Salvador Miranda
Em algum momento da vida não há homem que não tenha visto a morte de perto e sentido medo por isso. Na guerra ela é a própria sombra do guerreiro, tão próxima dele está. Mas na guerra não há medo pois todos a encaram como uma conseqüência natural desse distúrbio. Por conta dessa situação, os homens excitam-se, desafiam perigos, correm riscos e os heróis são tão numerosos quanto os homens comuns.
Salvador Miranda foi um herói. Era um homem comum, melhor dizendo, um general comum, fadado ao esquecimento da história não tivesse a guerra rompido o fio de sua trajetória medíocre.
Em l816, Salvador Miranda chefiava um destacamento do exército imperial na problemática divisa do Brasil com a Banda Oriental. Até aquele tempo sua vida era igual à de dezenas de outros generais: marchava para a reserva sem conhecer o calor de uma batalha.
A proclamação da República Argentina apressou o fim dessa rotina.
Guerrilheiros lutavam contra o domínio espanhol pela independência da Banda Oriental. E tinham nessa empreitada o apoio da recém-criada República Argentina. Era óbvio o interesse portenho na anexação dos orientais. Por sua vez, Dom João VI, louco para intervir na disputa e anexar a Banda Oriental ao Brasil, usou as incursões de guerrilheiros orientais em terras gaúchas como pretexto para a invasão.
Adestrou um forte exército de cinco mil homens e entregou-o ao comando do general Carlos Frederico Lecor. Este, por sua vez, designou comandante de seu estado-maior o general Salvador Miranda. Não esperava dele uma atuação destacada, apenas pretendia cumprir a burocracia militar. Mas se surpreendeu com a bravura e a revelação do senso tático de Salvador Miranda.
Em 1817, graças às habilidades de Salvador Miranda, Lecor bateu os argentinos e o Brasil pôde anexar em 1821 a Banda Oriental com o nome de província Cisplatina.
Nesse ponto encerramos a história das lutas gaúchas; é hora de narrar o fugaz momento que tornou Salvador Miranda um herói.
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Leandro,
Seu conto merece aplausos...
Muito bom!
Abçs.
Belíssimo conto-histórico, JJ.
O Brsil necessita de suas memórias...
E nós agradecemos.
Grande abraço!
Mais um texto precioso para enriquecer o OVERMUNDO.
Parabéns!
abrçs.
Conto primoroso.Entremeando a história. Bom mesmo. abçs.
Cintia Thome · São Paulo, SP 18/11/2007 23:08
Olá amigos. O conto tem história e ficção juntas. Excetuando a figura de Salvador Miranda, até quando digo "Nesse ponto encerramos a história das lutas gaúchas; é hora de narrar o fugaz momento que tornou Salvador Miranda um herói." tudo é verdade, está nos livros de história. Mas Salvador Miranda nunca existiu é um devaneio meu. Ele nunca foi chefe do estado-maior do general Carlos Frederico lecor, esse de fato uma personagem histórica. Mas se não existiu, muitos outros como ele existiram. E por isso, ele foi a representação desses heróis do acaso.
abcs
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