Comentar o quê? Nem consigo acessar o texto! Só essa caixinha aqui e a minha foto. Vou colocar o texto aqui:
Promessas
Por Fernando Soares Campos
Existem pessoas que não gostam dos seus próprios nomes. Alguns casos são até justificáveis, como, por exemplo, o dos filhos daquele farmacêutico baiano: Antipirina, Exalgina, Fenacetina e o jovem Piramidon, que, provavelmente, devem atender pelos apelidos de "Ina", "Gina", "Tina" e "Don". No entanto há casos em que as aversões aos nomes não se justificam. Tive um colega de trabalho que só assinava "Éthel", assim, com "th", e fazia questão da pronúncia paroxítona. Assumidamente não gostava do seu nome de batismo: Etelvino.
Outro dia eu estava na fila de um caixa de banco e acompanhei o bate-papo de duas senhoras à minha frente. Uma delas, que já havia se identificado (professora, pernambucana, morando no Rio de Janeiro há mais de 40 anos), explicava à outra a razão do seu nome.
— Minha mãe podia ter-se apegado a qualquer outro santo, mas escolheu mesmo foi São Severino do Ramo e prometeu que, se aquele filho que ela trazia na barriga nascesse em perfeitas condições de saúde, ela ia batizá-lo com o seu santo nome. Nasci. E, como eu não tinha o que reclamar do meu estado de saúde, minha mãe cumpriu a promessa, me tascou esse "Severina". Mas ninguém nunca me chamou pelo nome, desde criança só me chamam de "Lina". Alguma brasileira pode dizer, com toda sinceridade, que gostaria de se chamar Severina? Acho que não. Mas promessa é promessa, e quem não cumpre promessa é político ou caloteiro. Isso quando o indivíduo não é as duas coisas ao mesmo tempo. Mas com minha mãe não tinha disso não! Aprendi com ela: ajoelhou, tem que rezar.
— Lá em casa também sempre foi assim...
— Pois é! Nós somos do tempo em que as pessoas tinham palavra! Agora me responda: você já pensou se alguém faz uma promessa dessas a São Bartolomeu e nasce uma menina? Como é que fica, hein? Só pode ser Bartolominha. Se a gente quisesse seguir a norma que faz de "judeu" "judia", aí dava até pra ser Bartolomia. De um jeito ou de outro, ia ficar esquisito, não é mesmo? Ainda bem que hoje em dia já se pode saber o sexo da criança antes do nascimento. Naquele tempo não tinha essa de ultrassonografia, não! As pessoas até faziam umas simpatias pra saber o sexo da criança na barriga da mãe. Você conhece alguma?
— Conheço sim...
— Vou lhe ensinar umas. Essa aqui, por exemplo, é infalível! Você bota um quiabo pra ferver, se ele se abrir depois da fervura, aí num dá outra, é menina; mas, se ficar fechadinho, sem nenhuma rachadura, pode apostar que é menino. Tem outra muito boa, é tiro e queda. Você dá um talho num coração de galinha e bota pra cozinhar. Se o talho se abrir, vai nascer uma menina; mas, se ficar fechado, nasce um menino.
— Ah, entendi, sempre que...
— Isso mesmo! Tem tudo a ver com a mulher, né? Conheço muitas simpatias! Por exemplo, você manda a gestante ficar em pé, encostada numa parede. Ela fica lá, paradinha. Aí você pede pra ela andar. Se o primeiro passo for com o pé direito, pode ficar certa de que vai nascer um menino. Claro que, se for com o esquerdo, vem menina por aí.
— Interessante!
— Mas, como eu estava falando, no Nordeste tem muito dessa coisa de se fazer promessa a santo. Promessa pra tudo: pra lavoura não se perder com a seca, pra sarar de doença crônica, pra se casar, pra pagar dívida... e também pra receber; pra fazer uma boa viagem, pra ganhar eleição... Além de prometer pros eleitores, os candidatos prometem também pros santos! Lá as pessoas fazem promessa pro marido ou pra mulher voltar; pra conseguir a casa própria, o carro; pra passar de ano na escola, no vestibular; pra arranjar emprego... Essa, então, acho que é a promessa que mais se faz atualmente no Nordeste. Aliás, não só no Nordeste, mas acredito que em todo o Brasil. Promessa pra arranjar emprego e promessa pro time ganhar devem ser as mais prometidas aos santos hoje em dia.
— É verdade...
— Ah! tem até uma história interessante sobre uma dessas promessas pro time ganhar. Contam que um maluco lá no Recife, um sujeito amalucado que morava lá pras bandas de Casa Amarela, prometeu pra São Benedito... Deu até no jornal, ele explicando que escolheu São Benedito porque, tendo como tem muito negro jogando bola, ele achava que São Benedito tinha obrigação de ser padroeiro do futebol. Pois bem, faz muitos anos isso, o camarada prometeu que, se o seu time fosse campeão, ele ia comer uma bola de couro, igual as que eram usadas nos jogos, todinha, ajoelhado em frente ao altar do santo. O time venceu o campeonato. Então, ele mandou a mulher cozinhar uma bola de couro. Ela cozinhou até ficar no ponto. Gastou um botijão de gás, mas cozinhou. O maluco levou aquela coisa pra igreja, numa bandeja. Aí, faca e garfo na mão, traçou aquele troço, que podia ser chamado de qualquer coisa, menos de comida.
— Credo!
* * *
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Quem se interessar pelo texto completo, soicite por e-mail
fernando.56.campos@gamil
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Minha ignorância no trato com links, download e tudo mais do gênero é "impressionante". Eu aqui tentando acessar meu próprio texto (ainda não consegui) e já encontrei 36 votos. Quer dizer, tô que nem marido traído... sou o único que não enxerga...
Fernando SCampos · Rio de Janeiro, RJ 15/11/2008 12:05
Linguágem agradável de fácil digestão (rss...)
Aplausos!
Abraço fraterno,
Herculano
Gostei muito!
Leia o meu também, por favor! Obrigado
Abraço
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