¡Ay, qué larga es esta vida!
¡Qué duros estos destierros,
esta cárcel, estos hierros
en que el alma está metida!
Sólo esperar la salida
me causa dolor tan fiero,
que muero porque no muero.
“Vivo sin vivir en mÃâ€. (Santa Tereza D’Ãvila)
É o planger desse som e o breviário,
odor de incenso percorrendo o ar:
joelhos macerados no calvário
e a visão dos mistérios no olhar.
Que segredo se esconde entre essas linhas?
Falo? Quem ouve? Para quem falar?
Ó Deus, se escutais, por que tão longe?
Por que estais ocluso nesse altar?
Procuro Vossa face na cidade,
Vossa voz nesse canto (ouço cantores),
mas outros, que não eu, têm santidade,
isentos de pecados – e eu, Senhor?
E nós? De que matéria somos feitos,
nosso corpo é errado, esse errador?
O que fazer do corpo, então, Senhor,
tão dúbio na vertigem e desespero?
Mas os santos, tão puros, que segredos?
Pureza é que convive com Amor –
então, Senhor, um corpo para quê,
casa de tanto erro e tanta dor?
O amor, rito de vestes e metais,
entrevisto ao sopé desses altares,
na bela e poderosa liturgia,
nos proÃbe do Santo e nos exila!
Nosso espÃrito se abre à voz dos monges,
e nós, neste desterro, neste adro.
O canto que sabemos vem do corpo,
mas, esta alma de carne e dor e sangue?
E tangem os sinos e sinos só tangem,
e ver, então, que nada nos desdoura,
pois tudo é Cristo em corpo, amen, amen,
é o Corpo de Jesus em nosso corpo.
Anima Christi, sanctifica me.
Corpus Christi, salva me.
Sanguis Christi, inebria me.
Aqua lateris Christi, lava me.
Passio Christi, conforta me
...que estamos a naufragar,
que soçobra nossa nave
nas profundezas do mar!
Todos silentes, todos tão ordeiros,
dentro das igrejas, e esta capela
e esta roupagem então? É esta, a que tenho,
joelhos tenros postados no lenho,
expiar. Mas o quê? Que mal fizemos?
Nascemos já marcados para o nada:
nada sabemos, nada consentimos –
ébrios de Deus, mas prestes a pecar.
Sangue de Cristo, vinde e revertei-nos
a Vós. Sem Vossa mão, não há salvar-se
do pecado insensato – não saber
das dores da Paixão de Vosso amar.
Sanctus, Sanctus, Sanctus,
Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt caeli et terra gloria tua.
Hosanna in excelsis.
Benedictus qui venit in nomine Domini.
Hosanna in excelsis.
Poema do livro Poemas MÃsticos. Cada um dos poemas invoca um dos Doutores, mÃsticos ou mártires da história do Catolicismo,
O que dizer dos teus trabalhos hein moça? Como não sou digno de fazer aqui meu simples comentário, deixo meu olhar atento diante de tão belo trabalho. Beijos.
delen · Cotia, SP 22/4/2009 16:12
Procuro Vossa face na cidade
Sua visão e poemas são lindos. Paz ! Saúdo o teu Deus.
Parabéns!Bjs
um dia estarei escrevendo como você... muito bom.
Nelson Mota · Boa Vista, RR 22/4/2009 22:46
Lendo SANCTUS eu me vi num mosteiro, cercado de breviários, incensos, mártires, orações, suplÃcios e visões do calvário. E vi esses santos, feitos de barro e do Sopro Divino, se contorcendo entre a fé e a dúvida. Entre a santidade e o pecado. E a poeta indaga, e eu com ela:
“O que fazer do corpo, então, Senhor?†Me cura!
Corpo que só respira o desejo,
Nesta alma que se quer santa e pura.
Busco o céu e só o pecado almejo!
E EXCLAMA, DOLOROSA, A POETA SANTA:
“expiar. Mas o quê? Que mal fizemos?
Nascemos já marcados para o nada:
nada sabemos, nada consentimos –
ébrios de Deus, mas prestes a pecar.â€
QUE VERSOS! QUE ORAÇÃO mais sofrida e de tanto desamparo. Era assim que sentia Tereza! E mais uma vez eu digo: Eu nem devia, apressado e de pouco entendimento, profanar com meu comentário este poema-lamento. Poema que merece profunda reflexão. Porém, me pergunto: Que ânsia atormentava Tereza de Ãvila? Que ânsia ou dúvida atormenta a poeta? É o sempiterno combate dos santos? Santidade x Desejo. Alma x Corpo?
E me vieram à lembrança uns versos do inigualável Cruz e Sousa em ANTÃFONA:
“Incensos dos turÃbulos das aras... [...]
De Virgens e de Santas vaporosas... [...]
E dolências de lÃrios e de rosas ...
Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes ...
Forças originais, essência, graça
De carnes de mulher, delicadezas...
Todo esse eflúvio que por ondas passa
Do Éter nas róseas e áureas correntezas...
Onivaldo, você pergunta:
Que ânsia atormentava Tereza de Ãvila? Que ânsia ou dúvida atormenta a poeta?
Creio que é mesmo a nossa dualidade: corpo e alma e o embate dessas realidades dÃspares na busca do absoluto...
Seus comentários, inclusive ao trazer nosso grande Cruz e Souza, são extraordinariamente estimulantes. Muito obrigada mesmo! Grande abraço.
Delen, que encanto ler seus carinhosos comentários, menino poeta! Um beijo.
Claudinha, adoro o modo como você se aproxima da poesia. Você É poesia. Beijo.
Nelson, seu comentário é fruto de sua modéstia e generosidde. Beijo e abraço.
Brida · Salvador (BA) ·
SANCTUS
Ficou uma obra bacana e rica poorque uniu o Trabalho da Santa e o da nossa Poeta Brida.
Uma Questão importantÃssima da vida.
Todos contribuiram com comentários que valorizaram o Belo trabalho onde eu destaco a Experiência e os Conhecimentos do nosso Mestre Onivaldo Paiva · Uberlândia (MG), para a gente a partir disso se aprofundar porque é uma Santa muito querida e porque a partir do interesse oe,lu tema mais aumente nossa Humanidade e eelvação.
Fez lembrar a tormenta que sentiu o Jovem rico que pediu para seguir a jesus e o Mestre lhe falou para vender suas propriedades e doar o dinheiro para ser utilizado em comum pata atender aos pobres.O Jovem ficou sem saber como abdicar as sua propriedades e viver uma vida igualitária para não ter tormentas na vida.
Um Abração Amigo e uma saudção a todos que participarem deste Tema tão rico.
Bah, ficou tri legal guria! Voltaremos...
andré diefenbach · Santa Maria, RS 24/4/2009 00:45
É a eterna busca do Homem por respostas...
Extraordinário o seu texto!
Abçs.
Brida
Mas que poema menina...
Nosso unico mal ( do poeta) é amar demais.
e por isso sofremos e choramos
expindo todos os pecados que por venturar tivermos.
bjs
vejo em teus escritos sinais de maturidade poética. Bjos.
graça grauna · Recife, PE 24/4/2009 11:29
Booommm Diaaa menina Brida!
Receba meu voto... De_Voto!
E continue a resgatar os poemas
sacros que nos remetam ao
"introibo ad altare Dei /
ad Deum qui laetificat iuventutem meam"
karinhos kentinhos,
ZecaFeliz
gaDs!
Sábios, monges, santos pecadores como nós.
votado
Bjs
PUBLICADO!
Hummm que legal votar no voto da Publicação!
Como moro em Condominio, agora passará a ser:
"ConDominus Vobiscum" !
beijosss
GaMitto
CarÃssima Brida,
Sou entusiasmado com o que malina no sagrado.
Meus parabéns.
Arimatéia.
BelÃssimo e emocionante reflexão d'alma e vida! Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2009 17:38
Brida, sem dúvida é uma obra bastante diferente do que se costuma ler. Usou muito bem as teses que tinha em mãos. Parabéns.
Ivette G M
Uma bela profissão de fé e poesia.
Votado.
Belo texto! Deu pra sentir que tua alma pairava sobre cada palavra que escrevias como de fato bebesseis do cálice sagrado do momento mágico dos idos tempos da cristandade. Parabéns!!!
Ronaldo C. Fernandes · Brumado, BA 30/4/2009 20:30
Oração d'alma em pecado dos que dizem pecar...
bjs
Menina Brida,
Sensacional!! Muito bom!! Votado, claro.
Abraços,
R. Marcchi
sinto falta dessa alma inquietante.
lindo demais. eu havia votado....sei q sim
mas nao comentado ? por Cristo, perdoa-me.
divino.
bjsssss
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