Trôpego
Tomado pela premonição da queda
bastou ao escalador que fora
vislumbrar o cume da montanha
para saber:
jamais cravar a bandeira no topo
de novo conseguiria
Voltado para o ensimesmamento
nunca mais ousou
sequer querer companhia
mesmo a dos que já lhe estivessem
irremediavelmente
próximos
(Não queria mais ter que inventar
sorrisos para quem quer que fosse)
Para não estragar o paladar alheio
isolou-se quando se sentiu amargo
e se afastou de todos os jogos da vida
para não ter que blefar
vez por outra
como qualquer jogador vulgar
Arredio como um passarinhozinho
ontem dinossauro enorme
sem cio, sem brio e sem ânsias
foi azedando como
um velho vinho francês
desses mal arrolhados
largados no fundo de uma adega
fria e mofada
devassada pelos bombardeios
do tempo
ou de uma última
e íntima guerra emocional
E foi murchando assim
comedido
nada a lhe atrasar
aquele solitário
e pálido
envelhecer.
Spírito Santo
Agosto 2007
Spirito, é tão triste, entretanto a elegância dos versos e essa leveza do murchar torna tudo leve, quase como se não se doesse.
E, no entanto, dói .
beijos
Obrigado, mas, não se engane, ando contente feito um colibri de verdade. Você bem sabe: escrever não dói.
Abs,
Pancada !
Me lembrei deste aqui
http://www.seeklyrics.com/lyrics/Lob%E3o/A-Queda.html
Belo texto!!!
Oh! Que tristeza, hein? Oh! Oh, faz isso não que a vida é muito boa...
Fiquei curiosa com a imagem. Pode explicar sobre ela?
É um continho apenas. Estas tristezas, lidas, só fazem bem.
A foto é de um velho destes, qualquer. Pelo que entendi, olhando,é oriental, uma espécie de guru de algum lugar(estava dando uma entrevista para alguém).
(E você? Anda sumida, heim!)
Abs,
Caraca! O mesmo título. Outro dia mandei um post chamado 'Bem-te-vi' e rolou o mesmo: Já tinha outro, com o mesmo nome e, o que mais curioso, aqui mesmo no Overmundo (da Edna Queiroz). Preciso cuidar mais dos meus títulos, coitadinhos.
De todo modo, valeu, Escoteiro Duda:
Sempre alerta!
Abs
A gente nasce, cresce se reproduz e murcha... tristonho...
Um abraço querido Spírito...
Cara...
Eu gosto dessa linguagem! É punk!
A fotografia é pura arte! As palavras: o enredo!
Falar mais o quê?
Poesia de mestre!
Abraços.
Lailton Araújo
VIndo votar e a nova leitura essencial.
O que achei triste foi esse auto-recolhimento.
O que achei bonito foi tudo.
beijos
Achei que a imagem é over. Como se o poema dependesse dela para se explicar. Acho que em poesia é tanto mais forte quanto mais independente dessa moleta chamada imagem.
Pois é over mesmo, Alfredo. Você tem toda a razão.
Cá entre nós, alguém pode achar até que as palavras é que são over (muleta, no caso) já que a foto já diz tudo, por si só. Enfim, bacana seu comentário, muito mais ainda pelo que sugere de relatividade.
Afinal, o mundo também é over e cheio de obviedades, certo?
Abs,
Bonito, Spirito...Linda a foto também... Para nos fazer pensar em como somos efêmeros...Frágeis...Desamparados...
crispinga · Nova Friburgo, RJ 8/8/2007 20:21
Os contrastes são muito over! Difíceis de encarar...
crispinga · Nova Friburgo, RJ 8/8/2007 20:24
Legal, seu Spirito, o casar da imagem com as reflexões, vai além
penetra no horrível, no horror de cada um abraços, andre.
André e Cris,
lembremos que é o velho morto que ao novo vivo conta as novidades.
Abs,
Chega um momento em que inventar sorriso não dá mais prazer.
Autenticidade, sustentação em si é a única coisa que resta.
Belo poema, trágico e cortante.
Alguém me faça um torniquete para estancar essa realidade!!!!
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