Meia Noite. Na mesma hora em que a alma de Zé do Caixão foi levada em A Meia Levarei sua alma, a 3X4 (FABICO/UFRGS) estava conversando com o seu criador. Nada mais apropriado do que a madrugada para um encontro com o maior nome do cinema de terror no Brasil. José Mojica Marins nos recebeu poucas horas depois da sua chegada a Porto Alegre. O encontro se deu no saguão do hotel em que ele estava hospedado. Prestes a lançar Encarnação do Demônio, filme que completa a trilogia iniciada com seus dois primeiros filmes, o cineasta, entre um cigarro e outro, fez o que sabe de melhor: contar histórias.
(Entrevista realizada em Porto Alegre, Maio de 2007, por Julia Aguiar, Leonardo Kluck e Thiago Reck)
3x4 – Como você define a morte?
Mojica - A morte é o grande mistério do planeta. Possivelmente, até se descobrirem que haja vida em outras galáxias ou em outros planetas, ninguém terá realmente a verdade sobre a morte. Eu sou uma pessoa que lida muito com o sobrenatural e com coisas místicas. Sobre a morte, eu acho que já falei, por baixo, entre televisão, rádio, jornais, revistas, mais de mil vezes. Eu sempre parto de um princípio: não dá para ter uma explicação. Eu já discuti com várias pessoas, pastores, padres, pais-de-santo. Mas como a pessoa vai explicar algo se ninguém voltou para falar? Porque, nossa, seria manchete no mundo inteiro. É um enigma! Você sabe que nasce, de onde você vem, mas para onde você vai depois da morte? O corpo sabemos que os vermes consomem. E a nossa essência, essa inteligência, esse ego, esse eu dentro da gente? Na minha maneira de pensar, eu vejo o nosso planeta como um satélite experimental. E jamais alguém morreria e voltaria pra cá. A essência, a alma, não volta. O que fica na verdade é aquela força que a gente tem, positiva, que por um bom tempo fica na terra. Como o próprio 'são', descobriram, faz o que, uns dez anos, que o 'são' de Dom Pedro estava preso, aqui no nosso sistema solar, no planeta. E aí soltaram a voz de Dom Pedro, entre tantas vozes. Então ficamos também presos, por 20, por 30, 50 ou por 100 anos. Uma espécie de essência nossa, positiva - não a alma. Ela fica presa. É quando as pessoas dizem: "Eu vi tal imagem da pessoa que morreu". Eu nos meus cursos, nas minhas palestras, ensino como falar com os mortos. Eu sei falar.
3x4 – Como falar com os mortos?
(ENTREVISTA COMPLETA NO ARQUIVO EM ANEXO)
Zé do Caixão é supimpa, eu semprte cruzo com ele nas madrugadas de Sampa, comprando revistas pras suas filhas, elas devem estar crescendo, antigamente eram mais gibis, hoje já são revistas teen, só não muda a sua coerência em tocar em temas delicados que incomodam por demais a sociedade acomodada e quieta !
Temos que cultuá-lo enquanto ele vive, ele tem, muita coisa boa pra contar, precisa ser mais ouvido, darem mais espaço pra ele na nossa seleta ( e burra ) mídia !
Me lembro uma dada noite Zé do Caixão, que morava, (mora) por ali mesmo nas imediações da S. João, dá de ir ao Gato que Ri no Largo do Aroche, calor, e tal... Um frege.
muito boa,
andre.
Pena eu não conhecê-lo pessoalmente como vocês. Tinha pavor dele. Hoje, tenho uma profunda admiração e depois desse trabalho, menino... AMEI.
Beijos
Nada sei do futuro, mas no que depender do meu trabalho, a carismática pessoa de José Mojica Marins, tanto quanto seu marcante personagem, Zé do Caixão, não serão esquecidos!
Parabéns a todos!
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