(R)EVOLUÇÃO
"tudo o que excita, pede liberdade... invoca revolução
-força da gravidade empurrando contra o chão.
O que sobra da vontade frente a proibição?
vontade de voar ou se enterrar
com as próprias mãos
a luta nunca é bruta,
é fuga."
Julius Cronché(filósofo amador inventado pelo autor)
O dia mais livre de minha vida foi quando, em altos brados, decidi - me libertarei, e serei o mais livre que puder ser.
Não importa o absurdo que viesse a querer(ou fazer), ninguém poderia me impedir de nada.
Nenhuma ameaça civilizatória me castraria: assim ninguém vai gostar de ti ; assim tu vais parecer ridículo ; assim vão te chamar de burro...
Nem mesmo a ameaça da morte me acovardaria, morreria se fosse preciso...mesmo que em miséria absoluta... mesmo sob tortura, - que me tirem tudo que mais amo...
Ninguém me convenceria que devo resignar-me ao mundo como ele é... eu correria todos os riscos...pularia de todos os abismos sem jamais me curvar para a covardia , para o medo.
Nunca mais esgoelaria meu coração, tremendo, calado, vivendo trancado...não trancaria nenhuma porta, ou melhor, arrancaria todas as fechaduras. Derrubaria todas as paredes do apartamento.E de uma vez por todas, sairia porta afora e porta adentro.estaria livre. livre de tudo, de todos...livre do mundo.
Enfim, eu viveria a vida! e beberia o suco extraído de todas as possibilidades...."
Naquele dia saí caminhando rápido, algariado, sabendo que chegaria onde queria sem impeditivos morais, sem amarras ou censuras de qualquer natureza...
Sorria, e tinha, em golfos, gargalhadas que pingavam de devaneios megalomaníacos.
Este ritmo frenético atiçava minha ousadia. Nele eu vislumbrava tudo o que poderia ser....jorravam pelos meus olhos acontecimentos, cenas, lances, olhares, pessoas, diálogos, e eu mais acelerava minha ida!!! Foi agudamente saboroso, como um musse de limão saúva...
de súbito caí...E senti que havia navegado por uma turbulenta tempestade - tempestade de desejo. Tinha tocado o núcleo caótico de uma natureza viva, vibrado em ruído branco, como quem se embola nas curvas que enroscam as ondas na água...
E mesmo assim, não saíra do lugar... tudo em volta estava estático. Enquanto eu flanava em uma dança lunar... andava em circulos, andava parado. Andava em mim.
e na tentativa ingênua de segurar a onda morna de pavor que começou a escalar meu corpo, comecei a escrever este texto...e espero deseperadamente assentar meus sentidos, e sair deste estado de acometimento geral...
"Saber o que quer é, praticamente, querer.
Pedro Paulo
(poeta & pedreiro construído pelo autor)
texto original
www.saladedevaneio.blogspot.com
prosa-poema, brincando com a prosa e suas perspectivas poéticas. Citações imaginárias, resquícios da escrita científica.
Prazer, Felipe!!!
Perfeita sua prosapoema!!!Só essa evolução revoluciona a alma...ou só uma revolução pra fazer a alma evoluir?
Mas como diz o Zeca Baleiro-"calma , alma minha..."-...rs
essa é uma revolução silenciosa...ser livre é quase um segredo...
Gostei muitoooo!
Bluebeijokas
Blue
Felipe
Reflexivo texto
por mais que queiramos ser livres, um pouco de nós sempre esta preso as convenções, quer seja por comodismo ou as exigencias que a propia vida nos impõe.
Qualquer ação precisa ser conjunta, porque sozinhos não passamos de teoria e a pratica é outra história.
Então, o recurso é sonhar...mesmo que o acordar seja doloroso. Mas escrever sempre será uma válvula de escape para a alma, o coração e a mente.
bjs
vo(l)tando
manda o link para os overmanos lerem seu ótimo poema.
bjs
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