PRIMAVERA - óleo s/tela - Marco Bastos
SE UMA PEDRA CRESCEU
Ah! quem sou eu para escrever um verso assim
como um Pessoa, mesmo que não seja o próprio Pessoa,
como também não sou eu o ópio de mim.
Quem seria eu para ser o autor de cantos
já cantados por quem já cantou seus cantos;
se cantos, recantos na alma os tenho,
como se fossem meus, e não vivo em lugar nenhum.
Quem sou eu para ser o reverso de mim,
se nos versos me estranho e quando chego ao fim
não sou o mesmo que começou a escrever ali no alto.
Quem sou eu para ser o coerente senhor que se repete
se a cada manhã olho o mundo de forma diferente,
e vezes me assusto, e outras vezes nem tanto.
Quem sou eu para ser parecido comigo
se a cada dia eu sou um ser diferente.
Parecido é quem se parece com quem não muda nunca.
Quem sou eu, inteiro ser, se às vezes me sinto
a metade de mim que eu não conhecia
ou que eu não sabia existir em minha mente.
Quem sou eu para ter permanência e limite
se a última fronteira está ali atrás,
só porque eu andava só,
e não vi nada riscado no chão que me dissesse: é aqui!...
Quem sou eu para escrever aqui esses versos
que contém uma poesia, mas não a minha poesia só,
se a poesia desses versos não fui eu só que a escrevi.
Eu nem escrevi nada ainda, porque eu nunca escrevo.
Eu sou só uma voz muda, uma pedra que cresce,
e às vezes sai por aí dizendo para outras pessoas
que as pedras crescem, rindo e chorando,
quando encontro quem fala que viu
- que uma pedra cresceu...
Marco Bastos
Salvador / Bahia
Marco, teus poemas são como cânticos, como uma bela
balada! Parabéns poeta! Beijos
Marco, encantada estou com teu belo versar! Pois sim poeta você é essa força expressiva que me levou a uma grande reflexão. Li e reli, e digo-te tenho que ler por mais vezes... Parabéns
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 1/3/2008 21:09
Eu ví, Marco. Uma pedra cresceu!
Que lindo!
A tela também...
Abraços!
Ana, Beri, Nydia, obrigado pelos comentários. Palavras incentivadoras. Por mais que a poesia me impulsione ou a pintura me chame, preciso saber que a minha linguagem é compreendida e que fala algo para outras pessoas...
Um bom domingo para vocês.
beijos.
ei, marco, li seu poema ... achei denso, bonito......nem sei se sei poetar...como você diz, a gente a cada dia acorda uma pessoa diferente, e são tantas pessoas dentro da gente... a poesia está aí, para expressar essas sensações... de estranheza, de vazio, de beleza interior, de fazer e desfazer... parabéns, você escreveu um belo poema... Danlima para achar se você próprio
danlima · Brasília, DF 2/3/2008 16:23
Boa noite, Danlima. Penso que seja assim mesmo, as pessoas ao longo do tempo passam por algumas modificações e também no curto prazo tem suas horas de humor diferente. Um dia mais alegre outro chateado com alguma coisa, um dia triste e por aí vai. A poesia ajuda a compreender e a revelar esses estados e essa evolução. Mas também observo que a poesia é uma constante na vida do poeta. Quando você menos espera ela aflora prá brincar, prá te fazer refletir, para dizer palavras de carinho, para criticar ou mesmo só prá dizer coisas que ainda nem se sabe quais são. A poesia é uma forma peculiar de expressão através de sínteses, de metáforas ou da articulação de figuras de estilo, muitas vezes não intencionais nem construídas.
Obrigado pelas palavras ditas e que abrilhantam essa página.
abraços.
Parabéns.. lindo trabalho em conjunto!!
Palavras e tintas!!! União perfeita!!
Sucesso!!
votado (peso3)
Marco, deixando meu votinho... aproveitei mais uma leitura desse belo texto, abraços
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 3/3/2008 16:04
Puxa Marco, arrasou.
Belo!!!
Nada mais a dizer.
Beijos,
Regina
Queremos ser imutáveis, mas não somos e muitos não
veêm as diferenças ...
Parabens Poeta!
bj
Obrigado a Xuca, Beri e Regina. fico feliz porque gostaram do que um dia eu fiz e dá vontade de fazer mais. rs. bom dia. beijos.
Marco Bastos · Salvador, BA 4/3/2008 09:17
É sim, Cintia. Não fomos "feitos para durar", como dizem que fazem aquela pilha. rs. Ver as diferenças é conseguir sentir o que está havendo e comparar com o que acontecia antes. As vezes são mudanças sutis e demoradas como a das pedras que se transformam. Obrigado pelo seu comentário e presença. bom dia. bjus.
Marco Bastos · Salvador, BA 4/3/2008 09:26
marcos, belas palavras e belos sentimentos... abraços e parabéns.. votei
teprimola · Brasília, DF 4/3/2008 12:11Olá, Marcos! Obrigada pela sua opinião ao meu poema. Vim aqui conhecer os seus, e adorei seu estilo. Fez-me lembrar um poema que escrevi, chamado O Verso e o Reverso. Pelo que vi, vc também usa nos seus poemas, a sua forma de abrir o coração. Não são palavras vagas, como se vê nos poemas modernos, mas palavras que revelam e que se fazem compreender. Parabéns! beijo
NEUZA MARIA SPÍNOLA · Belo Horizonte, MG 4/3/2008 12:46
teve o meu voto!
mto bom.
http://www.overmundo.com.br/banco/pra-conversar
Obrigado, Teprimola e Neuza. Palavras incentivadoras as que escreveram. Muito bom ter o retorno de vocês, comentando a minha poesia. Na maioria das vezes, às poesias correspondem o sentimento nosso naquela hora que escrevemos - umas vezes mais densos, outras horas mais leves, alegres, brincalhões, amorosos...e assim é, como na vida.
Quando divulgar seu "O Verso e o Reverso", por favor me avise, Neuza ou se preferir mande-o por email.
beijos.
Oi Marcos, quem sou eu?
Indagação pertinete a todos nós. Mas como diz um mestre indiano, " (...) quem sou eu? Eu sou a pura consciência..."
Portanto, és vc em consciência e essencia, humano e divino. Sim, pois existe em todos nós, a centelha divina, tb!
Abração
Obrigado, Branca Pires. E o quanto temos que nos sentir, nos perceber e compreender o mundo, os homens e a natureza para sermos essa consciência? Conheci uma senhora estudiosa do pensamento indu que um dia deu-me um adesivo da Suryalaia - (lugar onde mora o Sol) no qual se lia: "Faço perguntas porque não tenho respostas". Mas Lao Tsé no Tao nos fala da ação da não-ação, em se deixar levar (pelos caminhos do espírito) como uma folha que se solta de um galho e percorre o menor caminho por não oferecer resistência ao vento. Gostei de me lembrar dessas coisas agora.
grande abraço.
Querido Marco:
Bela reflexão sobre o homem no tempo e no mundo em contato com sua poesia... Igualmente belo está o teu reflexo em tua primavera.
Beijos_Meus*
*
Vatadíssimo....O quadro e lindo..
Eu nem escrevi nada ainda, porque eu nunca escrevo.
Eu sou só uma voz muda, uma pedra que cresce,
e às vezes sai por aí dizendo para outras pessoas
que as pedras crescem, rindo e chorando,
quando encontro quem fala que viu
- que uma pedra cresceu...
Muito Bom
Abraço
Marco Bastos · Salvador (BA) ·
Muito bonito.
Tem o completo domínio da expressáo das palavras.
Tem pema pra expressar.
....Quem seria eu para ser o autor de cantos
já cantados por quem já cantou seus cantos;
se cantos, recantos na alma os tenho,
como se fossem meus, e não vivo em lugar nenhum.
Achei muito bacane e de merecimento.
Parabéns
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