"Tu, meu amigo, és solitário, porque...
Nós, com palavras e sinais de dedos
Conquistamos pouco a pouco o mundo,
Talvez a parte dele mais fraca e mais p'rigosa"
(Fragmento do soneto XVI - As Elegias de Duino e Sonetos a Orfeu - Rainer Maria Rilke)
Eu ia sofrer.
Eu estava quase
Me fodendo em rejeição
Enterrada no sofá-cama
Acendendo e apagando a luminária
Para saber o quanto de escuro
Me apavora,
Me adora...
E me devora,
Deixando-me querer morrer
E depois fugir
Porta a fora.
"Oh, mea Dora!"
Sofrer...?
"Serdes mais cúmplice
que carrasco meu bem"
Já me dizia Não-Sei-quem
Não.
Obrigada.
Escrever!
recriar a tua existência abstrata
A cada céu,
A cada espelho,
A cada orquídea,
A cada luz
-Olho de algum Deus -
Sobre a maré cheia.
Ea cada arroubo
Desta tua existência
Mesmo que virtualmente calada
Sou invadida e inundada
Em jorro de palavras
incendiárias,
em incêndios diários
Que podem te alcançar
em ondas eletro-magnéticas
Chegando às tuas portas cibernéticas
Difundindo-se
Fantasmagóricas
como fumaças holografadas
Em diáfano odor de lavanda.
E tu podes fingir que foges...
Para não seres atingido.
Mas as plavras
Têm uma força inefável
Imaterialmente atingindo-te
Como um sopro íntimo...
Mesmo que fujas e finjas
Que não são do teu interesse.
E elas também têm vidas
Que nascem e renascem
A cada vida inventada
Nos vastos mundos teus
Que tuas palavras, e teus sinais
Me mostraram
Me envolveram...
Então eu apenas peço em oração:
"Pai, perdoa os que trazem fracos seus corações
Porque eles não sabem receber o amor
Se não for condizente
Com os seus "mundos explicados"
Porque quando o amor inócuo
Chega em seus corações
Eles querem "distinguir demais" as emõções.
Pai, perdoa-os também por estes corações
Fecharem-se em copas de desprezos
E silêncios incineradores de sorrisos,
de palavras, de gestos, e de encantos.
Pai perdoa os desconfiados
Porque neles batem corações
Protegidos por densa folhagem
E o amor de inofensivos ardis
Quando bate às suas portas
doando-se apenas agradecido e feliz
Eles silenciam catalépticos
Como uma planta sem raiz".
Não sei se o Pai me ouve.
- Ele tem andando tão... Atarefado...
Talvez tu nunca tenhas sido
Atingido de fato,
E estejas apenas... Atarantado.
Mas eu continuarei
Querendo te dar
Mais coragem,
E menos perdão.
E tu não entendes!
E tu não te queres sub-entendido
Nas minhas entrelinhas absurdas
em que te recrio
enquanto silencias... MedrosaMente
Deixando-me inerte às tuas portas
Sem nenhuma resposta
Mesmo que insolente.
Eu não vou sofrer
Em velórios doloros
De mim mesma...
Isso meu bem, nunca mais!
Eu vou apenas escrever,
e talvez,
também em silêncio
emitir meus sinais
Que talvez toquem
Este teu coração
de dimensões
Virtuais.
"(...) Mesmo as folhas dos carvalhos
repassados de inverno
parecendo no anoitecer um castanho futuro.
Por vezes os ares trocam sinais (...)"
(Fragmento do soneto XXV - As Elegias de Duino e Sonetos a Orfeu - Rainer Maria Rilke)
Olinda, de temperatura amena condizente com a dor que se alastrou incendiária vindo dos céus e manchando a terra em dores dilaçeradas. E eu rezo para que os nossos céus deixem de emitir tantos perigos nos nossos espaços aéreos de dois mil e sete motivos para se temer voar.
Olá lindinhos do meu coração.
Não precisa fazer download nenhum não.
Tá tudo aí, sem nenhuma omissão.
beijo no coração
Eu vejo que voas e nem te assombra o medo que há de alto voar.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 21/7/2007 21:19
Não mesmo.
E só não digo mais nada
para manter sacro o segredo.
Porque medo, eu tenho apenas de mim.
obrigada por ter vindo
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