Crucifixo em um túmulo do cemitério de Santa Teresa, cidade da região serrana do Espírito Santo, colonizada por imigrantes italianos.
Na inscrição:
Qui riposa Metilde Elker Bortolini
Nata il 4 - 6 - 1881
Morta 9 - 5 - 1916
Pode parecer mórbido, mas adoro visitar os cemitérios dos lugares aonde vou. Acho que em alguns túmulos, covas e criptas podemos intuir algumas histórias familiares bem interessantes.
Metilde, por exemplo, provavelmente não era italiana nata: se avaliarmos pela data de seu nascimento, ela pode ter nascido na Itália, mas se avaliarmos pelos seus sobrenomes (o primeiro, provavelmente, alemão ou austríaco, e o segundo italiano) ela deve ter nascido da união de imigrantes vindos de países diferentes da Europa que se encontraram já aqui no Brasil (ou, quem sabe, no mesmo navio).
Provavelmente Metilde era solteira, apesar de já ter 35 anos quando morreu, idade na qual as mulheres de sua época já estavam casadas e cheias de filhos. Podemos inferir que ela era solteira pelo fato de ter uma sepultura só para ela (os casados são, até hoje, enterrados na mesma sepultura). Seria Metilde uma solteirona convicta, uma mulher liberada e à frente do seu tempo, que não acreditava no casamento como única saída para a mulher? Ou seria ela uma mulher doente (o que justifica sua morte aos 35 anos)? Ou ainda, seria Metilde uma morta abandonada pelos filhos por conta de um outro processo de migração que sua família enfrentou após sua morte?
Seja quem tenha sido, Metilde teve quem a enterrasse em solo sagrado, quem pagasse a confecção da bela cruz de metal e quem encomendasse a missa de sétimo-dia. Sua morte foi cercada da dignidade da morte pequeno - burguesa. Mas ela não tem quem lhe cuide da sepultura, sem plantas, sem flores, sem velas.
Achado de Prima. Sensibilidade única. Clic fenomenal.
Valeu e parabéns!
Valeu, Benny. Mas tem o resto da história...
Ilhandarilha · Vitória, ES 31/7/2007 14:04
Qual o resto da história??? Fiquei curioso... :)
Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 14:34Viktor, estava me refererindo ao Benny, que fez o comentário dele antes de eu ter colocado o texto ( só tinha colocado a foto). Mas se alguém quiser contar aqui a continuação da história da Metilde, que fique à vontade. Ou, (quem sabe?), alguém que conheça a família e a história de verdade queira contar aqui.
Ilhandarilha · Vitória, ES 31/7/2007 15:50
ah tá... hehehe. Eu tinha lido a sua história e ficado já com um gostinho de quero mais... :)
Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2007 15:57
Que bom que a história te instigou. Quem quiser pode brincar de faça-você-mesmo-a-história-de-Metilde, onde cada um constrói a sua a partir dos elementos que já estão na foto e no texto ( ou que deixei de fora no texto).
O legal da fotografia é que ela é um recorte que não necessariamente elimina os elementos que não entraram na foto. O seu recorte permite a visualização do que está em volta, do que tem depois da margem, do corte.
Sua morte foi cercada da dignidade da morte pequeno - burguesa.
(não seria: morte pequena - burguesa)
Metilde?
existe duplo sentido?
o texto é bom!
a escolha da personagem:
de mau gosto; deprimente
abs
Tem duplo sentido não, Zezim. O nome é esse mesmo, pode baixar a foto e conferir. Quanto à escolha do personagem, foi ele quem me escolheu, e não eu a ele. Não é pura ficção é história real reinventada (se é que isso existe!).
pequeno-burguesa: pertencente ou relativo à pequena burguesia.
verdade!
pequeno-burguesa (correto)
tô cum medo de ocê!
cimitéro! arma-penada! tô fora!
sai d'mim capêta!
uai sô!
parabéns!
beijin!
abs
Ilha, Salve!
Visitar cemitérios, talvez, seja um tímido refúlgio contra as beleza das poesias beats... Será que não? Rs.
Agora sim, foto e texto se atam de forma coesa.
Parabéns!
Pode ser, Benny. Mas pode ser também um jeito de ser beat, sem ser.
Ilhandarilha · Vitória, ES 1/8/2007 09:59
Cemitérios já são vistos com olhos naturais...
Sem preconceitos raciais, sem medo, sem preocupações milenares assustadoras...Morrer é apenas mudar de vida! O cemitério apenas consome a matéria efêmera da existência humana. SOMOS PÓ E AO PÓ RETORNAREMOS.
Gostei muito.
UM VOTO CERTO e um beijinho doce, Sílvia.
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