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Repente. Mote em decassílabo: "Fora-de-série ou genial"

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Marcelo Cabral · Maceió, AL
13/9/2006 · 75 · 5
 

Repentista só canta a mais de mil/ se acaso eu der-lhe permissão/
Se tiver nessa arte condição/ não precisa de vírgula nem de til/
For igual a Camões para o Brasil/ descobrindo o caminho principal/
Ser igual a Joãozinho no carnaval/ a Licurgo nas leis e no respeito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de–série ou genial...

Cantador como eu ninguém num fez/ Deus deixou pra mandar muito depois/
Que se o caba for grande eu dou em dois/ e se o caba for médio eu dou em três/
E se for bem pequeno eu dou em seis/ que a minha riqueza é bem total/
Cantador como eu não nasce igual/ que ou nasce mais baixo ou mais estreito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de-série ou genial...

Repentista só tem minha cachola/ se acaso agradar aos fregueses/
Se Jesus ajudar quarenta vezes/ for igual a Inácio de Loiola/
Quando ele pegar numa viola/ a tarracha aprumada e o dorsal/
Afinar suas cordas de metal/ fazer muito sonora no seu peito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de–série ou genial...

Essa minha cantiga é bem segura/ pra cantar despeitado ninguém ganha/
Cantador pra cantar só me acompanha/ se tiver com Jesus na cobertura/
Que eu nasci maioral nessa cultura/ essa minha existência é bem total/
Eu já dei uma pisa em Juvenal/ que ele foi se tratar não teve efeito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de-série ou genial...

Repentista que existe no país/ ele canta maior do que Zuzu/
For igual a um Pinto ou um Xudu/ ou então um poeta o Zé Luiz/
Ou assim Laurentino ou o Diniz/ Sebastião outro vate sem igual/
For igual a um Jal ou Lourival/ fora esses poetas eu não respeito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de-série ou genial...

Na viola eu nasci pra ser sozinho/ no repente não tenho medo de nada/
Cantador não trevessa minha estrada/ e genial não tem nada em meu caminho/
Uma vez dei Ontonho Silvino/ que ele foi residir lá em Natal/
Foi vender a cachaça e a mineral/ macarrão com batata e com confeito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de-série ou genial...

Só preciso dum simples idioma/ pra cantar agradando ao meu freguês/
Eu açoito colega todo mês/ quantas surras já dei não tem mais soma/
Quem nas aulas da vida tem diploma/ não precisa de código penal/
E quem é papa-angu de carnaval/ pois comigo o buraco é mais estreito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de-série ou genial...

Toda vida cantando eu sou assim/ canto vendo trabalho subo e desço/
Que eu sou Jararaca no começo/ inda sou Cascavel do meio pro fim/
Só se faz cantador igual a mim/ se papai separasse do casal/
Se a cama ajeitasse no local/ e mamãe se deitar sem ter respeito/
Repentista só canta do meu jeito/ se for fora-de-série ou genial.

informações

Autoria
Repentistas: Pano Branco e Edvaldo Zuzu
Ficha técnica
Improviso criado no Encontro de Repentistas de Caruaru ? PE.
Recolhido por Gustavo Farias e disponibilizado por Railton Sarmento, o Rato (veja entrevista com essa figura no Overblog: "Lingua e lugar, rima região, rap e dez de quadrão").
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Carla Castellotti

esses cabras tão danados.
larga esse LOCAL parte pro universal.

Carla Castellotti · Maceió, AL 11/9/2006 12:31
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Ana Murta

Muito muito bom. Parabéns pros cabras !

Ana Murta · Vitória, ES 13/9/2006 11:34
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sônia maria piatti

com ele bem disse... tou virando freguesa dos repentes.
marcelo, muito massa a publicação.
um beijo pro ratin,
prestou nao isso aqui =)

repentistas infelizes...

sônia maria piatti · Maceió, AL 14/9/2006 13:12
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Marcelo Cabral

O Rato me falou que os autores do repente viram está colaboração aqui e ficaram muito felizes e gratos pela divulgação. abraços

Marcelo Cabral · Maceió, AL 17/10/2006 22:10
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Aldy Carvalho

Eita cabra retado. Li, gostei e foi muitão, parabéns. e tome um, dois e três, e pra "num" dizer que tem defeito tome quatro e cinco e tome seis.
Inda foi pouco, pois comove, tome sete, oito e nove
E pra completar todos os pés, tome lá, aí vão dez
Abraços,
aldy

Aldy Carvalho · São Paulo, SP 20/5/2008 18:27
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