não enxergasse o óbvio, ou seja, que o primeiro mundo, é o mundo que nasceu primeiro; e o mundo que nasceu primeiro, é o mundo natural, é a nossa mãe natureza. Ele sorriu e disse que estava falando de modernidade, de informática, de tecnologia avançada e etc,etc. E isso me inspirou a fazer os versos que seguem a baixo:
(Obs. É um trabalho inspirado na linguagem de cordel nordestino, mas sem nem uma preocupação com um formato específico de apresentação dos versos e etc.).
Não venha com esse papo
Falando em modernidade
Aqui no mato eu não preciso
Dessas coisas da cidade
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Aqui não tem lamparina
Nem vela, nem candieiro
Pra encher de luz a noite
Pra iluminar o terreiro
E não é milagre lhe garanto
A luz geramos com nosso corpo
E não é coisa de santo
Aprendemos com os besourinhos
Que pisca a noite no campo
Que uns dizem que é vaga-lume
Outros chamam de pirilampo
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Nos não temos rede elétrica
Isso é certo, sim senhor!
Mas não precisa de turbina
Desses monte de motor
Dessas fileiras de postes
De fio, de transformador.
A nossa energia elétrica
E eu lhe explico como é
A gente também gera com corpo
Na hora que a gente quer
Coisa que a gente aprendeu
Com o peixe puraqué
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E acredite meu cumpadi
Essas coisas de racismo
Parece coisa de louco
Mas por aqui tá resolvido
A gente muda a cor da pele
Como muda de vestido
E assim evita confusão
Coisa que a gente aprendeu
Com o mestre camaleão
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A população está crescendo
E a terra vai ficar pequena
Mas manipulando a genética
Dá pra adiar o problema
Olhe! Diminuindo o corpo
A gente desafoga o sistema
É menos alimentação
É mais espaço no planeta
Isso a gente aprendeu
Com lagarta
Que se transforma em borboleta
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E pra fazer remédios líquidos
Sem poluentes quimícos
Sem efeitos colaterais
Aprendemos com as abelhas
A fundir e dissolver nossas células vegetais
É assim que produzimos os remédios naturais
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E pra repor um membro do corpo
Sem precisar de célula tronco
Ou pedaço de outro irmão
Sem precisar de cirurgia
E nem ter mêdo de rejeição
Foi com mestre calango
Que resolvemos a situação
Pois se ele perde a cauda
Não demora muito não
Ele reproduz outra calda
Nessa mesma região
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Não temos esses problemas
Com esses ferros lubrificados
Preso em congestionamentos
Esses sons de buzinas
Deixando todo mundo estressado
Esses motores barulhentos
Rodando por todo lado
Enchendo o ar de poluição
Aqui não tem isso não
o nosso meio de transporte se chama levitação
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E pra ouvir as comunicações
Independente da procedência
A gente não precisa de rádio
Usamos a claraudiência
E se for bio visual
Não precisamos de TV
Usamos a clarividência
Não precisamos dos aparelhos
Dessa tal telefonia
Isso coisa do passado
Digo e dou garantia
Moço! O nosso telefone
Se chama telepatia
Você vai entrar em contato com os papos lendologico nativo urbano do leito do Rio Branco, "o continente perdido das águas doces florestais"; Dos Botos encantados, os atlantas da amazônia Lendacreana, mensageiros da era das águas. A viajem está apenas começando. Bem vindo ao terceiro milênio.
Clenilson, nem rpecisava da explicação do porquê do poema. Ele é tão bom quanto qualquer cordel, minha poesia predileta.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 26/6/2008 17:23
Valeu Marcos,
Recebo o seu comentário como um incentivo precioso na minha primeira postagem no overmundo. É um cartão de visita muito importante.
Um abraço eletromagnético, através das ondas desse mar de vidro misturado com fogo.
Esse continente perdido, Clenilson, em que a energia é o corpo e outras imagens muito bem narradas neste "conto-cordel", chama!
Parabéns.
Valeu CD!
Mas como é mesmo o seu nome?
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