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Barcelona 2016 / Cidade do Porto 1973
Não mulher, eu não te peço mais nada. Você já me deu tanto e nem ao menos sabe o quanto. Tu fizeste brotar a poesia nesta terra dura e ressecada. Transformou a água em vinho que escorre pela minha boca. Me fez enxergar pelas lentes do poeta, com os olhos de um homem apaixonado. És uma entidade, és Oxúm, mandada por Zeus (meu Pai Oxalá) para encher os corações de esperança e de amor nesse sincretismo louco que só os apaixonados entendem. Amor pela vida, pelos dias tristes e felizes que vivemos e viveremos anos a fio, distantes um do outro, com nossas vidas seguindo rumos diferentes, que nem imaginamos aonde vai dar. Obrigado por me fazer sentir saudade, essa palavra tão minha que não existe no seu dicionário, esse blues sem som, que aperta o coração de mansinho sem machucar.Eu queria cantar como Nina Simone para rasgar as palavras e depois costurá-las no seu corpo. Quero a catarse, sublimação, a loucura...a sua música dentro de mim. Imaginar você quantas vezes eu quiser. Te fazer a minha imagem e semelhança e descobrir que somos diferentes.
Não mulher, não temas o futuro e não se prenda no presente da rotina. Você guarda tanta poesia que sufocá-la seria um crime contra a humanidade. Viva, seja livre, mulher bicho louco,solto, mas que tem medo de dançar. O mundo só existe porque estamos nele e os sonhos são para aqueles com coragem de amar sem medo de acordar. Realiza essa vontade de explodir em mil pedaços que a voz no seu interior clama por liberdade. Nos reencontraremos em uma outra vida quando formos gatos a passear pela Lapa ouvindo sambas antigos a ronronar.
Do seu Marinheiro com amor
Obs:Leia a Dama de ouro
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