Dizem que a palavra saudade é única dentre milhares de línguas existentes no planeta, não sei qual a veracidade disso, mas sei que entrar em contato com ela é ingressar em um jogo perigoso, a busca pelo o que não se tem, temporária ou definitivamente, pode fazer-nos levar a um estado de semi-vida incompreensível não apenas para quem olha de dentro, mas também para quem está de fora como espectador.
A saudade é um transbordamento de si em relação “à coisa” sentida ou não-sentida, quase enlouquecedor. Saudade, digo eu, não apenas de amor ou de ser, mas também de momento, de lugar, de fase, de nós e toda a circunstância que faz de cada “coisa” algo único, singular. Saudade é sentir a falta de sentir, em outras palavras, é o não-sentir agora uma necessidade quase de sobrevivência daquilo que já foi e ainda é. É sentir a impotência de alcançar a coisa ou o ser desejado, como quando somos crianças e esticamos nossos braços para tocar as nuvens e as estrelas e não conseguimos, mas ainda assim fica a esperança viva de pegá-los, de obtê-los.
É verificar que o que você sabe ser seu, por senti-lo tão forte dentro de si, não é tão seu assim. Saudade é um inchaço interior de emoção que nos leva a uma quase explosão de si mesmo, às vezes dói tanto que desejamos o acontecimento do estrondo o mais rápido possível para não mas senti-lo; entretanto, a explosão não acontece, como se um balão estivesse ali, dentro de nós enchendo num ato de sufocamento, depois esvazia, não para deixar-nos aliviados, mas sim para poder encher novamente e aumentar gradativamente a angustia de ser. De ser um ser incompleto por faltar o encaixe da “coisa” em nós e só assim, por meio desse encaixe, sentirmos que somos mais uma vez um “eu”, não digo concluído, mas aperfeiçoado.
Sair desse jogo perigoso não é uma tarefa fácil, por outro lado é possível. O nosso grande parceiro dessa partida é o tempo, sem percebermos, ele, aos poucos, vai esvaziando quase por completo o nosso balão, esse vai deixando de ter vontade própria, não se põe a encher com tanta veemência como antes e, desse modo, vamos desprendendo nosso presente do passado. Um passado lindo sim, mas que se foi... O primeiro passo a dar daí em diante é liberarmos nosso coração para novas emoções, para tudo aquilo que está acontecendo agora.
Não é que vamos apagar “a coisa” de nós, pelo contrário, ela continuará viva, muito viva, encaixada como uma bela recordação. Muitas vezes compartilharemos com outras pessoas o quão maravilhoso e importante foi e é “a coisa”, só isso nos dará por satisfeitos. Porém pode haver casos que relutaremos a todo instante contra o tempo para ele deixar nossos sentimentos e emoções exatamente do jeito que estão, é o medo de que o que ainda está por vir não seja tão bom quanto o que foi. É aí que nos agarramos “a coisa” com toda a nossa força para que ela não fuja e seja sua, só sua, como é bom senti-la! Mas uma hora percebemos que é o nosso presente e o nosso futuro que está esvaindo por entre nossas mãos e que a nossa luta agora não é mas por manter aquilo que passou, mas sim sairmos do ponto da onde estagnamos para acharmos e fazermos viver o instante-agora, e mais que isso, fazer viver a nós mesmos no hoje e no amanha e , dessa forma, continuarmos nosso processo de aperfeiçoamento e aprendizado através de cada ato-fato novo de nossa vida.
"é o não-sentir agora uma necessidade quase de sobrevivência daquilo que já foi e ainda é. É sentir a impotência de alcançar a coisa ou o ser desejado, como quando somos crianças e esticamos nossos braços para tocar as nuvens e as estrelas e não conseguimos, mas ainda assim fica a esperança viva de pegá-los de obtê-los."
Ma-ra-vi-lho-so! Só quem sofre disso pelo menos 12 meses ao ano concorda que essa é a melhor descrição da saudade: Impotência!
Meus parabéns, prima! Agora o balãozinho da minha saudade até começou a crescer, o peito estufou, mas parece uma maçã dentro de uma ervilha. Aquele inchaço, entende? [eu sei que sim... rsrs]
Bom demais.
Beijo!
legal, muito legal mesmo!!!
Parabéns, Gabriela.
ps. só acho que no lugar da " coisa " você poderia usar outro nome como o " momento" , o " instante ", o "lugar" etc...
mas o texto está excelente!!!!
abração,
Obrigada Marcos, o problema é achar uma palavra que sintetize tudo isso: o momento, o instante, o lugar, porque a intenção é justamente mostrar que a saudade pode ser de qualquer "coisa".
Abraços.
Muito bom o texto...Saudade palavra triste quando se perde um grande amor...na estrada longa da vida eu vou chorando a minha dor!!!Ve se esta musica ajuda! Parabens Gabriela
victorvapf · Belo Horizonte, MG 25/1/2008 21:15Muito bom o texto, Gabriela. Votei.
Jairo Oliveira Ramos · Aracaju, SE 25/1/2008 22:12
Nossa, Gabi! Muito bom o texto! Isso por causa da sua especial maneira de ver as coisas à sua volta, principalmente as mais simples.
É disso que muita gente precisa: ver por outro ângulo!
Parabéns!
Muito obrigada a todos pelos comentários, voltarei mais tarde p ler as colaboraçoes dos amigos. Bjos.
gabriela chaves · Brasília, DF 26/1/2008 11:36Que beleza de saudade Gabriela! Votei no seu texto inteligente e profundo. Parabéns.
raphaelreys · Montes Claros, MG 27/1/2008 06:22
Muito bem. As frases longas do texto são como a demora em se conseguir matar a saudade! Votei!
ZIRIGDUM BOROGODÓ · Salvador, BA 27/1/2008 10:36
Obrigada. O excelente e emocionante texto me ajudou a pensar em começar "esquecer".
beijos
Muito Obrigada pelos cometários, foi um prazer compartilha-lo com todos.
bjos
A importância do despaego, não pe Gabriela? Não podemos deixar a saudade (ou qualquer outro sentimento)ficar maior do que a gente...
Gostei do seu texto. Continue escrevendo.
Beijo.
Ótimo texto, Gabriela. Obrigado por ter me avisado da existência dele. Adorei as imagens, muito criativas. Parabéns. De agora em diante, mantenha sempre contato sobre suas publicações. Grande abraço.
Eduardo de Oliveira · Teresina, PI 28/1/2008 09:42Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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