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Retrato I

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1
Carlos Mota · Goiânia, GO
31/10/2008 · 109 · 25
 

Retrato I

... um beijo, outro, mais um, um abraço longo e outro beijo, no moleque de colo.
Os outros chamam: em comum a boroca, o sotaque, o destino sem destino. Um aceno de mão, um adeus (nem mulher, nem mãe, nem nada...)

Daí o pulo-do-gato: o outro, o não ensinado. - E a cama de girau me fez um bem! e a carne pouca com arroz, e a messalina, impagáveis –

Não são dias nem noites: o tudo é barro das fornalhas, carvão, orgulho, fuligem, breu, cansaço. E o tempo, tempo, tempo que não carece de espera.

Lá se foram os pés,(descalços dos sapatos) e os mastins e as armas e o imenso do não conhecido : breve fuga. O laço.
- meus réis!?
- o trem, a bóia, a cama, a messalina?! os panos, a rapadura? Impagáveis.
- meu nome, o sonho, o trato?
Silêncio. O tiro, a bala, o corpo, o baque...
............................................................................................................................................. -------------mãiê, cadê meu pai ?
-------------seu pai é aquele retrato na parede...

Sobre a obra

aos sem rosto e sem nome, UM GRITO...

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Autoria
Carlos Mota (Uruaçu Nascimento)
Goiânia Go
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Marcos Pontes
 

Forte poema que dá a falsa imagem inicial de lirismo e desdobra-se na vida de tantos meninos sem pais nesse país. Uma dor nacional que não é vista por aqueles que ficam de frente para o mar e de costas pro Brasil.

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 29/10/2008 11:30
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Carlos Mota
 

e tantos pais que se perdem em busca de um sonho, longe de seus meninos e de sua própria identidade
obrigado mano Marcos Pontes, pelo pontapé inicial
abraço,

Carlos Mota · Goiânia, GO 29/10/2008 11:35
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Coluna do Domingos
 

Uma dor, uma lágrima, a chama retorna a terra e feliz fica ao ver aquela forte figura cadavérica á retirar o seu sustento num corpo disforme der uma existência ingrata sempre a buscar na miséria dos porões da carência humana o bafejo para uma vida que não tem consolo, não uma lógica confirmada, mas um estado real e da alma onde falta tudo, inclusive um paÍ. A miséia plena tem um preço um preço a sunornar a consciência dos omissos mas uma dor a vibrar na tecelagem social e tomar posse do tempo na corrente negra do fracasso da inoérância e na falta de tudo.

Coluna do Domingos · Aurora, CE 29/10/2008 12:07
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Doroni Hilgenberg
 

Carlos,
teu poema é cru, forte e triste demais.
Ele nos machuca e nos faz sentir culpados perante o que temos, muito embora o trabalho tenha sido constante em nossas vidas também.
Seu texto nos remete as masmorras, à escravidão,
às minas de carvão e aos jagunços que tratam os seres humanos como animais.
E esse teu Retrato I com esse sinal na frente parece significar algo
que a sociedade não quer enxergar. Mas talvez nem seja a sociedade, mas sim um sistema de governo cruel e excludente.
Estou chocada com esse texto
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 29/10/2008 16:11
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MonyBlu
 

nossa, a gente vai lendo tão "poeticamente", e de repente, a verdade, nua e crua.
Muito bom!
beijocas, volto prá votar.

MonyBlu · São Paulo, SP 29/10/2008 17:54
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ayruman
 

Oi. Poema doloroso. Amargo como o fel. Agressivo que nem semente nua de Pequi!
Difícil de degustar porque desce na garganta rasgando que nem espinho de peixe... Triste realidade de nosso contexto social onde somente uma minoria goza de tantos privilégios em detrimento das classes menos favorecidas que vivem de migalhas.
Brasil. Cadê seus miseráveis Filhos. Cadê seu Povo que só é lembrado nos asquerosos tempos das Eleições Poliqueiras!
Muito oportuno seu Poema amigo Poeta. Saúde e Paz. Sempre jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 29/10/2008 18:06
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EdimoGinot
 

Belo retrato.
Será que ele fala por sí??

Um abraço

EdimoGinot · Curitiba, PR 29/10/2008 18:14
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graça grauna
 

...um retrato de saudade na parede, ai como doi! Bom demais, meu querido Carlos. Bjos,Grauninha

graça grauna · Recife, PE 30/10/2008 00:27
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raphaelreys
 

Carlos! Morei no Maranhão, Piauí,k Pernanbuco! Essa cena dolorida é uma constante nos interiorres. Vidas são tratadas como coisas descartáveis. Políticas suja, políticos e empresários sujos, verdaderios escravocratas. O Brasil ainda é colonial!

raphaelreys · Montes Claros, MG 30/10/2008 06:13
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Orisvaldo Tanniy
 

Carlos! Forte o seu poema, é uma realidade difícil mais essa é a verdade.Parabéns! Voltarei na votação.Abraços.

Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 30/10/2008 10:33
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Cristiano Melo
 

Nossa Carlos,
poema dolorido e olha que o final é um grito sufocado no leitor/do leitor...
Parabéns pelo trabalho
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 30/10/2008 10:57
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Raiblue
 

Carlos,meu querido.....seu poema é pura emoção...

Lírico e cru,ao mesmo tempo...uma mistura difícil,mas que voc~e conseguiu, muito bem, encontrar um trilho...que unisse tudo isso num poema maravilhoso...afinal o que é a relidade,senão essa mistura?
Realidade pura...retratos doloridos...

Parabéns,meu querido!
Beijo beijos
Blue

Raiblue · Salvador, BA 30/10/2008 12:42
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Gustavo Adonias
 

Carlos,

Versos cheios de densidade e realidade. Os sem rosto, sem nome, povoadores de rincões esquecidos (nem sempre tão longe). Os que não são donos do próprio destino, de vontades aniquiladas. O tiro que interrompe uma vida anônima, só lembrada num velho retrato pendurado, e a pergunta do filho, que nunca vai calar...

Parabéns !

Um abraço

Gustavo Adonias · Salvador, BA 30/10/2008 23:11
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graça grauna
 

abrindo a votação. Bjos.

graça grauna · Recife, PE 31/10/2008 10:58
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Marcos Pontes
 

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 31/10/2008 11:00
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EdimoGinot
 

EdimoGinot · Curitiba, PR 31/10/2008 11:04
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Doroni Hilgenberg
 

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 31/10/2008 11:32
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Compulsão Diária
 

O destino sem destino de um país órfão de si mesmo.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 31/10/2008 11:59
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Gustavo Adonias
 

Carlos,

Vo(l)tando !

Um abraço

Gustavo Adonias · Salvador, BA 31/10/2008 12:17
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Carlos ETC
 

Versos fortes, Carlos! A realidade é exalada em cada palavra... o movimento realidade-arte encontra seu movimento simétrico: a arte que vomita realidade.
Abraço
Carlos ETC
http://interludios.blogspot.com

Carlos ETC · Salvador, BA 31/10/2008 12:25
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Agassi
 

Inínio despretencioso, desenrolar intrigante e final estimulante e demonstrando a seriedade da palavra.
Muito bom!

Agassi · Caraguatatuba, SP 31/10/2008 20:44
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MonyBlu
 

votado

beijocas

MonyBlu · São Paulo, SP 1/11/2008 00:52
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Coluna do Domingos
 

Vo(l)tei

Coluna do Domingos · Aurora, CE 2/11/2008 17:55
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ayruman
 

Triste realidade de nosso contexto social onde somente uma minoria goza de tantos privilégios em detrimento das classes menos favorecidas que vivem de migalhas.
Brasil. Cadê seus miseráveis Filhos. Cadê seu Povo que só é lembrado nos asquerosos tempos das Eleições Politiqueiras!
Muito oportuno seu Poema amigo Poeta.
>>> Confirmando. Saúde e Paz. Sempre jbconrado

ayruman · Cuiabá, MT 3/11/2008 11:11
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Roberto Pelegrino
 

Belo trabalho, parabéns!

Roberto Pelegrino · Campo Grande, MS 18/2/2009 00:56
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