Que bom se pudéssemos pegar um violão
e compor a música derradeira
que unisse todas as nossas vozes;
ou escrever com as cinzas dos escombros
da última cidade
os versos de uma poesia que sintetizasse
todos os nossos sonhos;
ou rabiscar um desenho na bandeira branca da paz
no qual expurgássemos
todas as nossas mágoas;
ou pintássemos um novo Adão
tocando humildemente o dedo do deus
que, sorrindo, redimisse
todas as nossas derrotas;
ou, em vez disso,
simplesmente, sentássemos no cume
do último monte que restasse
nos confins do que um dia foi a Terra,
e de lá observássemos, inertes,
um novo sol nascendo para olho humano
nenhum ver,
porque já não seríamos mais humanos,
senão um lampejo do que num passado
não tão remoto,
fomos obra viva de uma espécie já extinta,
como nossas vozes e nossos sonhos,
sendo tão e tristemente testemunhas
de nossas mágoas e nossas derrotas.
Lindo, lindo, Pepê.
Ah... Se eu tivesse um violão, para poder tocar quando o segundo sol chegar...
beijo
´´E, amigo Pepê, do jeito que vai a humanidade, só vamos ter paz no dia em que virmos o sol nascer sobre as ruínas do que um dia chamamos de civilização.
Tristemente belo teu réquiem pós-apocalíptico!!
belíssimas divagações !
abraços, Pepê.
Pepê
Hiper..Sempre lutando
por dias melhores, Poeta é assim!
ab
Pepê, é trágico e terrível o presságio, mas pode acontecer.
O ser humano talvez seja a única espécie que destrói seu próprio lar.
De qualquer forma, o poema é tão bonito quanto seria este bela música referida nos versos iniciais!
beijos
Grande, Pepê!
Poema de enfrentar vulcão.
Boa, Poeta!
tenho um poema com esse título também e uma prosa que fala sobre também. Bacana. Beijo
Angélica T. Almstadter · Campinas, SP 6/8/2008 20:04"Carrego dentro de mim doses excessivas de uma ansiedade sem precedentes..."... Assim começa um poema que eu considero perdido, nalguma gaveta ou pasta esquecida na estante... Costumo dizer que o combustível da literatura é essa realidade acachapante que nos leva direto para um futuro que nada tem a ver com as previsões de Nostradamus, mas hiper-relacionada com a ficção de um Dostoiévski, de um Kafka, de um Orwell, de um Conrad... Onde não há finais felizes... De qualquer forma, nada me faz mais humano... Nada de fatalista ou pessimista... Compartilhar essas impressões com o melhor time de poetas da web me dá a exata dimensão de ser humano... E esse carinho, essa atenção, esse prazer que muitos contatos reais não me dispensam, só é possível porque navegamos na mesma embarcação que, ora passando nas águas do Estige, ora sob o comando do bravo Ulisses, nos mostra a vida no passado, no presente e no futuro... Argonautas, bem-vindos à bordo... Grande abraço e meu muito obrigado...
Pepê Mattos · Macapá, AP 6/8/2008 21:36Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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