(Lendo um postal africano)
(”...Escreva-me, sim? Preciso muito
escrever com mais vagar)
mas fica para amanhã...
...Beijos dos seus filhinhos, saudades do Carlos
para todos e para si muitas abraços e beijos
De sua irmã muito sua amiga
Alice ...”)
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1916
Quelimane é onde?
Existe?
É longe?
Ou muito longe?
Mais ainda?
É assim, demais da conta,
da idade amarelada
e colonial
de um postal
no qual
não se pode
dizer nada além
do pouco que se disse ali?
1916
Quelimane é onde?
Se viram de novo?
a saudade antiga
doída
sabe-se lá
por que ondas
parida
urdida
foi matada?
Quelimane é onde?
Moçambique
Índicos mares
Onde?
(Só sei que em sofreguidão
naquelas maresias
um dia
se carregaram muitas vidas
e mortes
de lá para cá).
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1916
Quelimane é onde?
Quando tempo se passou
para que as duas irmãs
amigas
uma onda da outra
derramadas
irmanadas
em lágrimas
aos abraços e beijos
(se houveram)
chegassem?
Estavam tão longe
e agora?
Quelimane é onde?
O quanto mais longe estão?
1916 é onde?
Spírito Santo
Set 2008
Faço primeiro comentário sentindo uma saudade que não é minha, mas dessas palavras imortalizadas nesse postal. As cartas (postais) carregam os sonhos como as náus levavam os navegadores, mas diferente dos navios negreiros, as cartas são livres, libertando mil vezes as palavras a cada leitura, a cada recordação.
Onde? Quando? Em toda parte, todo lugar.
Grande abraço, Spírito!
Spirito,
lauro diz o que estava eu a pensar, por ter lido um poetar num ônibus da capital dos pampas, que tem poemas ali publicados há mais de dez anos, que dizigal: as palavras, no livro encerradas, são pelo teu olhar libertadas... ou mais parecido e lindo que isso ainda.
Vê só, guri: e é poesia.
Mais concreta que a alma leve no corpo encerrada,
que bela é a pele da raposa nela
e feia na gola do casaco da perua,
sendo que o bicho foi morto e
a grã-fina finge que vive
ou, escuta a rima rica:
seria uma grã-****.
Perdão pela ocupação di tu, mas eu sou assim espaçosa, tu sabes, desde há muito. Já fui lá ler o Conto do Paco, mas fiquei meio burra, de repente, com tanta inteligência di tu, da Ilha e da Ize.
Vou já dizer issso lá, que agora peguei coragem (e já disse, não?).
Beijin.
Saudades da terra mãe. Irmãs nestes versos com a força para pensarmos na dor de uma sauda assim: otempo fica confuso, os lugares se perdem na meória.onde é? Onde está onde sempre esteve?
Compulsão Diária · São Paulo, SP 29/9/2008 17:02
CD,
Na Guiné Bissau tem um jogo quede advinhas que se chama (em crioulo de lá): 'Stalá, stalá?'
É onde as coisas desta praia estão. Lá...
Lindo Spírito!! Poesia no sorriso e genialidade no homem todo! Adoro.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 30/9/2008 10:27lindo mesmo seu trabalho.publicado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 30/9/2008 10:55
Genial! Queria ler e ler de novo, pra sentir doer, mas não ressentir.
Beijo!
Ué? De novo sentir doer não é o mesmo que ressentir?
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2008 21:17Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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