Entre as letras
e o pão que fermenta
minha mente fervilha
cá estou eu, louca
farejando meus pares
caçando minha matilha
O pão, deitado na mesa
jaz como o corpo de Cristo
à espera de ser ao forno levado
depois do seu longo martírio,
Ele, nos homens, não acredita
As letras, já eu, disse,
são como mulheres vadias
oferencem-se por um rabisco,
quem dá mais? Por um sorriso?
Entregam-se com volúpia
aos dedos abençoados ou proscritos...
Santa escrita,
Santo pão
Santos, são...
Mal ditos, malditos
Sanscritos
em mãos
Ambos
Em coitos
saciam homens
nem sempre com fome...
O vômito inevitável
vem rasgando a garganta
a massa do pão disforme
os versos de letras tortas
Estrebucham-se no chão
Aflitos
Em um aborto...
Em gritos
Celebram, a morte...
O fermento do poema, as letras e as palavras ofertadas aqui são santa escrita, santo pão...sagrada é sua poesia, Lola!
Boa demais! Demais. Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 29/10/2008 04:42
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Que poesia faminta! Planícia · São Paulo (SP) · 29/10/2008 05:23
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Necessidades básicas: pão, letras e convívio. Amplo poema numa escrita primorosa. Gostei muito. Marcos Pontes · Eunápolis (BA) · 29/10/2008 12:43
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As letras, já eu, disse,
são como mulheres vadias
oferencem-se por um rabisco,
quem dá mais? Por um sorriso?
Entregam-se com volúpia
aos dedos abençoados ou proscritos...
O que se pode dizer mais deste poema e que não foi dito? Hideraldo Montenegro · Recife (PE) · 29/10/2008 13:35
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"Santa escrita
santo pão"
e santa poetisa (quer dizer, nem tão santa assim rs) que compôs esse poema dilacerante e trouxe à luz os gritos, ou melhor dizendo, os prantos poéticos de sua bela alma.
Parabéns, poetisa. beijo. Gabriel Desaix · São Paulo (SP) · 29/10/2008 16:26
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O vômito inevitável
vem rasgando a garganta
a massa do pão disforme
os versos de letras tortas
Estrebucham-se no chão
Aflitos
Em um aborto...
Em gritos
Naum nego a blz... mas afirmo os gritos tbém celebram vida... viajemos ao passado..................qdo vc nasceu um grito te acompanhou.. vc gritou: Estou viva! Alí girl, vc celebrava a vida.
Bela, doce, rascante, ávida e abortada.. a morte pede passagem em meio ao apelo. Quero vida!
Acho que seus poemas srmpre pedem vida... vc apela com intensidade procurando ser ouvida..
cheire-me Thiers · Niterói (RJ) · 30/10/2008 00:39
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Sagrado pão,estou acrescentado a ele 8 gramas de fermento pra iniciar e desejando que seja bem desgustado com bastante sucesso
Beijos e parabéns Ailuj · Niterói (RJ) · 31/10/2008 02:42
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Marcos Pontes · Eunápolis (BA) · 31/10/2008 06:51
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São gritos...
Estridentes, ácidos e intestinais.
Grande poetisa. Faz da poesia o teu pão... e o vômito é mais nutritivo do que o pseudo-alimento... Que viagem! Muito bom. Turbilhão Psicodélico · Cuiabá (MT) · 31/10/2008 09:57
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As letras, já eu, disse,
são como mulheres vadias
oferencem-se por um rabisco,
quem dá mais? Por um sorriso?
Entregam-se com volúpia
aos dedos abençoados ou proscritos...
teu poema me reportou ao Cortazar, em o Jogo da amarelinha. A letrassão cadelas negras, ele diz. Parabens pelopoema. Bjos e votos graça grauna · Jaboatão dos Guararapes (PE) · 31/10/2008 10:53
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Ele, nos homens, não acredita
E não o culpo.
Poema denso, e questionador
oferencem-se por um rabisco,
quem dá mais? Por um sorriso?
Essas letras, essas palavras, tantas vezes vadias
E tantas vezes sábias.
Um abraço EdimoGinot · Curitiba (PR) · 31/10/2008 11:13
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belissimo!
votadissssssssimo! rs
beijo na alma! celina vasques · Manaus (AM) · 31/10/2008 11:23
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O que aqui você nos oferece a saciar as nossas fomes, sejam, físicas ou existenciais...
ah, essa saciedade que nunca se expira !
Um beijo ! alcanu · São Paulo (SP) · 31/10/2008 11:25
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Seus gritos merecem sucesso. Compulsão Diária · São Paulo (SP) · 31/10/2008 11:45
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Um poema que tem a força da escrita de uma mente pensante, inquieta, contestadora, instigante, provocadora...
A mim me agradou muito!
Bjs. Robert Portoquá · São Paulo (SP) · 31/10/2008 11:57
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Santa escrita,
Santo pão
Santos, são...
Mal ditos, malditos
Sanscritos
em mãos
maravilho poema, parabéns.votado. O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 31/10/2008 12:03
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Mais suave, respondo-lhe com um poema:
A MADONA E O MENINO
É ar o peito da madona
e é ar o peito do menino
dentro do vácuo-ar na mão
esculpido em azul não-líquido
embora azul de céu e mar.
Flutua o menino no peito
da mãe como flutua o pão
no peito do menino: vácuo
onde se sustém o pulmão
feito alimento, feito filho.
E da forma simples de luz
e azul é paz o que irradia.
É o sim da madona, serena
prece ao menino e sua vida
na mão sustida: o jogo e o livro.
Um beijo. José Carlos Brandão · Bauru (SP) · 31/10/2008 12:12
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Letras de poeta a descrever tragédias e manifestações da vida! Beleza que divagas minha cara. Os poetas são anjos em missão de renúncia! raphaelreys · Montes Claros (MG) · 31/10/2008 12:47
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Lena,
Nossa escrita , um grito,
é o pão que nos alimenta
e alimento para o pão
que as vezes é indigesto.
bjss Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 31/10/2008 13:07
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Lola... · Curitiba (PR)
São Gritos...
Admirável Poeta Lola, com sua expressáo poderosa mostrando esse lado imundo e essa banda podre que serve para tornar o mundo ruin e a vida ser triste.
Temos de com o poder da poesia lutar e denunciar essa desconstrucáo da felicidade até que o mundo se liberte e seja melhor para todos.
Parabéns acertou na mosca deste alvo da nossa revolta.
Uma Poesia profética.
Um Trabalho admirável.
Abracáo Amigo azuirfilho · Campinas (SP) · 31/10/2008 13:22
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LOLITA,
As letras,já eu disse,são como mulheres vadias
Oferecem-se por um rabisco,quem dá mais?
por um sorriso?
Entregam-se com volúpia aos dedos
abençoados ou proscritos...
LOLA,LINDO MTO LINDO!
Dopo di amare,e amare...
...Ancora
Mi fa addormentare!
BACI,BAMBINA! JACINTA MORAIS · Cascavel (PR) · 31/10/2008 17:36
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votado, querida. Hideraldo Montenegro · Recife (PE) · 31/10/2008 20:23
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Beijo os seus gritos....
Gabriel Desaix · São Paulo (SP) · 31/10/2008 20:37
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votei Coluna do Domingos · Aurora (CE) · 31/10/2008 21:17
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farejando meus pares
caçando minha matilha
deve farejar e encontrar, as vzs Lola eu fico mal por me sentir feliz... eu não saberia expelir tanta dor e tanto sangue. Entretanto já não conto tantas estrelas..... Por que a vida é bonita, me pergunto?
Ivy Gomide · Rio de Janeiro (RJ) · 31/10/2008 21:44
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VOTEI E VOTARIA MIL VEZES.......GOSTEI MUITOOOOOOOOO. Prof. Sebah · João Pessoa (PB) · 31/10/2008 21:52
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LOLA ,QUE POEMA LINDO...!!!!!!!!!!! Prof. Sebah · João Pessoa (PB) · 31/10/2008 21:53
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NÃO SOU CRÍTICO LITERÁRIO,MAS SEI INTUITIVAMENTE O QUE É BOM!!SE TEU POEMA FOSSE RUIM ,EU NÃO COMENTARIA....BEIJOS. Prof. Sebah · João Pessoa (PB) · 31/10/2008 21:55
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Minha opinião é a mesma de todos.
Parabéns, Lola. Eloy Santos · Rio de Janeiro (RJ) · 31/10/2008 23:40
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Grita Lola...
No encante com sua poesia.
parabéns! clara arruda · Rio de Janeiro (RJ) · 31/10/2008 23:42
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"As letras, já eu, disse,
são como mulheres vadias
oferencem-se por um rabisco,
quem dá mais? Por um sorriso?
Entregam-se com volúpia
aos dedos abençoados ou proscritos..."
Estive meditando este trecho... as trocas necessárias entre criador e criatura...uma obra aberta...No fim das contas, ambos querem germinar, reluzir...
Maravilhoso!!
Bjos!
Iva Tai · Manaus (AM) · 1/11/2008 03:37
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Bem fermentado... abraços. Juscelino Mendes · Campinas (SP) · 1/11/2008 12:21
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Acabei de passar
e vi o pão, pela embriaguez do vinho.
Votado
bjinho Aldy Carvalho · São Paulo (SP) · 1/11/2008 21:09
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As letras, ainda que vadias, alimentam como pão e também nauseiam quando a realidade passa por suas linhas.
Belo, profundamente belo!
beijos Saramar · Goiânia (GO) · 1/11/2008 23:09
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BJS,
qrda amiga!
Votos,
e boa semana. JACINTA MORAIS · Cascavel (PR) · 3/11/2008 03:50
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Salve, Lola!
Que belas palavras e que belo sentido!
Parabéns!
Abraço Pantaneiro.
Rangel Castilho · Anastácio (MS) · 3/11/2008 11:08
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Oi. Poema magnífico. Beleza cristalina. Me contenho com estas palavras. Uma boa Semana. jbconrado. ayruman · Chapada dos Guimarães (MT) · 3/11/2008 15:57
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Nessa noite chuvosa de verão, vou provando desse pão em poesia.
Beijos Falcão S.R · Rio de Janeiro (RJ) · 29/1/2009 03:34
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