os velhos telhados da Campina
suportam submissos
o peso dos séculos & das estrelas dilatadas
como o poeta carrega em seus ombros
o inevitável fardo da dúvida:
dúbio diabo roendo as pernas do
poema num esforço convertido em cinzas
sobre o dorso metálico dos peixes
um rústico rastro de certeza
resta apodrecido
na fria pedra do mercado
evocando significados à torpe palavra
escrita em febre sobre
a grama ressecada da praça
com pedaços de pálpebras adormecidas
uma miragem lunar persegue
o topo dos edifícios arremessando latas
de cerveja sobre as árvores febris
sob a sombra
dos sobrados reconstruídos
sobra uma silaba solitária
entre as frestas assimétricas da calçada
onde a loucura é uma fantasia nefasta
enfastiando os contornos
da palavra veloz desde o principio
da tarde que se obstina
o poema recluso
no ventre do esquecimento
escava o infecundo útero da intolerância
despejando mágoa &
alucinações seminais sobre a tez
incendiada das imagens
como travestis apedrejados
nos bancos da avenida
vozes soluçam
miríades de odes infernais
do interior das casas abandonadas
até que os ratos roam os fios elétricos
dos últimos acordes da madrugada
causando dissonantes
desabamentos poéticos
fotografias rachadas pelo tempo
latejam olhos de aurora carcomida
lapidando as arestas do inconsciente
e Deus explode a Praça da República
e recolhe os ossos polidos dos metaleiros
e reparte os restos com os cães
bombardeios
de palavras mastigadas
sobre a estátua de medo dos adolescentes
devorando a dura carne da nostalgia
e uma paz ilusória espalha seu cheiro
entre os mendigos
que anseiam pelo fim da tarde
Deixa eu te dizer,
votei já encantada com a estrofe no cantinho do coração overmundano - melhor que orkut.
Vou levar pra casa, leio, absorvo te escutando as palavras reverberando seculares dentro de mim,
e depois sim, volto pra dizer o que senti.
Beijo-te feliz.
Grande Pedro. Muito bom o teu poema. Parabéns!
Abr.,
Leandroide.
Dora,
incomparávelmente melhor que orkut.
Aguardo seus comentários...
Legal Leandroide, valeu a leitura...
Pedro Vianna · Belém, PA 12/7/2007 18:41
(rapaz, o que é isso?!!!!!)
grande poema, Pedro, sem dúvida um dos melhores seus!!!!
o trato com a palavra é de uma generosidade, incomparável!!!
parabéns!!
abraços,
Obrigado Marcos,
seus comentários são sempre generosos.
Oi Pedro,
A Praça da república faz parte da minha história desde a infancia, estudei no IEP, e tambem, fiz vários shows lá no anfiteatro. Sei de cada palavra de sua maravilhosa poesia.
Parabéns!
Um grande abraço.
Adoro Belém do Pará,sem nem sequer conheece-la ,apenas por saber que lá viveu a família do meu pai e saber que aí existem tantos talentos...Que belo texto, que linda foto!
Beijos
Cris
Gostei Pedrão!
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2007 20:57
Lindíssimo poema, Pedro.Aguçou minha curiosidade em conhecer a Praça da República em Belém.Observando a foto, deve ser restaurador uma visita à praça em dia estressado.
Parabéns!
PS: Adorei o poema no meu "recado".
Pedro, só agora pude vir ler!
Menino, é um deslumbramento.
Li em voz alta (como sempre faço).
É um manifesto, é um canto, apesar da desilusão tão grande.
beijos
Voltei.
Esqueci de dizer que a foto é lindíssima e reflete muito bem a "cor" dos versos.
beijos
Muito bonita - e triste - sua visão da praça, Pedro.
Gostei do poema e da foto.
Abraço.
Oi, Pedro! Muito linda a poesia e muito linda a foto!
Ariadwen · Rio de Janeiro, RJ 13/7/2007 09:31
Voto pela praça do Pedro!!!!
Tão magnífica, quanto seus versos...
Começando pela ilustração; excelente. O poema em si, desobriga qualquer comentários. Um abraço e obrigado pelo convite.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 13/7/2007 10:27
Pedro, meu voto já tinhas por conta de teu belo poema. Quem não conhece nossas praças, nossos telhados e paredes revestidas com os bordados dos mais belos azulejos, vindos de Portugual, e cravados coms as mãos pródigas dos nossos artistas desconhecidos que há muito o tempo já os levou com seus olhos turvos de pedra e cal, perde a visão da mais européia das cidades brasileiras.
A praça da Rebública, Pedro, é amor puro para todas as almas.
Abraços.
Noélio Mello
Ainda não tive o prazer de conhecer Belém,mas sinto-me
apresentada à praça da República,por esta bela foto e
este belo poema.Parabéns!
Pedsro... O Orkut nunca foi minha praia,
foi um amigo que fez tudo pra mim, eu só fui lá e coloquei a senha que quase nunca uso, só não esqueço porque é um nome inesquecível.
Mas fiquei feliz de você ter me encontrado naquele meu quintal tão sistematicamente desprezado.
Agora vamos ao que (me) interessa:
"Palavras seculares
no útero da existência de tudo,
em miríades de sílabas
nas calçadas assimétricas
da loucura nefasta
entre as frestas da fantasia.
O poeta se embriaga
com a nostálgica
explosão de Deus
na Praça da República
em bombardeios de miragens
sobre uma adolescência medrosa.
E tudo é um rústico rastro de certeza...
Os velhos telhados
da cidade velha,
a tarde,
essa donzela,
que se obstina,
como poesia
desabada
em
pálpebras
adormecidas"
Pedro
Tu que és pedra
fizeste da Praça Republica
uma poesia com palavras
tão de seculares belezas
e profundidades
no concretismo
da cidade.
Um dia eu pego um Ita
e vou aí
conhecer Belém do Pará.
Obrigada por isso também,
te beijo no coração. E ainda por cima
FELIZ!
Não sei o que aconteceu com a "PORRA" do botão do negrito que só deixou em destaque metade da poesia comentário, que só findou quando onbviamente fechei aspas.
Botão Burro!
Viu Pedro, é pra ser visto com negrito até as aspas finais.
Outro beijo,
É Lígia Praça da república é mesmo um marco pra quem vive ou viveu o circuíto underground em Belém. Tu tocas em alguma banda?
Pedro Vianna · Belém, PA 13/7/2007 13:47
Beleza Cris, então vc é ligada a cidade geneticamente. Obriagdo pelo comment...
Pedro Vianna · Belém, PA 13/7/2007 13:48
Obrigado Brigitte,
só não vá se meter lá domingo à tarde...rs...
Valeu Saramar,
na minha cabeça todo poema é um manifesto.
Existência manifesta em palavras.
Tem razão Tetê,
talvez seja até uma visão distorcida por minha poética.
Grande Rangel, sempre bom vê-lo...
Pedro Vianna · Belém, PA 13/7/2007 13:57
Filipe, é muito linda essa foto mesmo.
Obrigado pelo comentário.
Fala Noélio, sempre bom um comentário conterrâneo.
Principalmente com essa sua generosidade.
Valeu Linney,
se puder um dia venha ver o caos de perto...rs
Com ou sem negrito Dora seu comentário foi sublime.
Venha sim, será bem recebida...
gostei de novo Pedro
claro pra mim
parabéns!
VIANNA... meu camarada, poemas sobre essa Praça me são um presente. Adicionei o teu às Favoritas e o lerei sãbado com calma (não tenho PC, vou às Lanhouses).
O inicio é magnífico, poema moderno de verdade, sem aquelas "barbaridades sem nexo" feitas só para impressionar incautos. V. leva jeito, meu caro. Te lerei outras vezes! E viva Belém ! Abraços,
Valeu Miller,
claro como um porre de vinho.
Gostei do teu poema, da generosidade dele com as pessoas.
Paris, Vitor Hugo e os Miseráveis te aplaudiriam a canção e a índole manifesta em
o poema recluso
no ventre do esquecimento
escava o infecundo útero da intolerância
despejando mágoa &
alucinações seminais sobre a tez
incendiada das imagens
como travestis apedrejados
nos bancos da avenida
Gostei de botão,
como gosto e digo de tantos outros da mesma forma, boníssimo Pedro.
(Foi tanto que gostei que fui pesquisar umas palavras novas pra mim pra te dizer quanto)
Beijin, pequin
Legal Nato, seus comentários também são um presente.
Volte e leia quando quiser...
Juli,
sua generosidade é que é poética.
Que bom que o poema te instigou ao comentário.
belo poema, Pedro. cada vez melhor e muito.
beijão pra vc.
******
essa Dora é maluca de tudo, hahahahaaaaaaaaaa
figura!
Muito bom, Pedro.
A Praça da República, é o Point de todas as Tribos.
Parabéns.
Abçs. Benny.
todas as pracas, quase todas, pelo menos, hoje são espectros. deu vontade de conhecer a sua praça.
abraço.
Lindo o teu poema, além de linda esta forma de conhecer um canto do nosso Brasil. Parabéns.
Abraços.
mano pedro,
este teu bárbaro poema poderia seguir indefinidamente, não? é a impressão que acabo de ter, ao terminar de lê-lo... esse amálgama de atmosferas, e de eras, de ossos roídos de tempo que tem a nossa cidade - a velha flor do guajará. não, não saberão os que nunca estiveram em suas ruelas varridas por ventos de correnteza, mas dás aqui as pistas, algumas das mais belas, e também as mais doloridas. é possível sentir alguns cheiros entre os versos, e certamente um céu nublando-se, plúmbeo, a rugir, na voz de um arauto gravíssimo, o temporal prestes a cair.
abrações, maldito,
r
Muito lindo o seu poema. A foto como vc mesmo já disse, é linda.,
Iva Kareninna · Natal, RN 14/7/2007 14:33Muito bonito, li hoje, vou continuar lendo :)
Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 15/7/2007 00:25
Pô, muuuuito bom, Pedro!!
lindo mesmo, parabéns! Adoro ler você!
beijos
oi... uma praça no centro do meu olho... imagem&texto forte e sensível... mais um Parabéns. Abraços
analuizadapenha · Natal, RN 15/7/2007 19:36
Valeu Benny,
sei que conheces bem o lugar. É isso aí...
Renato,
talvez sim, poderia ir adiante até...quem sabe? O poema é um bicho meio estranho. Umas vezes se dá como puta barata, outras é arisco e tem vida própria. Esse foi voluntarioso, fez-se à minha revelia. Se não lhe cortar-se as asas continuaria voando...
Renato,
talvez sim, poderia ir adiante até...quem sabe? O poema é um bicho meio estranho. Umas vezes se dá como puta barata, outras é arisco e tem vida própria. Esse foi voluntarioso, fez-se à minha revelia. Se não lhe corta-se as asas continuaria voando...
Caro Pedro, é com muita satisfação que li teu poema, encimado por esta bela imagem. Puro talento! Parabéns.
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 9/8/2007 08:43
Olá Pedro!
Estava passeando pelo overmundo quando fui atraído pelo título de seu belíssimo trabalho. A princípio pensei se tratar de outra praça, a daqui de Sampa. Quando vi a foto, reforçou-se em mim a certeza de que era esta a Praça da República daqui de nosso centro. Aí me deparei com seus maravilhosos versos e descobri que decantavas outra Praça da República, mas tantas similitudes há entre ambas (isto me diz teus olhos e palavras) que na verdade percebo que todas as praças são praças semelhantes, porém teus versos são únicos e magníficos.
Parabéns. Abração!
Nossa...
Eu também conheço a Praça da República, e brasilense com sangue paraense, cresci na cidade de Belém para onde retorno sempre que posso. Das cidades brasileiras que conheço é a que mais amo, mais que à minha própria cidade natal. Está nos meus poemas. Amo esta cidade de onde tenho as mais doces lembranças desde a infância, mesmo com a miséria que assola tanto as cidades brasileiras, a violência e tudo o mais.
Tudo isso para dizer que é MARAVILHOSO O TEU POEMA! Adorei conhecer a tua arte, pois que é a primeira vez que o leio aqui, fui atraída pelo título ;-)
Flores para você @>--
Pedro,
Sua PRAÇA em Belém leva a uma séria reflexão da realidade.
Desejo-lhe muito sucesso em sua edição no OVERMUNDO
Sílvia Araújo Motta
http://www.overmundo.com.br/banco/soneto-nuvem-caida
Fiz uma TROVA pra VC:
A Pracinha abandonada
na República é lição:
já não é mais respeitada
na história desta Nação.
Parabéns, gostei muito, veja se: merece a sua votaçao.
abraços
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