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Quando a Lua se esconde
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 5/11/2007 20:34 · 99 votos · 10 comentários ·  
1
overponto
Adroaldo Bauer
Quando a Lua se esconde, não sei bem onde nem bem para que
Recolho minha tristeza em potes que transbordam
Sem saber rezar, por não crer que vogue ao sofrimento de amor
Sinto frio inaudito encarcerar a vida
Um silêncio apenas menor que o vazio se instala profundo
Nem mais nada, nem mais alguma cor
Nem pelo eriçado, nem emoção, nem brilho no olho
Já não há sequer coração, é só músculo frígido
Um aço anódino, antálgico deixado de alma
O fôlego preso, o ar retido, apagada a chama
O ar pesado, a frigidez, o gelo, ar sem ar
Atmosfera sem feição, eu sem afeição,
Sem mais encantamento, sem amor, só lamento
A última gota secou no copo
Sem escopo e sem ela desanimo, desfaleço
Abantesma de mim desassombrado
De vigília de nada em lugar algum
A caneta seca, a ponta do lápis quebrada
As folhas ao vento soltas e a relva molhada
A quadra inacabada, o terço um nó adverso
A alcatéia também inerte, mas inquieta
Nenhum verdadeiro verso, vazias palavras sentidas
Um pouco, pouco mesmo ou quase nada
O desespero de que seja até a palavra errada
Não encontrada para dizer do sentimento que não sinto
Quando – e é ainda uma grande dúvida
Uma outra Lua cheia reaparecer não mais estarei aqui
Quem sabe nem mais serei de mim, ou mesmo eu
Suado, exalando desagradáveis odores
Abespinhado e desarrumado sem brilho sem magia
Que as horas de ilusão vão e foram vãs, que desejo fugidio me escapou
E as nuvens obumbraram o firmamento
Deixando-me a natureza distinta, em lassidão conformada.



tags: Porto Alegre RS poesia adroaldo textos-literatura
 
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Autoria   Adroaldo Bauer
Ficha Técnica  

Por finados meus e outras mortes menores, também importantes.

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http://coisaegente.blogspot.com

Contato  

adroaldo.rs@terra.com.br

Data   05/11/2007
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Querido,
Estive com sentimento semelhante mas sem descrever tão belamente como você, pois sou apenas uma aspirante de escritor...
De qualquer modo gostaria que você soubesse que ontem partilhamos o mesmo tipo de sentimento, inconsciente coletivo , num dia de perdas para tantos..
http://www.overmundo.com.br/banco/coracao-rubro#c84070

BJS
CRIS
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 3/11/2007 10:53 
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Grande Adoaldo, meu escritor favorito. Tá tristonho, né? Nesses dias quase todo mundo fica. O passado vem à tona, as pessoas que nós gostamos e tudo o mais.
Mas, você é daqueles que consegue lidar com a tristeza de forma tão poética que poucos vão perceber isto.
Fico sempre bem em ler teus textos,é pena que estou com tempo curtissimo para ler e apreciar como antes.
Elizete
Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal (RN) · 3/11/2007 11:22 
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Adroaldo, tanta dor que angustia, tanto fim, sem reçomeço...
Seus versos neste poema se assemelharam a um acorde único e infinitamente repetido de um lacinante violino.
Muito triste, muito bonito.

beijos
Saramar · Goiânia (GO) · 3/11/2007 11:42 
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Adroaldo,
Angústias vindas aos pouqinhos,
servem para alentar/aleitar coração. Némermo? Rs.
Belo canto, amigo!
Abçs.
Benny Franklin
Benny Franklin · Belém (PA) · 3/11/2007 12:05 
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Estou lendo mais uma vez para matar a saudade que tenho de você.
Sua amiga,
Elizete
Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal (RN) · 5/11/2007 00:56 
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Voltei para votar.
Seus poemas ão sempre grandes na qualidade, na diversidade dos sentimentos que despertam.
Maravilhoso!

beijos
Saramar · Goiânia (GO) · 5/11/2007 09:57 
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Saramar, meiga amiga, tua presença e generosas palavras deixam-confortam a alma. Grato.

Filha,
Não sei se o digo a ti pela vez primeira, mas já o disse aqui, com certeza, o que aprendi de alguém com certeza muito boa pessoa: tem-se saudades do que se ama, do que se gosta, do que nos deixa bem. Fico muito agradecido e tentarei sempre ser da dimensão que me tens em conta.

Sendo assim, é como a recomendação para o bem ao Príncipe. Então, um sofrimento para melhor, às avessas da receita de Maquiavel, com certeza, amigo Benny.
Grato.

Cris
,
São teus olhos amorosos, que devem ser belos também, que assim percebem os escritos meus, não tenho dúvidas, porque há poucas pessoas assim percebendo o que vou escrevendo ou vivendo, se há distinção nisso que é toda a vida nossa.
Agradecido.

Beijo no coração de todas vocês, pessoas que aqui aportam e confortam.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 5/11/2007 11:13 
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A última gota secou no copo
Sem escopo e sem ela desanimo, desfaleço
Abantesma de mim desassombrado
De vigília de nada em lugar algum
A caneta seca, a ponta do lápis quebrada
As folhas ao vento soltas e a relva molhada
A quadra inacabada, o terço um nó adverso


estou pra ver algo tão bonito!
abçs.
Voto com prazer.

Cintia Thome · São Paulo (SP) · 5/11/2007 15:28 
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Amigo Adoaldo.
tatuagens que para sempre ficam na alma.
belo, parceiro
Noélio

Noelio Mello · Belém (PA) · 5/11/2007 20:36 
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Querido Adroaldo,

Vim matar a saudade que tenho suas e não me arrependi. Sua literatura está cada vez mais encantadora. Você está cada vez mais encantador.

Um abração e vê se aparece lá pelas minhas bandas, parceiro!!!
marcio rufino · Belford Roxo (RJ) · 7/11/2007 19:05 
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