Ítalo conheceu Laura, que já o conhecia antes que ele mesmo soubesse. É que Ítalo tinha olhos azuis. Isso chama muito a atenção das pessoas. Ao conhecer Laura, o rapaz, de imediato ficou deslumbrado: ela era dócil, meiga, falava pausadamente, exalava uma fragrância sem cheiro (isso é genial), era inteligente e..., tinha uma bunda volumosa. Isso chama muito a atenção das pessoas.
Na fluidez do diálogo, havia paridade entre os propósitos, eles se entendiam muito bem; perfeito encaixe de idéias. Apenas algumas discordâncias diminutas passavam opacas naquela enxurrada de aceitações e “coincidências”. Ela... tinha a bunda volumosa. Ele... os olhos azuis.
Combinaram, passearam, jantaram e, como quem baila solitários numa ilha, transaram sobre as areias dum arquipélago de edifícios e prédios banhados pelas águas dum oceano azul lunar. A noite era deles e nunca havia sido tão curta e insuficiente.
Agora, duas semanas já somam em suas vidas: jantam, passeiam, sorriem, e dentro deles um sentimento mútuo já começa a aparecer. Eles se olham, se sentem, se beijam loucamente e de maneira inquestionável viram ROMA ao avesso. Não há Império algum entre eles, somente o AMOR. E que ninguém se atreva a questionar essa química ebulida em seus hormônios. Ela... tem a bunda volumosa. Ele... os olhos azuis.
A loucura abismática que os consome, apoderou-se de tudo que podia se chamar de lucidez. E envolvidos pelo cheiro e pelo gosto, mandaram às favas tudo o que não se chamava de agora. Logo, percebeu-se na protuberância abdominal de Laura, que chegava então um estranho irresponsavelmente preparado. Não! ROMA não foi queimada, foi tão somente posta ao avesso. E isso era algo perfeitamente crível pelos dois. Contudo, ela... tinha dezoito anos. Ele... trinta e seis.
Ela, uma estudante. Ele, um vendedor.
Preocupações, protestos, exclamações, interrogações, imposições e, pronto! Eles se casaram. Mais que isso; ouviram o padre dizer: “O que Deus uniu, o homem jamais separe”!
Foram viver juntos e em pouco tempo perceberam que faltava algo que amenizasse as diferenças anteriormente ocultadas entre os dois. E entre divergências, intolerâncias e conflitos, surge, no coliseu da rotina, a quase certeza de que o AMOR estava agora ao avesso. Ainda assim, quando havia tempo, encontravam sempre o motivo para a união sedenta dos corpos.
Ele... a bunda volumosa.
Ela... os olhos azuis.
“O amor é apenas uma armadilha da natureza para garantir a perpetuação da espécie”. (Arthur Schopenhauer)
Jairo Cerqueira
Eu às vezes penso que o filósofo Schopenhauer, é exageradamente realista; isso é passar dos limites. Mas há casos em que ele, o "pessimista", foi contemplado pelo limite.
Jairo, nada a ver !
quando a gente ama, como disse com muita propriedade, aliás, o Joe Brazuca outro dia desses, acho que num texto do R. Marcchi, que quando o homem ama, até ver a mulher cagando lhe deixa "animado" !
Olhos fcam míopes, bundas flácidas e o amor continua pelaí, bicho !
Enquanto estiver rolando amor por duas criaturas,
fodam-se as estruturas !
um beijo !
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Adorei, velho Alca. É por aí.
Mas no caso específico do texto em questão, a coisa foi meio diferente, né?
Vale ressaltar que é um conto, seu bruxo, não é um artigo de opinião.
Um beijo!
Valeu, irmão!!
Jairo
Excelente...é a quimica da atração fatal
Na vida real o amor para dar certo, vai muito além dessa atração por um "olho azul" e uma "bunda que abunda" .
Mas enquanto o desejo " ainda" perdura, "que seja eterno enquanto dure"
bjs
Poeta!!!
Quando ama, AMA... Es a frase: O que vale é a alma. O resto é a vida.
Beijinhoss
Doroni e Ilia: Muito bom. Obrigado pelos comentários que recheiam esse texto experimental e incompleto. Repleto de carências desses maravilhosos comentários.
Bjssssss
Oi meu querido, pra dizer a verdade achei o seu texto divertido, não sei porque mas ri muito enquanto lia.. achei engraçado esse negócio da bunda volumosa e dos olhos azuis.. rsrs
Mas tirando a sacanagem de lado, eu acho que no fundo nós acabamos sim nos atendo mesmo que inicialmente a certas características, fisicas ou não para escolha de um parceiro (a), o que vc acha?
bjs milll
Atchimmmmmmmmmmmmmmmmmm
Não creio que exista nenhum tipo de sentimento que não principie pela admiração. Por onde começar a admirar, é facultativo/ou não, né? rsrsrsr
Saber que vc achou divertido tb foi uma conquista minha. Eu tb me divirto quando percebo que, em determinados casos, a realidade, por nos perceber distraídos, se apresenta para nós travestida de comédia. Mas, em hipótese alguma isso deve ser considerado uma regra.
Bjssss
Atchimmmmmmmmmmm
não tenha dúvida disso...
a mais extraordinária, inequívoca e pura QUÍMICA !...
molto buono, caríssimo amico !...da vero !
abracci
Ciao, maestro. Io te ringrazzio!
La vita é cosí, pazza!
Meu amigo jairo de Salinas: ar-re-ta-do!!!!! Menino, que beleza! Gostei até do trocadalho....epa!....no início ela e a bunda volumosa e ele com olhos azuis. Depois, bem depois....rs...rs....ele com bunda volumosa e ela com olhos azuis....É isso mesmo que acontece com esse mal danado cahamdoamor. No final, ou pelas tantas da convivência os pares se parecem Gostei mesmo do seu conto; dos nomes dos personagens - Italo (sujeito de outro mundo, lá da Italia?) e Laura (uma criatura do lar?)....rs....rs....Parabens, bjos, Grauninha
graça grauna · Recife, PE 27/2/2010 09:57
Gostei, muito bem construído e com um enredo atual e moderno.
O amor, quando a quimica funciona, a empatia faz parte do dia a dia, é algo maravilhoso e eterno, pois que, os amantes só enxergam o ser amado, a outra metade. Claro que haverá desencontros, dualidades e outras coisitas, mas nada que o desfaça, já que isso faz parte do grande cotidiano de um casal que se ama.
Parece magica, mas na realidade, o amor eterno nos envolve e com o tempo passando chegamos fácil a 30, 40 50 ou mais anos de casado. O milagre: sempre tentar fazer o outro feliz.
Ítalo, sim. Laura...hummmm, acho que foi um ato falho. Eu tenho uma filha que chama-se Lara, e não tem a bunda tão volumosa assim. rsrsrs
Perfeita visão, Grauninha. Esse é um conto sem nenhum cunho - intencional - escandalizador, mas em certos casos, a vida realmente é diferente, quer dizer... ao vivo é muiito pior.
Um brinde àqueles que se enquadram às avessas dessa estória. Tim, Tim!!!
Um bjão, patrimônio literário do Overmundo.
Obrigado pela visita, mestre Kfarias.
Te desejo um ótimo final de semana.
Salve,meu irmão Jairo,como sabemos que o amor nos leva aos quatro cantos do mundo,à primeira vista Rora só faz bem a todos nós.Ah,é bom que a natureza continue construindo as suas armadilhas em Roma.Abraço.Belo texto.
Cezar Ubaldo · Feira de Santana, BA 27/2/2010 16:10
de motivos aparentemente inúteis para o amor acontecer surgiu (será que por acaso) a atração que os levou a estar juntos...
saber é como isso vai se sustentar mas vou torcer por eles....
Com ou sem Abundância, a Vida é uma belezura de se viver amigo Jairo.
Bom estar aqui. Só cismando...
Cezar, Gookz e Ayruman: o texto agradece o complemento, mas ainda continua incompleto. Ou, talvez seja sempre. Eu acredito nisso.
Jairo de Salinas · Salinas da Margarida, BA 28/2/2010 20:37Alcanu! O comentário do Joe foi no meu poema: "Louca Paixão"
Greta Marcon · Ponte Nova, MG 1/3/2010 03:26
Jairo! Bunda grande e olhos azuis? Dessa armadilha é dificil de escapar... Amor à primeira vista existe sim e são violentos! Mas é como uma imensa fogueira; depois o fogo vai diminuindo e precisa ser alimentado para não apagar. É assim que funciona na real; a paixão dando lugar a um sentimento mais sereno e responsavel: um amor
a tres... Che poesia più bella!!!
Baci!
é o tema mais batido do mundo, aqui no over então...
mas ok, amor,amor,amor e amor.
perpetuemos a espécie...
adiante!
KKKKKKKKKKK vc está equivocado, Roberto. Será mesmo que estamos falando de amor? KKKKKKKKK
Mas, tudo bem.
Um abraço ROMANO! rsrsrsr
É um conto, e que belo conto!Votado. Abraço amigo!
Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 2/3/2010 10:05Orisvaldo, obrigado meu amigo.
Jairo de Salinas · Salinas da Margarida, BA 2/3/2010 15:45
Só se vê bem com o Coração, o essencial é invisível aos Olhos. (Antoine de Saint-Exupéry).
Vo ( l ) tando...
Com certeza Ayruman, é o devir!
Jairo de Salinas · Salinas da Margarida, BA 2/3/2010 23:17
Excelente!
Humor inteligente tem sempre a medida certa.
Abraço fraternal,
Herculano
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