Não sei como é nos outros Estados do Brasil, mas aqui no de São Paulo, quem pode dispor de algum dinheiro, tem um sítio ou uma chácara para o fim de semana.
Se não tem mar, diverte-se com sítio ou chácara. Fazer o que?
O problema de ter um sítio ou uma chácara está no caseiro. Sim, porque não dá para largar tudo abandonado e quando a família chega, quer descanso. Claro, plantam uma plantinha, passam nas casas que vendem terra, mudas, vasos e conseguem arejar a cuca plantando alguma coisinha. Mas isso não quer dizer que se vai pegar duro na enxada.
- Dotô, o senhor tem calo nas mão, mas é da caneta.
Bom, conversando com meus conhecidos, todos eles tem algum caso de caseiro para contar. São os pés de frutas que estão sempre pelados: "...as fruta podreceu tudo no pé, seu dotô". "Os muleque da vizinhança robô a jabuticaba tudinha".
E perto das festas então? " Xi, dotô, deu bôbo nas galinha. Morreu tudo. Num ficô uma, prá fazê uma canja".
- E os ovos?
- Tudo fraquinho, com pobrema tomém. As casca finiiinha qui só veno. Quebrava só de oiá!
Cansado dessas histórias, meu amigo resolveu comprar duas leitoinhas. Levou para o sítio e combinou com o caseiro que elas seriam de a meia, isto é, pertenciam a ambos, dono do sítio e caseiro. Pensou que com esta atitude, conseguiria comer uma leitoa pururuca no Natal. O caseiro faria o que quisesse com a dele.
E assim passaram o ano engordando as leitoinhas, que já estavam ficando duas belas leitoas gordas, bonitas e apetitosas. A mulher do meu amigo até já estava pesquisando uma boa receita para assar a dita leitoa.
Em novembro, quando meu amigo chegou ao sítio, encontrou o caseiro cabisbaixo e condoido.
- Ah, seu dotô! Sabe o que qui acunteceu? Sua leitoa morreu! Pegô arguma duença braba. Foi dum dia pro otro.
Meu amigo ficou louco da vida e até já imaginava o que tinha acontecido. Disse ao caseiro:
- Não foi assim, não. O que morreu foi metade da minha
leitoa e metade da sua leitoa. Agora, pro Natal, eu como metade da leitoa que ainda está viva e você come a outra metade. E estamos acertados.
- Sim sinhô, seu dotô. O sítio é seu e a leitoa tomém. Si o sinhô quisé, pode ficá cum ela intera pro sinhô.
- Não é preciso nada disso. Eu me contento com a metade.
Assim ficaram as coisas. Quando o Natal se aproximava, meu amigo foi ao sítio com a intenção de pegar sua metade da leitoa e colocar no freezer. Seu instinto estava de sobreaviso e ele resolveu que o melhor seria acabar logo com a agonia de comer a tal leitoa e não saber se ela iria durar até a data marcada. Foi ao encontro do caseiro e este, consternado, disse:
- Dotô, tô muito injuriado. Nossa leitoa morreu! Nem a sua metade fui capais de sarvá.
Fim da história, o caseiro se ofereceu para levá-lo a um açougue muito bom da região, que só trabalhava com produtos de boa procedência, para que ele comprasse meia leitoa, para matar a vontade.
No açougue, meu amigo olhava aquelas leitoas inteiras, dependuradas, e pensava: ..." qual dessas será que é a minha? "
Qual desses será que é o meu? :) O mesmo se dá com quem tem casa (ou ap) na praia. Objetos diferentes, dores de cabeça iguais! Moral da história: é melhor não ter e apenas ser, sem dores de cabeça.
Abraços.
Sabe, Juscelino, quando meus filhos eram pequenos, meu marido queria comprar um apartamento na praia e eu, sempre descartei a idéia. Eu dizia: se pudermos, mesmo que seja apenas uma vez por ano, vamos para um hotel ou mesmo pousada. Além de variar o lugar, ainda não teremos dor de cabeça.
Concordo com você: é melhor ser.
Abração, Ivette G M
Coisas do sítio e dos caseiros desse nosso Brasilzão.
E o pior, que as histórias são sempre a mesma e todas muito furadas.
beijos
Olha menina,sei bem como é isso de caseiro,o de minha casa de campo,foi chegando assim de mansinho qdo ainda estava em construçao
Agradando aqui e ali,banquinho na beira do rio,uma casinha de passarinho,uma plantinha nova roubada no quintal do vizinho,um aipim fresquinho colhido em outro sítio e assim foi ficando qdo vimos já era nosso empregado
Foi aí que começaram as ''historias''um dia dor de barriga,no outro nao vinha porque mulher tava dodoi e por fim nossa casa entregue as folhas e grama alta qdo íamos passar fim de semana...mandar embora?E os direitos dos empregados?Deveres não são obrigados a cumprir,mas direitoas tem que ter!!Foi maior sufoco,no final descobrimos mesmo é que não vinha trabalhar porque recebia pagamento e enchia cara de cachaça
Mandado embora por justa causa,abandono de emprego e agora ,onde se acha outro??
Casa de serra ,sítio ou de campo,dá mais dor d ecabeça que prazer,bom mesmo é vc ir pra casa dos outros ou ficar em pousada
Gostei do seu texto,me vi totalmente nele
Ah e tem mais,qdo se tem uma casa de serra ou apto na praia qdo se viaja só se muda de fogão
Ailuj · Niterói, RJ 7/3/2009 14:50
Muito boa, Ivette. Dessas de caseiro tem uma caoseraiada só; não é mesmo? E você, com ou sem sítio, tem se mostrado uma caoseira das melhores - meus parabéns e votos...
E quando sai, entra na justiça...Quase sempre ganha todas!!!
Se voce fala que dava dois litros de leite para ele, o Juiz coloca isto como salario, aumentando ainda mais a indenização...coi de loco!!!
Sabe, aquela vontade que eu tinha de um sitio...passou ! rs
a d o r e i a cronica. perfeita!
bjssssssssss;)
Ivete,
que caseiro esperto
e que patrão mais benevolente
não morou no caso antes de ser depenado por inteiro.
Com caseiro ninguém pode
e pior que não se vive sem eles.
Casa na praia e sitio é só dor de cabeça.
Não quero nem de graça.
Obrigada pela oferta!!!
bjs
Guarda pra você, viu , Ivette ?
eu vou forA DE TEMPORADA
E FICO NA POUSADA !
( VIU, RIMOU ! )
Um beijo !
Pois é, o melhor é não ter casa na praia, sai mais barato
um beijo
De qualquer maneira, um sítio! Beijo.
Estou em edição:
http://overmundo.com.br/banco/o-sindico
Essa é Ivette , sempre mostrando o que tem de melhor , depois de ler seu texto acho melhor ficar na minha casinha de barro ( rsrs ) . Beijossss
delen · Cotia, SP 7/3/2009 20:17
Ivette G.M. · Cotia (SP)
Quem quer um sítio?
Um Texto admirável com vivéncia e incrível experiéncia.
Uma realidade que tem a ver com o descalabro da sociedade envolta na desigualdade Social, violéncia e no roubo.
Uma triste decepcáo mas é um problema Social.
Parabéns pelo Trabalho.
Abracáo Amigo
Ivette:
Escreva a segunda parte da história contando como foi a audiência do caseiro na Justiça do Trabalho ...geralmente é o último capítulo dessa história de chácaras/sítios ...
beijo
Aqui apreciando belo trabalho...Tenha uma boa Semana. jbconrado.
ayruman · Cuiabá, MT 8/3/2009 23:34
Ivete,
Pior que isso é verdade, pois já vi acontecer com um amigo que é fazendeiro.
Bjs
Notalvel! Quão prazeroso é ler este relato.
querida ive,
tem jeito?
corro correndo e chego atrasado...
mas, tá votado.
apesar, ainda terei meu sítio...
Ivette, muuito bom!
Adorei o que o Juscelino falou: "Moral da história: é melhor não ter e apenas ser, sem dores de cabeça."
Um humor muito bacana no seu texto, me lembrou um causo de caseiro aqui. Não é que o danado pegou a casa de praia e deu uma festa?
É muuuito melhor ser. Aí está a felicidade.
Parabéns!
Beijos,
Aube.
Um Belo trabalho, digno da minha singela opinião: Bom demais!
Ivette, eu viajo nesse tipo de leitura...
texto maravilhoso amiga como sempre, parabéns.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 11/3/2009 19:14Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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