Minha mão segurando a faca ensanguentada.
Minhas roupas sujas de sangue.
Minha respiração ofegante.
As paredes.
O piso.
A poça.
Sangue.
Muito.
Sempre.
Eu sempre fui um homem muito pacato. Minha vida não era cheia de grandes momentos emocionantes, mas eu era feliz. Trabalhava. Comia. Trepava. Bebia. Vivia. Bem... razoavelmente bem. Ninguém espera ter uma vida de cinema. Ninguém espera que em sua vida aconteça uma reviravolta incrível. Espera?
Eu não esperava. Minha maior emoção era chegar em casa e preparar algo para comer. Fazer algo com os amigos no final de semana. Dançar. Eu era feliz em minha mediocridade. A ignorância também é uma forma de felicidade. Não chegava a ser um obcecado pela rotina. Não. Era só tranquilo por viver podendo reconhecer o mundo e as coisas.
Então aconteceu.
Eu só não consigo me lembrar o que foi. Na minha cabeça começaram a aparecer algumas imagens estranhas. A mão segurando uma faca. A carne sendo cortada. Gritos. Pedidos. E sangue... muito sangue. Depois, não consigo reconhecer a pessoa que está ali, mergulhada na poça de sangue. Algumas vezes são homens, outras vezes mulheres. Na maioria das vezes tem os olhos claros. Isso quando ainda é possível ver a cor dos olhos.
Só que hoje, quando eu levantei os olhos, eu vi... era eu que segurava a faca. Eram minhas as roupas ensanguentadas. Era minha a respiração ofegante. Era minha a parede da casa. Era meu o piso do quarto. Era meu o sangue. Era sempre muito. Era sempre meu.
Era meu também o cadáver.
E era eu também o assassino.
Era eu que cometia o crime.
Era eu que morria.
De novo.
Nossa que trama Max...Quanto sangue e quem morre e quem assassina quem? Jogo labiríntico de quem é quem...
Bom de ler e ficar em suspense.
Parabéns ao texto
abraços
Cristiano
hehehe... essa é a idéia...
Não sou bom quando afirmo.. só quando sugiro!
Brigadão por seus comentários constantes!
Sempre o primeiro da fila!
Abraço!
Está mais para poesia do que para conto. Às vezes não há diferença (não falo da forma exterior). Interessante. Ressuscite logo.
Abs.
Muito interessante. Gostei.
Um abraço.
Muito interessante, fiquei apreensivo até chegar ao fim, se fosse um livro eu devoraria ele. Pode-se dizer disso um suicídio diário, como disse Fernando Anitelli que tirou isso não sei donde.
Parabéns!!
Meio antropofagia, meio surreal, mas muito intenso.
Angélica T. Almstadter · Campinas, SP 12/8/2008 18:44Tem uma estrutura bem simétrica, o que dá pra ver até pela desenho dos parágrafos. É conteúdo é interessante. Tem uma surpresa no fim e esta surpresa não é banal, muito pelo contrário, ilustra nossa angústia contemporãnea, bem no sentido heideggeriano da coisa.
diasrafael · Rio de Janeiro, RJ 12/8/2008 19:44Finalizando o total de votos necessários , deixo aqui meus parabéns pelo trabalho . Abraço
delen · Cotia, SP 13/8/2008 01:35
Gostei do seu estilo! Só não se demore nos meus olhos... vai que você tem vontade de variar o cadáver, né?! ;) hahaha
Menino, reiventar-se todos os dias é obra de arte! Precisa muita coragem e dá um trabalho louco! hehehe
Parabéns!
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