Encostada na barranca da sanga
Acena no descampado do passado
Outrora viçosa na bonança, agora sangra
Desabada no vazio saudoso de negro fado.
Sob o sopro cego incessante do vento
Esfacela-se em constantes lágrimas dilacerantes
Expondo das entranhas, vértebras ao relento
Das paredes soerguidas e agonizantes.
Quando vem a noite com seu manto
Encobrir o pardieiro num gesto materno,
Cobre-se de vaga-lumes, abranda o pranto
Ao som dos curiangos, grilos, pulsar noturno.
Ao romper o sol com úmidos raios matinais,
Revela-se a tristeza da casa, de si despida
Sangrando horas a fio, calando seus ais
Desvelando forma em que fora construída.
Das ruínas sobe o lamento do tempo
A cobrar a consciência da força do porvir,
Atento aos rastros do esquecimento
Iluminando a busca do lugar, no horizonte do existir.
Casas em ruínas sempre me impressionam muito. Neste final de semana ví uma que me comoveu. Ficaram de pé apenas dois pedaços de paredes externas, e no cantinho delas, uma roseira onde provavelmente era o jardim, que pendia carregada de rosas vermelhas. Uma lição de resistência, em meio à seca e ao abandono...
Lindo poema, Erode.
Beijo.
Muito interessante rapaz.. gostei. Fiz apenas um soneto na minha vida. não sei rimar ou tvz não tenha a devida paci~encia, mas admiro quem sabe e ainda cria. vc criou, não apenas rimou. Parabéns
Ivy Gomide · Rio de Janeiro, RJ 29/7/2008 01:26
Interessante como sempre fui fascinando por casas velhas, elas me trazem belas recordações de minha infância pobre, mas tão feliz.
Para vc. amigo poeta da terra onde nasci, meu abraço.
Agradecidos amigos. Realmente o tema é interessante, a mim também, escrevi dois textos: um chamado "Tapera" e após este "Ruinas"; É um tema sempre nostálgico, que evoca sentimentos guardados...
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 29/7/2008 08:30
Um impecável e lindo soneto, Erode!
Também gosto desse tema apesar de nunca ter usado (acho rs)
Parabéns poeta!
Beijos
Erode, não imaginei tamanha beleza no dia de hoje!
Belíssimo.
Uliminado estavas.
Não sei o que dizer, só que adicionei aos favoritos.
Abraço.
Gratíssimo às amigas Ana e Náthima! Abraços.
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 30/7/2008 15:37
Muito bom! Aplausos de pé! Bravo!
Nic NIlson · Campinas, SP 30/7/2008 16:34
Erode, excelente soneto. Impecável
e muito doloroso, triste...tempo...
Perfeito
Sob o sopro cego incessante do vento
Esfacela-se em constantes lágrimas dilacerantes
Expondo das entranhas, vértebras ao relento
Das paredes soerguidas e agonizantes.
ab
Que maravilha ,amei. Tenho um trabalho que é de casas em ruinas ,mas quem arruina a casa são membros da casa. os comportamentos humanos falam mais alto.São as pessoas que estão dentro da casa. O seu trabalho é simplesmente fascinante, bem escrito , é de um profissionalismo, de uma inspiração marcante.
Ecila Yleus · Recife, PE 31/7/2008 09:57Gostei. Uma poesia moderna e bem estruturada, que na minha opnião trata muito bem da realidade do povo nordestino, quando você fala de ruínas e tristezas ao descrever a paisagem, lembro dos romances de rachel de queiroz que tantas histórias recheadas de ricos detalhes contou, sobre a seca e sobre a monotonia típica da paisagem sertaneja. Parabéns. "Por acaso passou tal idéia por sua cabeça ou será que estou vendo coisa onde não tem?" Se minha impressão foi errada me corrija. Abraço. Votado.
Fabrício Costa · Vitória, ES 31/7/2008 15:46Estou contente com a participação dos amigos. Grato ao Nic, Falcão, à sempre grande Cintia que capta a intensidade do texto; à Ecila e suas considerações riquíssimas, assim como ao Novo Poeta! Fabrício: O poema condensa tudo isso que apontaste, na ótica da ruína em si, sendo que um bom poema deve ter essa universalidade para assimilar todo o conteúdo inerente. Pelas suas palavras (e dos outros colegas), ao menos em parte consegui em requisito. É ato pensado sim, quando construímos um poema, um texto. Fazes bem, em apontá-lo. Abraços.
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 31/7/2008 16:30Publicado!!Gostei bastante Erode!Abraços.Nina.
nina araújo · Rio de Janeiro, RJ 31/7/2008 16:38
Agradecido, Nina e Ailuj! Espero ter correspondido às suas expectativas. Abraços.
Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 31/7/2008 18:19
"Sob o sopro cego incessante do vento
Esfacela-se em constantes lágrimas dilacerantes
Expondo das entranhas, vértebras ao relento
Das paredes soerguidas e agonizantes."
Quanta inspiração!
MEU VOTO É CERTO!
UM BJ
SÍLVIA
meu querido,pela primeira veez te leio.
Adoro essa palavra porvir rsrsr
E pensar que o porvir é aqui.
Deixo meu carinho e votod no seu belo trabalho.
Sempre é um prazer desmedido ler teus poemas, Erode.
Boa, poeta.
Abçs.
Olá Silvia, grato, além da inspiração, muita "transpiração".. rsrr
Oi Clara, feliz estou por tua companhia; realmente o "porvir" é uma realidade fremente...
Prazer Benny, é amigos leitores que temos aqui, abraços.
...ruinas,
um templo em mim, creia.
bjssssssssss;)
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