Era um batráquio sem cauda que vivia nos lugares pantanosos – uma rã. Uma rabaça.
Vivia numa rabacuada onde era pastor subordinado ao maioral, mas era superior ao zagal – pensava.
Seu desejo mais íntimo era ser rabaz, rebelar-se de seu destino – o último da classificação, a rabeira.
Seu nome era Rabi, o Cotó. Apesar de ser uma rã tinha rábia. Era rabichudo, tinha ares de rabino e suas rabinices.
Rabiscador por excelência, era um escritor reles, um mau redator, vivia levando uns rabos-de-arraia dos Racionalistas.
Era chegado num rabo-de-galo.
Adorava um rabo-de-saia, até já tomara uma surra de rabo-de-tatu do progenitor de uma delas – Raísa.
Usava sempre uma rabona, fosse frio ou calor.
Podia-se dizer que era rabudo mesmo! Comia todas as raparigas da rabacuada, mas sua rabugice não lhe permitia um repeteco, nunca!
Tornou-se um rábula pela Universidade e Partido Reacionário Ruvinhosos e repudiou sua raça, cuspindo nos restos da refeição requentada.
Certo dia, de uma rocha, provocou um rachão no Partido.
Em seu raciocínio, os reacionários ruvinhosos eram uma redundância e o rumo que deveriam reacender era a raciocracia, baseada na raciologia. E uma das medidas recentes era o racionamento da ração para a ralé. Aquilo repercutiu como uma bomba-relógio, uma rajada de radioatividade. Rabi conseguira seu intento. Do caos criou a Ordem dos Rabsestesistas, onde ele era o Reis dos Reis – sua vara racista reuniu o resto do resto do resto, formando um exército.
Radicalismo era seu mote, seu reino era o horror.
Sua realeza sofreu um revés após uma reunião reservada dos racionalistas.
Houve boicotes, rechaços, revoltas e a ralé se reuniu na rocha.
Num ato raivoso Rabi, o Cotó – Rei dos Reis requisitou sua vara e num relance rasgou uma rajada violenta de vento, assustando a todos, raleando os gritos.
Desceu da rocha e num ramerrão recorreu o ranário, no afã de reacender a revolução, mas o ranço, o rancor da massa era grande.
De súbito, um rebelde lhe reteu os passos e como um raio revelou nas mãos uma randa. O punhal retiniu no ar e rompeu o peito de Rabi.
O Rei dos Reis rebuscou na memória aquele rosto e viu Raísa naquele rapagão. Aquela rapariga lhe dera um rebento!
A recordação lhe retirara a dor, mas restava-lhe pouco tempo.
- revela teu nome, rapaz!
* - Rafa, respondeu o filho...
Salve Rangel!
Gostei demais da conta...
Tá fantástico home!
Abraços
Salve, Arlindo!!
Tava com saudade de voce!!
Obrigado, companheiro, por seus elogios...
Rangel, li de um só gole!
Sensacional: idéia, ajuntamento das palavras, o reino todo!
Salve, Rio de Janeiro!!!
Obrigado, Cris!
Quis saber o significado de Rafa e descobri que era fome, penúria.
Aí me veio a idéia de usar palavras com "R" de rapsódia, Rabi, deu nisso..
PS: Rangel é uma variedade de pêra. Ahahaha!!!
Olha que massa!!! Queria tanto que meu nome fosse uma variedade de uva! Mas só significa "seguidora do Cristo"...hmpf
cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 30/11/2006 11:42
Cris, já te elogiei na fila de edição e aí vai de novo:
Teu texto está muito bom!!
"O cara" tem um sentimento muito profundo, valeu!!!
Ah! E obrigado pelos elogios, lá em cima..
Eu gosto da estória que você conta, gosto muito!
Bia Marques · Campo Grande, MS 23/12/2006 19:13
Grande Bia!!!
Teu elogio é meu presente de Natal!!
Valeu!!!
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