Cidade sem jeito... nua
Nas rosas que tem hálito concreto
Nas árvores de enfeite
No céu dia e noite cintilando aviões
Na cantoria dos pássaros de museu
E nas vigas de ferro expostas
Que querem me alcançar.
Cidade sem direção... crua
Nas calçadas congestionadas de desejos
Nas avenidas que sangram automóveis
Nas pontes que tiram os pés do chão, da lama
Nos túneis que aproximam destinos e distanciam corpos
E nas vigas de ferro expostas
Que querem me arranhar.
Cidade sem fins... toda em loucura
Nos edifícios que são castelos modernos
Nas casas que abrigam todas as incertezas de ser
Nos barracos que recriam a humanidade e a paisagem
Nos condomínios que pintam a paisagem e a humanidade
E nas vigas de ferro expostas
Que querem me despedaçar.
Cidade sem lei... inunda
Nos cantos cheios de bandidos
Nos parques repletos de mentes cansadas
Nos bairros onde os meses não seguem o calendário
Nas favelas e cidadelas onde tudo isso às vezes vira pólvora
E nas vigas de ferro expostas
Que querem me aniquilar.
Mal sabe a cidade que humanidade mesmo
Aqui não mais há.
Só existe apenas corpo
Para abrigar minhas ilusões pela vida...
Esqueleto, pele e litros de sangue
Para abrigar nossa vida de ilusões,
Infinitude e caos.
Uma leitura despretensiosa sobre as grandes cidades que configuram - ou desconfiguram? - a vida no Brasil e no mundo.
Lindo!
Esqueleto, pele e litros de sangue
Para abrigar nossa vida de ilusões,
Infinitude e caos.Este é o retrato da modernidade
Obrigado pelos comentários de vocês.
Vinícius Motta · Rio de Janeiro, RJ 3/1/2010 21:22
Não só São Paulo que acompanha ao avanço da modernidade...
Salvo as cidadezinhas do interior, o Brasil inteiro esta se
tornando uma cidade de aço e concreto, sem sonhos
e ilusões, uma cidade com um povo prisioneiro de si mesmo.
bjs
Você está certa doroni. E foi justamente por isso que coloquei o título "São Paulo e afins"
Obrigado pelo comentário.
Nossa! Vinicius! Nessa vc se superou... Te parabenizo com louvor!
Tenho pena de quem vive numa "Selva de Pedra"; tudo ali é frio e artificial. Por isso mesmo há muitos anos, vivo no meio do mato, ou quase isso; vivo entre montanhas e sou muito feliz.
Gostei, amei e votei...
Beijosss
São Paulo já não é a criança inocente
a adolescente irreverente
e sim a adulta descendente
que amo amo de paixão.
bjs
E minha prima paulistana sufocada no pantanal. Rsrs
Vai entender!!!
mas ofereça uma enxada pra um desiludido do concreto
morar no campo.....duvido!!!
Poeta.......essa coisa toda ai tem nome... ganância
e sobrenome .... passividade!
... e que nada o impeça de voar pro coraçao vermelho e verde da poesia, Vinicius.
bjssssss;
No céu dia e noite cintilando aviões
Vinícius, a arte de grafitar versos.
bjs
ops tô muito loka hoje "a arte de gravitar versos" bom isso kkkkkkk
Claudia Almeida · Niterói, RJ 4/1/2010 00:06
São Paulo é uma loucura mesmo. Deus nos ajude.
José Carlos Brandão · Bauru, SP 4/1/2010 00:28
Um retrato bem feito do caos das grandes cidades.
bjs
uma visão um tanto pragmática não acha?
Greyce Kelly Cruz · São Luís, MA 4/1/2010 01:01
pOETA,PARA MIM,MODERNIDADE É OLHAR O HOJE COM OLHOS DE FUTURO.Já não nos livraremos do caos das grandes metrópoles,das megalópoles,porque o homem vem gostando desse processo de destruição.O homem de concreto,a ave de concreto,o espaõ de concrto,o oxigêni de concreto...e o fim de tudo,por conta de um desenvolvimento que não tem mirado a humanidade.Belo texto,amigo.Feliz 2010.
Cezar Ubaldo · Feira de Santana, BA 4/1/2010 07:46
"alguma coisa alcontece no meu coração
que só quando cruzo a Ipiranga e a Av. São João...
muito lindo... votado
Parabéns Vinicius.
Realmente as nossas cidades, a cada dia, se tornam mais frias, desumanas, violentas, a caminhar para o desamor e, naturalmente, a dor. Mas, é sempre bom levantarmos as nossas vozes e gritar que não queremos nem concordamos em ser apenas concretos.
Um grande abraço.
Só nos falta, às pessoas, aprenderem a viver nas cidades. Com isto
a vida seria uma beleza, cercada de gente por todos os lados.......
abraço
andre
Olha muito bom viu Vinicius, já visitei a grande SP, e voce me mostra mas profundo tudo. Texto rico. Parabéns.
"Infinitude e caos."
Não conheço São Paulo, mas sempre que ouço falar dela a única definição que me vem a cabeça é: caos.
Belo poema
Abraços
O urbano em letras...
Não se distancia tanto dos homens da minha terra. Respiram ar puro (um dos melhores do país) e arrotam "hálito concreto".
Grande abraço. Parabéns pelo poema!
Falar de SP é falar das diversidades. Muito bom, meu caro! Abs.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 5/1/2010 15:08
Eis a dificuldades de todas as cidades grandes e daquelas que estão crescendo.
Otimo!!
Beijuss
Super hiper visão de mundo urbano. O mundo virgem foi invadido por humanos que com o passar do tempo foram evoluindo e, tomados por reféns da própria evolução foram transformados em urbanóides presos nas grades do temor, e correntados pelos tentáculos do polvo capitalista.
Valeu! Vc é show!
Espetacular o retrato que tirou !
lambe-lambusei-me na sua Sampa e (a)FINS...
eis a máquina : "...Infinitude e caos.."
Incrivel como São Paulo, uma floresta de concreto e aço, segundo Racionais mc´s e o novo quilômbo de Zumbi, segundo Caetano, ainda inspire novo e belos poemas como o seu, cheio de poesia e amor - as vezes não- por esta cidade que abriga o Brasil, talvez daí vem a motivação poetica. São Paulo é como a mãe do Brasil, quem queser, tem espaço, ainda que injusto. Votado pelo obra poética....
Luís, o último literário · São Luís, MA 7/1/2010 13:25Beleza, Vinícius, precisamos de mais alma, de mais calma mesmo (tem pessoas que mesmo morando em cidades pequenas tem a grande cidade dentro de si - se enervam continuamente)... quando morei em Sampa, tempos depois também escrevi sobre a cidade absurda que é... se quiser, dê uma chegada no meu barraco poético e veja a minha "Metropolis"... abraço.
Marcos Filho · Campo Grande, MS 7/1/2010 22:59Você tocou na raiz do problema. Gostei e muiiiiiiiiito. Parabéns, grande Vinny. Abreijos!!!
Dayvson Fabiano "Imorrível" · Recife, PE 7/1/2010 23:05MEUS PARABENS, RETORNAREI AQUI PARA COMENTAR A CONTENTO...
kelly chiabotto · Taubaté, SP 9/1/2010 15:27Parabens pelo trabalho sobre a selva de concreto, é isso ai irmao.
Amantino · Itumbiara, GO 9/1/2010 21:57
eta garoto poeta, são paulo é mesmo esse rock.
misto de amor e guerra.
são paulo ta sempre em mim, essas ruas e esses cantos onde a arte em todas as suas vertentes se faz presente.
tudo para todos os gostos e todas as tribos.
abreijo poeta
desabafo, revolta, encanto, desencanto e impotência se condensam, formando uma fotografia intimista, lírica, elegíaca e
verossímil do expoente-mor da selva de pedra brasileira: sampa!
Lindíssimo trabalho.Votado.Abraço amigo!
Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 28/1/2010 09:14Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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