São Paulo
Ainda vejo
algo de bom nas pessoas
Me preocupa o agora,
e todas as outras coisas
O céu se esconde atrás de nuvens
Me escondo atrás de um sorriso
Cansado
Perdido
Você sabe como eu me sinto?
Em tuas ruas
fuligem, vertigem
Descaso, asfalto
Assalto
Túneis, semáforos
todos sob medida
para máquinas obedientes
Obedientes?
Estruturas metálicas, implantadas
sob nossas cabeças, sob nossos pés
em movimento
Pavimento,
o novo sobre o velho aparente
esconde teu solo
doente
Abram alas
para nossas feras motorizadas
Que horas são?
Pergunto a uma fachada
Bom dia, São Paulo
Eu quero saber o que você faz por mim
Como nos cartazes
Exóticas, feias, belas faces
Boas e más almas
Transitam por suas ruas e calçadas
Apressadas
Enquanto acima de suas cabeças
Transitam promessas abstratas
Envolvidas por borracha
E conduzidas por um fio de esperança
O céu se esconde atrás de nuvens
Me escondo em subterrâneos, arranha-céus,
coletivos
Tua beleza repousa
na poeira,
Em clima indefinível,
Violento, impossível
Simples assim
Ainda seria
desrespeito, heresia
perguntar
O que você faz por mim?
Wagner, belo texto onde retrata essa cidade, não tão diferente da minha Belo Horizonte. Temos que usar somente os olhos da mente para exergarmos a beleza existente no coração das mesmas. E nos nossos também. Um abraço mineiro.
anamineira · Alvinópolis, MG 26/8/2007 10:20
Oi, Ana
Estive aí nas Gerais do Grande Milton Nascimento em Janeiro e pude constatar que BH e SP são realmente muito parecidas.
Seu comentário é muito pertinente. A beleza está nos olhos de quem vê... =)
Um abraço paulista.
Wagner,
A beleza contida nos teus versos encantou-me! Ainda há olhos que atravessam a fuligem...
Lindo poema!
Um aBRAÇO, Marluce
Com os problemas de uma cidade tão grande,São Paulo consegue se fazer bonita e querida.Parabéns para essas pessoas maravilhosas
que vivem aí.Parabéns pelo teu poema!
Abraços.
Rapaz, pois não é que tu desenhaste S. Paulo em versos, muito bom, um abraço, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 29/8/2007 18:51
Já me senti asim nos anos 70 e na maioria das vezes em Sampa, tão corroída e amada...tento muitas vezes decifrar as pessoas que correm pelos vãos entre o belo e a realidade crua..entreo homem máquina e o concreto que sufoca com seu brilho hig-tec...
elhor seria responder que em muitos Sampa alucina e faz crescer o coração humano...Devaneios. Amo Sampa e as cores humanas vindas de todos os cantos sonhando encantos que ela muitas vezes não pode dar...Devaneios. Parabens .Voto certo.
Maravilhoso este! Gostei muito mesmo! Conheço pouco de São Paulo.. mas gostei de conhece-lo pelos versos teus! Parabéns
Patricia Moreira · Vitória da Conquista, BA 5/9/2007 01:16
Fico com Marluce (para mim, mar de luzes), que sentimos teu olhar través a fuligem vendo Sampa doutro jeito, como a viu Caetano, cruzando a São João, como a viu Tom Zé, em são paulo, meu amor, quando demitiram santo antônio dos ministros de cupido.
Belo, tchê!
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