Eu sou aquele
Que lhe encontra na sua ausência,
Aquele que busca
Tirar-lhe a morte,
Mutantear a foice em ramalhete,
Dar-lhe a ponte
Que a unirá ao amor
Para não mais existir o adeus,
Colorir “o espaço em branco
entre as bocas que se deixam”
Para logo voltarem uma a outra.
Sou aquele que aplaca a sua solidão,
Que procura vesti-la de companhia,
Que investe na cura do desespero
Com o ópio do dia,
Diluente da noite.
Eu sou o chofer
Que a leva para o caminho dos sorrisos,
Fugindo do das lágrimas,
O braço que furta
O chicote do carrasco,
A pá que recolhe o pó
E o sopra com esperança de dar-lhe vida.
Eu sou aquele
Que neutraliza a ferida
E impede o sangue de esvair-se;
Sou aquele que fala baixinho,
Que não fere o silêncio,
Que sussurra ao seu ouvido
O sorriso etéreo de uma criança.
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