A lama do rio Paraíba do Sul já não habita meus pés.
Difícil é fazê-la sair do sangue.
Tal qual a Itabira na parede de um outro Carlos
- e somos muitos, os Carlos - essa lama ressecada,
de cheiro maduro, produzida por águas tão prolixas,
constitui mais da metade daquilo que penso que sou.
Há uma única verdade nas águas deste rio: a verdade
de sempre correrendo.
Vai nele o mistério do tudo esclarecido.
Não tenho as vozes de Rosa para cantar este que também é o meu rio de amor, este meu Urucuia menor,para dar figura às suas casas de taioba e
pau-a-pique, para recriar moreno lustroso da pele de seus calados moradores.
Sou filho bastardo destas águas, mas este rio mesmo
já nasce bastardo de outras tantas águas que não se
sabem precisar, e vai ele fazer foz num mar estranho,
vai ele tingir a pele e o riso de uma outra gente, diversa, que não
sabe soletrar a palavra sinestesia, mas sente o cheiro
morno de suas cores carnais e saborosas com uma sensibilidade
que não cabe à incompetênicia das minhas palavras trazer
à luz.
Não costumo revisar minha gramática e minha sintaxe quando
escrevo. Nada que sirva como justificativa ou explicação
para qualquer erro ou disparate cometido: esta é uma lição
que olhar rios nos oferece e que guardo para minha.
O rio Paraíba do Sul, hoje, é apenas uma imagem
na tela deste computador... mas como dói.
Da lama ao caos.
Muito bom - você parece mais tranquilo. um grande abraço!
Paulo Tabatinga (Pi) · Teresina, PI 21/1/2011 21:34Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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