Ao passar pelas emendas dos trilhos, o toque-toque (desculpem-me a onomatopeia) ocasionado pelas rodas de aço da composição, provocava uma certa modorrencia.
Através das janelas embaçadas pela poeira e pelo tempo, eu acompanhava os fios de um telegrafo obsoleto, desativado.
Enroscados aos fios, as vezes passavam esqueletos de pipas, com suas rabiolas flamulantes, indicando estarmos em território urbano.
Sombras de garotos, jogavam bola em campinhos de terra pisada (de traves assimétricas de bambu ou qualquer ripa), as vezes próximos, outras distantes.
A tarde fugia ao horizonte...entre raios de sol avermelhados e folhas verdes estáticas pela ausência de vento.
Hora ou outra, aparecia as águas de um arroio bucólico, ciliado por taiobas e coeranas.
Desviei meu olhar para o lado esquerdo do banco onde sentara, um homem de cabelos brancos absorvia um jornal sanguinolento, com seu óculos de lentes grossas e o rosto impassÃvel.
Virei-me novamente para a janela, fixei-me em meu destino, em breve o grande trem chegaria onde iria desembarcar, tinha duvidas quanto ao meu futuro.
Distante, onde a linha celeste e as colinas se encontram, o sol deixava nas nuvens seus últimos reflexos avermelhados.
Após um solavanco percebi que estávamos parando, já se avistava o prédio antigo cor de palha.
Uns quinhentos metros adiante entramos na pequena estação.
Quando parados, dirigi-me ao bagageiro sobre os acentos e peguei minha pequena mala surrada pelas adversidades, descendo assim, a escada de três degraus que me levaria ao solo.
Em pé, no patamar de tijolos e cimento rustico, minha atenção foi desviada para uma enferrujada placa de metal, pendurada na viga do telhado por duas correntes de ferro antigas.
Na placa, lia-se o nome da estação, abaixo do nome estava marcada a latitude e a altitude referente ao local onde nos encontrávamos.
Sentindo-me minusculo, em pé, na minuscula estação ferroviária do interior.
Só, muito só.
Pode o ser humano sentir-se só, em meio às multidões ?
Muito grato por sua visita e comentários digna poetisa.
Vilorblue · Colombo, PR 29/5/2011 10:29Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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