Ela estava lá sobrevoando as flores na porta de entrada do prédio de departamentos. A princípio, nem dei a ela a atenção devida: são tantas a sobrevoar as flores do campus. E era hora do trabalho! Mas ela se demorou mais do que as outras, insistindo em voejar e aterrissar na flor. Lembrei que a câmera estava na minha bolsa.
Vacilei ainda entre ir pegar a câmera (afinal, ela poderia desistir da flor antes que eu voltasse) e voltar ao meu trabalho. Tinha feito uma pausa para o café e o cigarro, e aproveitava o morno sol da manhã na porta de entrada. Mas ela insistia ali, me chamando para a foto. Fui. Voltei rápido, temendo não encontrá-la mais.
Ela havia me esperado. Senti que havia uma cumplicidade entre nós e que seria fácil fotografá-la. É incrível como nós, humanos, creditamos aos seres e às coisas sentimentos e razões que elas, provavelmente, são incapazes de sentir e ter. Foi assim que eu fiz com a borboleta. Minha manhã de trabalho quase foi perdida por conta de uma borboleta que não parava quieta sobre uma flor. Fotografá-la passou a ser um desafio, como uma disputa entre eu e ela.
Ficamos nessa, eu e a borboleta, por muito tempo. Ela parecia zombar de mim. Cada vez que eu conseguia conciliar foco e enquadramento, ela batia suas asas e voava para outro lugar. Às vezes me olhava de lado, se rindo. Esperava um longo tempo sobrevoando, como se esperasse que eu desistisse da foto. Ou me provocava, fazendo poses e desmanchando-as assim que eu e a câmera estávamos prontas para o clic.
Não sou muito de fotografar flores e borboletas. Mas quem trabalha num campus lindo, com flora e fauna de dar inveja aos mais urbanos, e tem em casa um quintal arborizado, como eu, acaba se rendendo à natureza.
Essa saudável disputa com insetos e pássaros tem ocupado as lentes de minha cool pix mais do que eu poderia imaginar. E nem é pelo resultado das fotos, que considero sofríveis para fotografias de natureza, mas pelo prazer físico que tenho em estabelecer um certo tipo de diálogo com plantas, pássaros e insetos, que eu não imaginava possível.
- Você agora apelou, ninguém tem dois 'miolos' como é que faço agora naliso o "retrato", assim se dizia na minha terra, ou o texto?
- já que conseguiste os dois feitos, me diga... admirável, andre
- E mais vou guardar pra minha filha que está pro Paraná, férias de escola. Ela vai adorar ... no painel que monta. obrigada dirá ela.
Rsrsr. André, vc é mesmo uma figura! Valeu pela presença! tenho um monte de borboletinhas para a sua filha. Tô colecionandp insetos.
Um abraço!
Essa modelo sabia a hora certa realmente.
Parabéns, Claudia.
abraços!!!!
- Voltei pra votar, só, rápido. Mas demorei fiquei sabendo que te chamas Claudia. abs. andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 9/7/2007 07:38Osvaldo, eu não disse que ela estava me zoando?
Ilhandarilha · Vitória, ES 9/7/2007 21:28
As borboletas costumam se comunicar sutilmente quando alguém dá atenção de verdade. Foi o caso. E sugiro a quem passar por aqui baixar a foto. A beleza se revela em outra escala.
Abraço e parabéns, Cláudia. Adorei.
Caraca!
Beleza em estado extremo de pureza. Outro dia estava pensando que, com o tanto de beleza já existe na natureza, como é que a gente ainda se arvora a pensar que pode criar algo belo. A gente só fotografa, copia, certo? Vou comprar a máquina sim, um dia. Já estou praticando no meu celular.
Abs,
Gosto desse diálogo Fotografar é aprender isso a cada instante.
quasarte · Vitória, ES 10/7/2007 11:08
Ilhandarilha de olhar sensível. Linda foto, lindo texto. Seu olhar sobre a natureza me sensibilizou. Me fez perceber as belezas que esqueço de observar nesse mundo de meu Deus. Paz e alegria!
Wadson Fernandes · Belo Horizonte, MG 10/7/2007 13:18Spírito, você pode ver nessa matéria aqui o que o Sebastião Barbosa pensa sobre fotografar. Para ele (e eu concordo plenamente), vc não precisa ter um super equipamento para fazer boas imagens.
Ilhandarilha · Vitória, ES 10/7/2007 19:15
Kelly, você sabe do que estou falando! Vi suas fotos e elas mostram que vc busca esse diálogo com o objeto das suas lentes. A gente tem que aprender tudo, sempre.
Watt, muitas vezes a gente esquece de olhar em volta mesmo. Ainda bem que as coisas às vezes saltam aos nossos olhos e nos fazem olhar mais atentamente pra elas.
Paz pra vc também e valeu o comentário.
Agora imagina o que rola naquelas minhas capturas! Não dá pra fotografar sem diálogo. Às vezes me pego implorando em voz alta a ou outro, minúsculo ser, pra que me concedam um momento pra uma pose.
Passei muito tempo de papo com uma libélula.Uma delas deu pra me seguir, e eu pedia que ela escrevesse no parabrisa do carro sua mensagem. Por aí vai! A fotografia é esse estado de divina loucura.
Você é minha mana!
Abraços!
Gosto de dizer que a fotografia aprisiona a poesia para gozo do leitor.
rosa melo · Pio IX, PI 12/11/2008 08:13
Rosa, quando vi suas fotos lá lembrei dessa reflexão aqui. É isso memso. De alguma forma, estabelecemos uma comunicação qualquer com esses seres quando os fotografamos. Eu não gosto muito da idéia de aprisionar a poesia. Acho que, de uma certa forma, o que o fotógrafo faz é eternizar a poesia daquele momento.
beijos
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