Eu sinto aquele vazio dos homens incapazes, dos homens infelizes, dos homens, o vazio da incapacidade de ser amado, de se sentir amado e de ver o outro ser e sentir o que falta tanto faz.
Dentro do meu coração o local mais impróprio para certezas é onde estão os tais vazios, e estes apertam todo o sistema emotivo, todo o prazer se esvai, todo o sentimento morre em tal intensidade que a dor do aperto se estende aos braços e paraliza as mãos que escrevem tais frases.
É a total e absoluta falta de alguém para se apaixonar que leva a escrita a correr perdida em frases acavaladas como se todos estivessem em carreira coletiva, em um estouro de manada, em uma convulsão do ódio que brota exatamente no ponto que deveria brotar o amor, plácido ainda este ódio, contudo transformado em fel, ácido veneno que queima e leva os braços semi-paralisados a exagerarem nas frases, nas palavras.
É de fato o último suspiro da esperança concubinado com a última morte do coração apaixonado, que destrói a cada suspiro a verdade, e a dor se encontra com as mãos, o aperto se espalha pela alma e leva os braços a tentar estripar a dor em palavras que a levariam tão longe dos braços e tão perto do coração.
É a dor, apenas a dor resiste ao fim, apenas a dor dos homens incapazes de serem amados, a dor da morte da esperança, da maior das chagas, do veneno ácido que destrói os braços, paralisa as mãos e as palavras, a dor de se sentir solitário, sem esperanças, sem futuro, sem vida, sem morte, sem ser, viver, amar.
A pior das dores humanas é a da morte da esperança, quando um sorriso, um gracejo, um beijo de alguém que tanto se gosta, não converte a dor em esperança e sim em desconfiança.
É assim a dor da morte da esperança, quando uma palavra como amor traz a desconfiança e não alegria e paz, a dor de desconfiar de que quem diz que gosta diz por dizer, sem de fato gostar, sem de fato ressuscitar a esperança morta e os braços, e as palavras, e a alma.
Uma pequena prosa sobre se sentir vazio, sem algo a preencher o coração. Um tanto quanto deprimente...
Flávio, é o excesso de pessimismo que leva as pessoas ao suicídio e às drogas. Em primeiro lugar, é seguir o ditado antigo: "Para curar um amor, nada como um amor novo" e, em segundo, não se deve olhar só para a frente. É muito importante que se olhe para trás e para os lados também. Veremos quantas tristezas existem, muito maiores do que a nossa. Aí então, olhar para a frente se torna um exercício de otimismo.
Faço votos que você logo deixe de ser um poeta amador e se torne um poeta profissiona, se é que isto existe. Mas que cante as tristezas, mas também as belezas da vida.
Abração, Ivette G M
Em breve eu publicarei outro texto que diz mais ou menos que é melhor amar do que ser amado... mas não leve muito a sério todos os sentimentos por trás dos meus textos, normalmente eles não trazem defeitos e/ou efeitos duradouros, são sim circunstanciais ao breve momento que dedico a escrevê-los, são válvula de escape...
Obrigado!!
Gostei muito do teu texto. Visceral, excelente.
Jarbas Jarras · Rio de Janeiro, RJ 16/12/2008 01:09
Obrigado!! Prometo que tentarei em breve algo menos deprimente... rs
Grobsch · Rio de Janeiro, RJ 16/12/2008 14:27
Obrigado Luyse!!! Poste mais trabalhos pra nós aqui!!
Grobsch · Rio de Janeiro, RJ 18/12/2008 14:19Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!