Retrato I
... um beijo, outro, mais um, um abraço longo e outro beijo, no moleque de colo.
Os outros chamam: em comum a boroca, o sotaque, o destino sem destino. Um aceno de mão, um adeus (nem mulher, nem mãe, nem nada...)
Daí o pulo-do-gato: o outro, o não ensinado. - E a cama de girau me fez um bem! e a carne pouca com arroz, e a messalina, impagáveis –
Não são dias nem noites: o tudo é barro das fornalhas, carvão, orgulho, fuligem, breu, cansaço. E o tempo, tempo, tempo que não carece de espera.
Lá se foram os pés,(descalços dos sapatos) e os mastins e as armas e o imenso do não conhecido : breve fuga. O laço.
- meus réis!?
- o trem, a bóia, a cama, a messalina?! os panos, a rapadura? Impagáveis.
- meu nome, o sonho, o trato?
Silêncio. O tiro, a bala, o corpo, o baque...
............................................................................................................................................. -------------mãiê, cadê meu pai ?
-------------seu pai é aquele retrato na parede...
aos sem rosto e sem nome, UM GRITO...
Forte poema que dá a falsa imagem inicial de lirismo e desdobra-se na vida de tantos meninos sem pais nesse país. Uma dor nacional que não é vista por aqueles que ficam de frente para o mar e de costas pro Brasil.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 29/10/2008 11:30
e tantos pais que se perdem em busca de um sonho, longe de seus meninos e de sua própria identidade
obrigado mano Marcos Pontes, pelo pontapé inicial
abraço,
Uma dor, uma lágrima, a chama retorna a terra e feliz fica ao ver aquela forte figura cadavérica á retirar o seu sustento num corpo disforme der uma existência ingrata sempre a buscar na miséria dos porões da carência humana o bafejo para uma vida que não tem consolo, não uma lógica confirmada, mas um estado real e da alma onde falta tudo, inclusive um paÍ. A miséia plena tem um preço um preço a sunornar a consciência dos omissos mas uma dor a vibrar na tecelagem social e tomar posse do tempo na corrente negra do fracasso da inoérância e na falta de tudo.
Coluna do Domingos · Aurora, CE 29/10/2008 12:07
Carlos,
teu poema é cru, forte e triste demais.
Ele nos machuca e nos faz sentir culpados perante o que temos, muito embora o trabalho tenha sido constante em nossas vidas também.
Seu texto nos remete as masmorras, à escravidão,
às minas de carvão e aos jagunços que tratam os seres humanos como animais.
E esse teu Retrato I com esse sinal na frente parece significar algo
que a sociedade não quer enxergar. Mas talvez nem seja a sociedade, mas sim um sistema de governo cruel e excludente.
Estou chocada com esse texto
bjs
nossa, a gente vai lendo tão "poeticamente", e de repente, a verdade, nua e crua.
Muito bom!
beijocas, volto prá votar.
Oi. Poema doloroso. Amargo como o fel. Agressivo que nem semente nua de Pequi!
Difícil de degustar porque desce na garganta rasgando que nem espinho de peixe... Triste realidade de nosso contexto social onde somente uma minoria goza de tantos privilégios em detrimento das classes menos favorecidas que vivem de migalhas.
Brasil. Cadê seus miseráveis Filhos. Cadê seu Povo que só é lembrado nos asquerosos tempos das Eleições Poliqueiras!
Muito oportuno seu Poema amigo Poeta. Saúde e Paz. Sempre jbconrado.
Belo retrato.
Será que ele fala por sí??
Um abraço
...um retrato de saudade na parede, ai como doi! Bom demais, meu querido Carlos. Bjos,Grauninha
graça grauna · Recife, PE 30/10/2008 00:27Carlos! Morei no Maranhão, Piauí,k Pernanbuco! Essa cena dolorida é uma constante nos interiorres. Vidas são tratadas como coisas descartáveis. Políticas suja, políticos e empresários sujos, verdaderios escravocratas. O Brasil ainda é colonial!
raphaelreys · Montes Claros, MG 30/10/2008 06:13Carlos! Forte o seu poema, é uma realidade difícil mais essa é a verdade.Parabéns! Voltarei na votação.Abraços.
Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 30/10/2008 10:33
Nossa Carlos,
poema dolorido e olha que o final é um grito sufocado no leitor/do leitor...
Parabéns pelo trabalho
abraços
Carlos,meu querido.....seu poema é pura emoção...
Lírico e cru,ao mesmo tempo...uma mistura difícil,mas que voc~e conseguiu, muito bem, encontrar um trilho...que unisse tudo isso num poema maravilhoso...afinal o que é a relidade,senão essa mistura?
Realidade pura...retratos doloridos...
Parabéns,meu querido!
Beijo beijos
Blue
Carlos,
Versos cheios de densidade e realidade. Os sem rosto, sem nome, povoadores de rincões esquecidos (nem sempre tão longe). Os que não são donos do próprio destino, de vontades aniquiladas. O tiro que interrompe uma vida anônima, só lembrada num velho retrato pendurado, e a pergunta do filho, que nunca vai calar...
Parabéns !
Um abraço
O destino sem destino de um país órfão de si mesmo.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 31/10/2008 11:59
Versos fortes, Carlos! A realidade é exalada em cada palavra... o movimento realidade-arte encontra seu movimento simétrico: a arte que vomita realidade.
Abraço
Carlos ETC
http://interludios.blogspot.com
Inínio despretencioso, desenrolar intrigante e final estimulante e demonstrando a seriedade da palavra.
Muito bom!
Triste realidade de nosso contexto social onde somente uma minoria goza de tantos privilégios em detrimento das classes menos favorecidas que vivem de migalhas.
Brasil. Cadê seus miseráveis Filhos. Cadê seu Povo que só é lembrado nos asquerosos tempos das Eleições Politiqueiras!
Muito oportuno seu Poema amigo Poeta.
>>> Confirmando. Saúde e Paz. Sempre jbconrado
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