Release para o disco SLA 2 - BE SAMPLE, de Fernanda Abreu

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Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ
23/11/2006 · 100 · 2
 

O elogio do sampler, e da atitude sampler na arte e na vida...

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Hermano Vianna
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Mansur
 

O conceito de sampler extendido aqui por você no conceito de influência é realmente similar. O que seria de Tom Jobim sem Debussy ou Vila Lobos? O que seria de Vila Lobos sem Bach e sem o cancioneiro brasileiro? O que seria de Jimmi Hendrix sem Bob Dylan ou Robert Johnson? O que seria da música eletrônica sem o groove? Entendi. O conceito pode ser ainda mais extendido quando vemos que durante a vida estamos "escaneando" tudo que se passa a nossa volta e todos os fazeres são influenciados pelo que foi "escaneado" e acaba influenciando outros fazeres num processo de fluxo contínuo. Lembro de um depoimento do Hermeto, dizendo que quando era criança, por ser albino, ficava embaixo da árvore o dia inteiro, enquanto seus irmãos estavam na enchada. Ficava ali sozinho, então escutava o som do seu silêncio (tão bem definido na peça 33' de John Cage, ali nos anos 50, se não me engano), ou seja, ouvia formigas, pássaros, sapos, vento na árvore, um carro passando ao longe...e Hermeto "escaneando" o som foi aperfeiçoando a audição e a percepção e se tornou o nosso bruxo.
O sampler "em si", é uma ferramenta do fazer musical que pode iniciar o processo ou complementá-lo, conforme o conceito que se queira imprimir a criação, ou até mesmo ser fundamental em se tratando de música eletrônica. Então o sampler seria a copiagem deliberada de um som, uma levada, um trecho...para a criação da "nova coisa". A influência é a decodificação interna das impressões para a criação da "nova coisa". São conceitos similares, mas diferentes, que você integra. Novos conceitos são bem vindos, mas penso que seria cuidadoso não tratá-los como verdade absoluta. Pode parecer certo deslumbramento com o "novo". A incorporação dos "novos" conceitos com os já existentes me parece mais sensata e menos suscetível. Essa incorporação me parece mais digna do que vem a ser chamado de "contemporâneo". O que é "novo" sempre sendo incorporado ao que já existe, sem a substituição deslumbrada do "já existente" pelo "novo".

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 8/10/2007 11:45
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Spírito Santo
 

Tô com o Mansur nessa aí.
Um pouco na minha praia, nesta coisa de estudar artefatos e instrumentos de música, ouso dizer que o ser humano não inventou e nem inventará nada que já não tenha sido inventado neste campo. Um pouco de Descartes (...nada se cria, tudo...) e um pouco de Noam Chomsky também, aquele cara que, especialista em linguagens humanas que é (ou linguagens, simplesmente), nos disse que tudo, rigorosamente, tudo que usamos como mecanismo de comunicação (sons, imagens, cheiros, texturas, só pode estar configurado e ser compreendido, decodificado, dentro do âmbito limitadíssimo de nosso sistema sensorial. Todos os instrumentos são, portanto, extensões de nós mesmos, velhos primatas com polegares opositores e alguns tufos de neurônios.
Me lembro também que uma das primeiras fitas de música africana que ouvi na vida, era uma polifonia de trompas, de uma orquestra de um soba do Sudão, um som assim, primitivão, tradicional no lugar, secular. Pois bem, soava como um arranjo cabeludíssimo do Dizzy Gillespy para trumpete, trombone e quetais. Era dissonante, no sentido de novo, inusitado a mais não poder. Uma coisa dos séculos seguintes para nós, mas, ao mesmo tempo, de muitos séculos atrás para aqueles ' primitivos' sudaneses.
Ou seja, não creio que existam estas instancias de tempo convencional quando se fala de música (uma linguagem complexa que opera com o Tempo e Espaço, ao mesmo 'tempo').
Música é relatividade pura, em todos os sentidos, é um conceito dos mais Einsteiniano com os quais podemos nos defrontar. Logo, é muito difícil que possa existir, portanto, esta história do sampler ser uma coisa mais moderna, digamos assim, do que um berimbau, por exemplo. Sampler pode ser uma coisa bem brega, careta memso, amanhã de manhã. Ou em outro lugar, é assim que a banda toca.
Ah...Me lembrei também do Tom Jobim que, quando ouvia um teclado eletrônico, um 'órgão' por assim dizer, chamava a coisa (moderníssima para alguns incautos da época, anos 60, por aí) de 'purrinhola', assim mesmo, bem depreciativamente.
Bem, acho que é mais por aí.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 9/10/2007 20:28
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