REUNIÃO DE IDEAIS

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"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA
26/3/2008 · 140 · 17
 

REUNIÃO DE IDEAIS
Qualquer um que tenha participado de uma reunião de escritores há concordar que. mais do que um encontro de sonhadores e idealistas, tais eventos são um conclave -- por vezes, conchavo -- de desiludidos, de derrotados.
Vamos a tais eventos com a incômoda sensação de que aquilo "não vai dar em nada", de que é pura perda de tempo se criar mais uma associação, grupo. academia, etc. Ninguém ignora que Governo e Prefeituras só se propõem apoiar promoções de porte, atividades que envolvam as massas, como o futebol, o carnaval, forrós, folias, micaretas e no máximo um bingo ou baile oficial.

Literatura, pintura, teatro quase sempre, balé, artes plásticas e até a música (MPB) "dançam" literalmente ao sabor do menosprezo dos alcaides ou da indiferença geral.
Livros, se (e quando) são publicados, atendem apenas aos interêsses do gestor muncipal do momento ou, produzidos em Brasília, contemplam a vaidade desmedida da alcatéia "política" que a frequenta, relatando a tal atividade (?!) parlamentar de elementos -- o melhor têrmo para quase todos -- que "trabalham" menos de 80 dias por ano e recebem do povo (que os elegeu) 15 ou 16 super-salários.

O que sobra para o artista amador, para o escritor de gaveta, para o músico de fim de semana? Só desilusão, desesperança, uma perspectiva árida ou a saída inglória de usar minguados recursos próprios a fim de editar seus trabalhos, enquanto Prefeitos esbanjam verbas públicas em bobagens.
A luta de LUCINERGES COUTO em Ananindeua -- cidade vizinha a Belém do Pará -- foi para dobrar essa sina perversa de que poetas e demais autores não merecem nada... nem reconhecimento, nem apoio. Êle esbarrou na inércia da maioria, no ceticismo de alguns (eu, entre outros) e no cinismo oficial, que tanto prometeu sem jamais cumprir coisa nenhuma.

Lucinerges Couto não se deu por vencido... partiu para um município próximo e refundou lá o que fracassara aqui. Registrei num jornal de Belém, sob o título de "Uma reunião de idéias e ideais" -- in DIÁRIO DO PARÁ de 17/agosto/1989 -- um pouco do esfôrço de Lucinerges Couto a fim de que Ananindeua tivesse vida cultural, o que efetivamente não sucedeu até hoje. Sem cinemas e nem um teatro sequer a cidade de quase meio milhão de almas continua tateando no escuro.

No texto reclamo que a coluna "Espaço Aberto" era mais usada por fanáticos religiosos do que por literatos "porque nossos escritores continuam a ignorar tal espaço.
Numa terra em que se dá valor apenas a bailes, bingos e torneios de "pelada", os que amam a cultura (em todas as suas formas) e precisam dela tanto quanto de oxigênio passaram a se reunir na biblioteca da PMA (...)"Cito a seguir os nomes de 8 abnegados batalhadores da literatura presentes à reunião de 8/julho/1989, um sábado, ciceroneados pelo bibliotecário Raulino Silva, que já está para se aposentar na função.

A afluência às reuniões jamais passou de 10 ou 12 pessoas, exceto no dia da aprovação do Estatuto, do logotipo e criação efetiva da ALA-A (Assoc. de Letras e Artes de Ananindeua) cujas atividades duraram pouco tempo. No citado sábado discutiu-se a apresentação de uma carta de intenções não só para o Secretário de Cultura (do Estado, poeta J. J. Paes Loureiro, um marco para o mundo artístico da época, 1988) como também para o nosso Prefeito, além do objetivo de se ter gráfica própria para editar nossos trabalhos. RUFINO ALMEIDA aplaudiu a idéia e afirmou que o escritor só deixará de ser roubado e explorado quando realizar esse sonho.

FRANCISCO MATOS, vulgo "Baiano", declarou-se apenas "um registrador das coisas do dia-a-dia, pois escritor é aquele que cria" e FELIPE SIL convidou os presentes para assistirem peça de um ator amigo dele. Houve protestos contra o artigo "Escritor paraense: uma ficção ?" de Aristóteles Miranda (in A PROVÍNCIA DO PARÁ, 27/06/89) e ABIEZÉR SILVA declarou que "estava se lixando para as críticas pois escrevia para o povo e este jamais deixaria de lê-lo".

ERON CARVALHO comentou que "se alguém fizesse um O quadrado e o público leitor gostasse, êle faria um sucesso maior do que qualquer outro". Declarei ter conhecido pequena editora baiana, (a BLEFF ARTE, de Brotas) que não pensava em dinheiro somente, fazendo lançamento mensal com 3 livros -- um de autor popular e 2 outros de escritores iniciantes -- numa iniciativa pioneira e bem-sucedida na época.
Meu artigo encerrava com a afirmação de que... "num Mundo com cada vez menos espaço para a Arte e quase nenhum tempo para as coisas do espírito (as religiões só almejam espórtulas e dízimos, nada mais) reuniões como as nossas são, mais que válidas, imprescindíveis".

O vento levou sonhos e planos e, hoje, afastado voluntáriamente dos eventos sociais ligados à literatura, vejo surgir mais uma associação, a CASA DO POETA, com boa parte dos antigos membros das "falecidas" (*1) e alguns novos homens de boa vontade. Fica difícil se crer num apoio oficial a mais esta, quando a administração do município praticamente extinguiu a recém-criada (em 2006) SECULT, transformando-a em departamento da Ação Social, segundo uns, da SEDUC ou da SEELT segundo outros. Há, ainda, uma "sumida" FUNCAN, fundação cultural (?!) nas mãos de um chefe de quadrilha (a junina) com um passado obscuro e nenhuma (con)vivência literária.

Enquanto existiu, ano e meio se tanto, a SECULT ananin deu belos passos -- inclusive fez o cadastramento de pessoas & grupos ligados à Arte e/ou Cultura -- que não passaram de mera encenação, engôdo, ilusão cruel. Tive negados míseros R$ 160 reais para participar de coletânea poética no RS, que levaria o nome & logomarca da PMA à boa parte do país em 800 exemplares da obra. Nenhuma surpresa: o prefeito anterior (por via do seu Cerimonial) me garantira R$ 250,00 em 3/2003 para idêntico fim. Passaram-se mais de 90 dias e... nada! Apelei ao secretário de finanças, depois ao vice-prefeito e só assim, com 108 dias de atraso, a verba foi liberada. (OBS.; a cidade já era a terceira em volume de arrecadação fiscal no Estado.)

Enfim,cá estou/estamos, apesar dos pesares e das desilusões... com a coletânea (de 6 poetas apenas) A POESIA CONTEMPORÂNEA EM ANANIDEUA - A Poesia Urbana na Amazônia, que foi o sonho maior de Lucinerges Couto. Numa microedição de menos de 200 exemplares mas provando a todos que lutar é preciso, caso contrário continuaremos INVISÍVEIS aos olhos dos que nos governam.

Esta obra se constitui em fato INÉDITO na história dos municípios paraenses, embora por volta de 2002/3 o cordelista JOÃO DE CASTRO tenha editado coletânea semelhante, com autores de 4 ou 5 municipios, cooperativados como é praxe no meio.

(*1) por volta de 2001/2 o poeta J. ANESTOR fundaria a (sua) Associação Artística ANANIN, com quase 30 membros e alguma atividade cultural em seus anos iniciais.
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RASGA O PEITO E SOLTA O VERSO...

Com esse "chavão" 2 repentistas do Nordeste gravaram (nos anos 80) um dos melhores discos dessa categoria artística.
Também nós, poetas de Ananindeua, decidimos abrir o coração e lançar ao espaço nossas emoções, anseios e angústias. Sem medos, sem culpas, sem considerações exageradas pela opinião de doutos e mestres da "poemática", sem apoios nem patrocínios, por mínimos que fossem.

Com a raça dos desamparados, com a garra dos desprezados, com a coragem dos excluídos... lá vamos nós, num VÔO LIVRE sem rumo definido nem volta programada.
POESIA CONTEMPORÂNEA, sim, "rente que nem pão quente" com os fatos & coisas da Vida, POESIA URBANA feita numa Amazônia prêsa -- em têrmos literários (ou culturais, pelo menos) -- a bôtos, yaras, mapinguaris, matas e águas.

Esta obra passa ao largo dos temas folclóricos locais ou prescinde deles, voltados que estão os Autores todos para dentro de si mesmos, analisando-se antes de olharem o Mundo.
Atnágoras Lopes/"Nato" Azevedo/Emanuel Eric/Nádia Maria/Wilson Santos e a Mariazinha voam em conjunto nas asas da Poesia, fazendo História num Município por vezes tão árido para a Cultura ou, com absoluta certeza, para a Literatura.

"O Artista é a ANTENA de sua raça", receptor e transmissor vilipendiado e discriminado dos sonhos e ideais dela. Somos tocha ardente/pedra veloz/água de nascente/lava atroz... a tornar cinza e pó os horrores & terrores da Humanidade suicida.
Enquanto COLETÂNEA "A Poesia Contemporânea de Ananindeua" é obra INÉDITA em terras ananins, graças ao esforço solitário do baiano Rui Santana, através da Editora independente SEMLIVROS (end. do blog), enquanto os que podem e devem difundir Cultura (e livros) dormem em berço esplêndido.

EM TEMPO: o escritor "NATO" AZEVEDO agradece sensibilizado o repetido apoio da ESMAC - Escola Superior Madre Celeste (Cidade Nova 8) ao seu trabalho poético, inclusive na presente obra.
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"NATO" AZEVEDO
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Cintia Thome
 

Nato, até colei. Este texto é para ser degustado cada palavra. Cidade sem teatro não tem alma, acredito que praças lindas existem...meio milhão de habitantes? Triste. O texto é triste, mas verdade inteira no que diz respeito à falta de respeito com literatos, poetas...e consequentemente com as crianças deste país.Ai meu Brasil!

Cintia Thome · São Paulo, SP 24/3/2008 12:23
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Menina CÍNTIA, recebi teucartão de Páscoa (via IG) e agradeço.
Meio milhão?! Sinceramente, não sei! Vai de 350 mil segundo uns a 442 mil, conforme outros. O fato é que Ananindeua, numa terra de calor infernal desde 9 hs até as 15/16 hs, tem praças sem uma cobertura sequer, onde é impossível se sentar num banco (de cimento, quase sempre) entre 10 e 15 horas.

Praças lindas, é?! Não me faça rir... nem é para tanto! Normalmente mal cuidadas, cheias de mato ao invés de grama e sem um só brinquedo inteiro. Os adultos fazem questão de destruí-los. Como dizem aqui: TERRA BOA É O PARÁ !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 24/3/2008 16:26
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Alice Poltronieri
 

Em tempo, passei p votar.
Como é linda a sua bandeira!
bijuuusss...

Alice Poltronieri · Porto Velho, RO 24/3/2008 23:16
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Kais Ismail
 

Nato,
sei bem do que vc está falando...

Em 1991, quando criei o projeto CURTA AO MEIO-DIA, que levava gratuitamente 500 pessoas por dia ao cinema no horário do almoço, cai na real como é NEGOCIADO a nossa cultura.
Apesar de ser o projeto mais econômico e eficiente que a prefeitura de POA estava desenvolvendo na área cultural, resolveu parar com a desculpa que se passasse mais de 3 meses, teria vínculos trabalhistas comigo. Coincidentemente, logo após as eleições.
Nenhum patrocinio foi permitido pelas agências de publicidade. O motivo? Não lhes interessavam ganhar 20% de um projeto que custava apenas mil dólares mensais. Se eu elevasse o custo para cinquenta mil dólares, aí sim haveria interesse!
Alguns anos depois, o BANCO SANTANDER, sem a minha autorização, fez uso do projeto. Quando eu lhes comuniquei que o projeto era meu, em vez de negociarem comigo, simplesmente pararam. Sem ao menos se retratarem.
O mesmo fato aconteceu com a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.
Trabalhei pra cacete com este projeto, mas na hora do bem bom, sou deixado de lado, por ser honesto.
Mas não se preocupe, o nosso espaço em algum lugar já está garantido.
Abraços
Nenhuma agência de publicidade quis

Kais Ismail · Porto Alegre, RS 25/3/2008 08:51
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Kais Ismail
 

o texto termina no Abraços

Kais Ismail · Porto Alegre, RS 25/3/2008 08:53
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ALICE, querida, já rasguei minha bandeira há tempos... agora, só penso em mim mesmo, acabou esse negócio de grupo, entidade disso ou daquilo. CANSEI !

KAIS, meu camarada, também já passei por essa expectativa de ter um órgão oficial "apoiando" projeto meu. Você vai sendo cozinhado por meses, até desistir de tudo. Devem rir um bocado nas nossas costas e nós, cheios de boa fé, a crer que essa gentalha quer mesmo realizar alguma coisa de cunho cultural.

Quando foi o último festival de música bancado pela PMA? Em 1989, e só assumiu mesmo a realização da finalíssima, toda a parte inicial nos diversos bairros desse colossal Municipio foi realização DE UMA SÓ PESSOA, o cantor/locutor JUSCELINO RAMOS. De lá até hoje não aconteceu mais nada... exceto shows com artistas trazidos de Belém, em "circuito fechado" (isto é, sem divulgação quase nenhuma) para deleite deles mesmos e dos amigos dos cantores. Assim se faz "cultura" (leia-se favorecimentos) em Ananindeua. E todo prefeito que entra só faz repetir a "dose" !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 25/3/2008 21:12
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Andre Pessego
 

Nato,
Vou arquivar, ler e reler. Temos também - do lado de cá, e o Leitero sabe disto - uma infinidade de coisas difíceis do mesmo naipe, que deveriam passar pelas Leis de Incentivo à Cultura, e necas. Os recuros advindos, da quelas Leis, beiram a fonte de enriquecimento ilícito.
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 25/3/2008 21:38
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clara arruda
 

Arquivei para poder sempre voltar no texto e não me desiludir.
Eu nada sou para reclamar,um dia recebendo um convite para participar de um concurso da prefeitura do Rj,me atrevi a escrever uma sátira sobre a cidade maravilhosa(pasmem,quase fui presa)E a ditadura já tinha acabado!!!!!(ano 2000)
O concurso era para valorizar a cidade do Rio,mas como atravessamos momentos difíceis ,escrevi minha "cidade maravilhosa."
Chove chuva,chove sem parar
Alaga essa terra querida,de gente sofrida e descrente da vida.
Chove chuva de S.Sebastião,o Rio não é mais a capital do Brasil
só falta o nosso governo,trocar 20 de janeiro,por primeiro de abril.
Meus votos e parabéns pelo texto maravilhoso.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2008 05:16
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raphaelreys
 

Caro guerreiro da palavra! Como bem relatas, não promovem tempo para as coisas do espírito. As cidades ficam sem alma. Sem o alimento da arte, dos repentistas, do folclore e do culto a coisas da terra. Cada semente implantada, como a sua é de vital impoetância. Povo sem tradição e cultura é um conglomerado de insensíveis a vagar nos espaços. A reunião de artistas é importante pela implantação da maiêutica, das sementes que renderão fruto no futuro. Nota 10 pelo seu trabalho!

raphaelreys · Montes Claros, MG 26/3/2008 06:47
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Xuca Munhoz
 

Artistas... parece que são destinados a um caminho solitário...
rsrs
A solidão de certa forma até beneficia a criatividade em alguns momentos...
Esta, de juntar o povo, fazer cooperativa, reuniões, dificil!
E digo que já tentei... rsrs
Mas continuo seguindo meu caminho colorido!!
Muita sorte e luz a todos!! Pois sem a arte, este mundo seria tão sem graça!!

Xuca Munhoz · São Paulo, SP 26/3/2008 08:55
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Roberto Girard
 

Nato,
O caminho é mesmo solitário.
A cultura nada! Aos incautos tudo!
Por isso vivemos o país dos absurdos!
Abs
Beto

Roberto Girard · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2008 11:52
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Marcos Paulo Carlito
 

Nato...

Que os políticos safados, ignorantes e amaldiçoados queimem no fogo do inferno 01 mês para cada dia de nossas frustrantes vidas roubadas!!!! Por tudo o que nos foi negado dentro de nossos direitos de contribuintes desfalcados, de cidadãos enganados, de pessoas excluídas da convivência sócio-econômica por força do despotismo e da intolerância.
Que esses filhos da puta, antes de queimarem no inferno (não para a eternidade, que seria muita crueldade) possam antes da morte ter o cú rasgado até a nuca e possam provar o sabor dos próprios bagos num banquete de humilhação que os coloquem por baixo do mais lazarento cão sarnoso que já pisou o pó desta terra.
Eu cuspo (ideológicamente) na cara dessas antas com cabeça demente, desses parasitas depositados no escremento do capeta, desses milionários miseráveis de espírito que devem ter mamado numa cadela, não em mulher. Porque tivessem mamado em mulher teriam vergonha na cara e brio de homem.

Externada uma pequena parte de minha indignação, quero agora dizer-te o que penso ser uma saída para este beco sem saída que aprisiona os produtores literarios: "Cabe ao escravo lutar por sua liberdade" (Darcy Ribeiro citando quem não me lembro agora).
Mas somente um escravo de verdade pode lutar de verdade, porque um escravo é aquele fodido, sem família, sem emprego, de filhos roubados, aquele que não tem nada a perder a não ser a própria vida.
Este escravo pode, deve, sair as ruas e lutar por sí mesmo (porque não vai poder lutar por outros que não sejam iguais a ele mesmo) e produzir arte com o que tem, com carvão sobre papel de pão, com restos de tintas de construção, com palavras em cima de uma caixa de tomates, dando forma e som a esta indignação. Contando de novo que algo que não está certo, dando nome aos bois, tornando claro o que é obscuro por força da corrupção que garante uma cesta básica ou a dentadura nova.
É preciso gritar com todas as forças, falar a verdade mais profunda de nossa própria convicção, rebostear neste prato de merda que é a civilização e a máquina estatal.
Na porta da prefeitura, no discurso do político, na porta da casa dele, nas reuniões de bairros, todos os dias, inclusive agora que se aproxima a época da eleição.
Se a população vai ou não apoiar, tanto faz, a luta não é por ela, é pelos escravos, quem não tiver rabo preso vai apoiar.
Isso pode funcionar, se não para obter o que se pretende, para assegurar o direito sagrado de expressarmos nossa própria verdade.
O máximo que pode acontecer em tudo isso é ser assassinado (uma chance de evitar isso é poupar a vida particular dos safados), ser tachado como encrenqueiro, ou ser excluído do convívio social. Mas o que é tudo isso para o escravo senão a liberdade, a única possível?

Grande abraço Guaicuru!!!

Marcos Paulo Carlito · , MS 26/3/2008 13:01
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ANDRÉ, grato pela visita e pela (re)leitura... um dia essa agonia literária há de terminar e teremos todos UM LUGAR AO SOL.

Dona CLARA ARRUDA, seja benvinda... e o Rio em que nasci já não é mais de Janeiro. É só de doenças, misérias, crimes, uma falta absoluta da tal DEMOCRACIA (governo do povo!) de que tanto nos falam. Ninguém mais pode sair à rua! CREDO !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 26/3/2008 14:28
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Caro RAPHAEL REYS... de "maiêutica" eu não entendo nada, mas sei que percebeste o conteúdo maior de meu arrazoado.
Sra XUCA MUNHOZ... grato pela honrosa visita. E rens imensa razão: SEM ARTE a Vida não teria a menor graça ! Parabéns p/ visão.
ROBERTO GIRARD: absurdo mesmo é não se poder fazer nada para impedir ou tirar esses vermes (oportunistas) dos cargos que ocupam. É essa política sórdida que patrocina isso tudo !

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 27/3/2008 15:54
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CRRRUUUUZES, Carlito, quanto "veneno"... mas, palavrões à parte, só se tem mesmo vontade é de falar nesse tom. Porque dá uma enorme revolta essa nossa "impotência" em relação a tudo que se refere a Cultura.

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 27/3/2008 15:56
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Regina Lyra
 

Nato,
É preciso lutar.
Cada um faz sua parte, um dia o incêndio apaga.
A cultura é a bandeira. "Cidade sem teatro não tem alma"
Abraços e voto.
Regina

Regina Lyra · João Pessoa, PB 30/3/2008 18:38
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(Segue abaixo o texto inicialmente escrito para o blog SEMLIVROS,
de minha lavra, que o editor RUI SANTANA substituiu adiante:)

REUNIÃO DE IDÉIAS & IDEAIS

"Reunião de idéias e ideais..." assim registrava eu no Diário do Pará de meados de 1989 mais uma manhã de sábado de literatura e cultura na biblioteca de Ananindeua, (re)unindo poetas e escritores locais.
Alguns deles partiram para o infinito, outros abandonaram as lídes artísticas, outros mais desapareceram sem deixar sinais. Porém, o ideal que os acalentou renasce agora em novos corações, nesta coletânea repleta de poemas de dor e saudade, de esperanças e desilusões, de sonhos e certezas.

E sonhos são o que de melhor a Vida tem, é o que nos faz realizar, construir, buscar insistentemente.
Amazônidas na essência esses Poetas, amazônicos ou não, deixaram de lado o açaí e o tacacá, as rimas fáceis, esqueceram por instantes matas e águas para falar de suas almas, sentimentos e ... sonhos.

Pedaços vivos de Ananindeua, estão aí para cantar e encantar (com versos) o leitor desavisado que via Ananindeua apenas como cidade-dormitório da vizinha capital do Pará

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 4/4/2008 14:20
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