Homem urbano, de espaço concreto,
De pensamento plástico.
Olha do alto do seu espigão, a grande aglomeração,
O alfalto na contra-mão.
Pintura abstrata da fuligem nas paredes da alma,
Planta mapeada, no peito o monóxido de carbono refeito.
O homem aguenta quando toma a branquinha,
Se riscar um palito, acabou-se os pontos e linhas.
Nas esquinas das ruas entre pagodes e sambas,
Avançam os espigões sufocando o grito.
Buzinas apressadas engarrafam os pensamentos
Enquanto, nascem arranha-céus das mãos mal dormidas.
O alvoroso na bolsa desperta os valores,
Os cordeis pregoam nas feiras os dois lados da moeda.
Os dragões em arritmia na chama do desejo
Cospem fogo e cruzam as ruas em segredos.
É no alfalto o bater das estacas,
É no asfalto as transações nefastas,
É no asfalto o comércio escuso, selvagem,
Do aluguel de crianças pra pedir dinheiro.
Na madrugada, inocentemente,
Os garis juntam as verdades escandalosas da noite.
No lixão o desemprego não existe,
Os esquecidos dentro dele faz tesouro.
Pela última vez,
Vou emendar a calça que encolheu,
Comer o pão amassado no asfalto esburacado.
Vou amanhacer cidadão, não colocar papel no chão.
E eu vou sair de casa sem meu conversível,
Vou adotar um filho da produção independente,
Vou pintar o quadro sem sarjeta, sem marreta,
Sem vertigem, sem vergonha, sem fuligem.
Não vou ver mais meninos cheirando cola.
Vou deixar o buraco da camada de ozônio
No canto da tela, junto ao buraco negro.
Meninos na Escola cheirando cola,
Professores, meninos futuro cheirando à esmola.
Cola.......Escola....
(Coca).............cola.....
Escola..............................cola....
Sem contexto não cola a escola.
À margem, na margem as mãos não esfolam,
Cimento no plano de fugir dos enganos,
Meninos, margens, linhas,
Pratas, pratos, prantos, histórias daninhas.
Se você me disser que leu Foucault ou Bakhtin e foi para sala de aula e mudou a Escola, se você disser que seu lado urbano não anda atropelando os planos, os planejamentos, as dialogias ou a polifonia de Dostoiévski eu farei um esforço para acreditar. Se você disser que a mercadologia não tomou conta do mundo e fez a Escola Industrial, eu também vou tentar acreditar. O pêndulo corre de um lado para o outro e quando para nos encontra do jeito que estávamos depois dele balançar. Mas..... eu tenho que acreditar e na minha crença se eu conseguir despertar alguns Bakhtin estarei realizada.
Aqui apreciando esta envolvente pulsação poética. É sempre o homem a decifrar seus enígmas. Um grande abraço. jbconrado.
ayruman · Cuiabá, MT 13/10/2008 17:07Belo texto Ecila.meu carinho e voto.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 15/10/2008 06:45Beijos e meus votos de sucesso. Texto intrincado , complexo. e belo
Compulsão Diária · São Paulo, SP 15/10/2008 10:44Obrigada A VOCÊS TODOS PELO CARINHO.AMO VOCÊS
Ecila Yleus · Recife, PE 15/10/2008 10:58
Ecila,
Este texto demonstra muto bem
o cotiadiano da vida e suas mazelas.
Nos que somos professoras sabemos
como é dificil mudar.
O Tradicional está tão enraizado que
qualquer novidade torna-se incomodo
e é rechaçada.
Mas nós temos fé e continuaremos sempre
tentando despertar alguns Bakhtin
bjsss
Para Bakhtin qualquer enunciado é produto de uma interaação entre dois indivíduos socialmente organizado.Vivemos como socialmente fossemos desorganizado. Isso n~çao pode ser. Nada justifica. Para Bakhtin a dialogia e a polifonia da enunciação encontramos nos conceitos de linguagem social e gênero de discurso. Então isso significa que dentro de uma sala de aula o professor tem que fazer os seus alunos serem todos autênticos plenivalente e polifônicos. Relação absoluta de se expressar dominando o conhecimento com absoluta igualdade em participação do grande diálogo. Significa ainda a multiplicidade de vozes e consciências independentes para que todos envolvidos na construção dialógica atinjam a maturidade de pensamentos.
Ecila Yleus · Recife, PE 15/10/2008 12:01
É claro Écila,
E é nessas interações e troca de idéias que o
conhecimento se expande e o individuo
aprende a se valorizar e valorizar o outro
através dessa multilicidade de pensamentos.
Mas como eu disse, muitas escolas ainda estão
com aquele pensamento único e tradicionalista,
onde trocar idéias gera confusão e não diálogos,
devido a falta de conhecimento, muitas vezes
dos próprios professores.
Não que eu seja especial,
mas o que eu aprendi valeu...
bjsss
VERDADE AMIGA, É POR ISSO QUE ELES QUANDO PRECISAM DE UM PROFISSIONAL, TRÁS DE FORA.PORQUE AQUI NÃO TEM NENHUM COM COMPETÊNCIA. SABEMOS DISSO.o RESULTADO NÃO ME DEIXA MENTIR. O CONCURSO PÚBLICO DA UPE DE MARÇO/2008 DERUBOU 94 % DOS PROFESSORES. OU MUDAMOS OU FICAMOS NO VERMELHO SEMPRE.É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA.
COMO DIZ A MÚSICA; ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE COM PASSOS DE FORMIGAS E SEM VONTADE. SOU ATÉ CONTRA ISSO. AS FORMIGAS TRABALHAM COMO UMA SOCIEDADE NÃO CIVIL MAIS ORGANIZADA.CHEIRO MEU ANJO.
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