"Se não sais de ti, não chegas a saber quem és"
José Saramago
I
Uma ágil fotografia em oração
emoldura a carnificina dos mognos.
Piedade, piedade,
que é dos teus catecismos,
da vestidura a miúdo da ferroada de arpão,
que o alicate doutrina o pecado
e ai lança-se aos recifes de pensamentos desclorofilados
- como uma felpa de gritos
quando se joga ao flúmen
que ama as gargantas sensabores
ou quando caí sobre as zangas
cheias de relvas.
II
Ao rés-do-chão
jaza o paralelepípedo cor de gente
com a face enfiada na cínica argila
grávida de seios e coxas.
Construído de impuro concreto
não consegue refrear os cavalos metafísicos
e atrelá-los a minha carruagem;
não consegue conectar a sua boca
a meu contrapé de rodagem.
Oh! ele sobrenada tão entupido entre nervos e álibis,
sente um misto de inveja de algum poeta
que encurva o seu farpado fingimento.
II
Lerdo, o dia esfomeia e dorme.
Poemetos sem lápides
jorram de testículos devolutos
- esses rápidos coitos de afiado ferrão,
os que agem que nem cartão de crédito
quando jugulam gordas paixões.
Oh! costuram-se etéreas cesáreas
que as seivas de portentosas falações vomitam
- não as que debelam as setas imortais da boca;
não as que se assemelham ao arrojo
de uma esquizofrênica palavra.
IV
Submergido pelo breu da semente,
mais impetuoso é o nuvioso torniquete
quando arrasta consigo
o cemitério cru de alguém que cala.
Ai! resta-me, infértil,
o cais que contrabandeia a gramática dos espinhos
- não a que afugenta o mar de antes-primavera;
não a que funde a lábia do dia que vem;
não a que ascende à tona dos miseráveis;
não a que espanca o universo das nevascas:
o mais arrogante, o dote do sol já queimante -
aquele que gera após-jorro,
meio-inverno de tesão.
© Benny Franklin
Benny,
este poema me lembra aqueles que usam uma verborragia inutil,
sem chegar ao cerne da questão, ou até mesmo aqueles que se reprimem com medo de se delatar, porque a palavra tem vida.
bjs
resta-me, infértil,
o cais que contrabandeia a gramática dos espinhos
Meu querido Benny - sua poesia é de cortar o gelo tão comum aos frios de coração, aos pobres de espírito. Essa crucificação dos tempos modernos a que estamos todos submetidos traz o o gosto amargo da corrupção, das injustiças, dos mandos e desmandos....nem sei mais o que dizer.....os espinhos estão aí, ali, aqui e o sangue (invisivel, para alguns) continua jorrando em nossa testa. A nossa alma sangra por dentro em meio a tanta barbaridade nesse mundo cão. Desculpa ter escrito alguma coisa que não devia. É que teu poema é forte de mais. A tua alma é grande, poetamigo Benny. Paz em Ñanderu, Grauninha
Ao poeta se dê
o que lhe pertença
e tensa sendo a nuança
o que teça em verbo
será densa poesia
a que a reverbera
um tempo, uma era.
De mim, aplausos.
Benny, é Wally Salomão e você na emoção do verso!!!! Adorável!!
beijos poéticos de Nina.
Benny Franklin · Belém (PA)
SEIVAS DE PORTENTOSAS FALAÇÕES
Saudação Ao Nobre Mestre Poeta do Overmundo.
Arquiteto das palavras, dos sentimentos e dos temas valorosos.
Sempre elevando e embelezando a expressão, encantando a gente que lhe admiramos e temos orgulho de lhe elogiar em cada criação.
...como uma felpa de gritos
quando se joga ao flúmen
que ama as gargantas sensabores
ou quando caí sobre as zangas
cheias de relvas...
Parabéns.
Abração Amigo.
Parabéns meu querido conterraneo!
Adorei o texto FANTÁSTICO!
beijos meus com carinho!
Benny:
Nos versos o parto
(etéreo)
Nem foi normal ...
Exigiu cesárea ...
..........
Tenho por teu trabalho declarada e conhecida
admiração - reverência ao poeta guerreiro , gladiador de seu tempo - transformador social !
abraço !
Caro Amigo
Vê se me empresta por favor
Essa querencia tanta
que transcreve por aqui
que tudo é inútil
a quem nao tem Deus atrás e nem na frente
quem semeia Deus
colhe amor
empresta essa crença tanta
bjus.
VOTEI COM PRAZER.
"Submergido pelo breu da semente,
mais impetuoso é o nuvioso torniquete
quando arrasta consigo
o cemitério cru de alguém que cala."
depois de um feto-poema, vindo ao mundo prá gritar contra suas próprias concepções, fiquei sem palavras...
Maria... · Blumenau, SC 1/1/2010 21:16O mergulho necessário em tua verve, ò menestrel ímpar da letra amazônida - rubra como o sangue de mil sanguessugas de nós tirado, verde como o lençol por sobre este solo estendido - ora nos impele a prosseguir feito projétil na direção do alvo imperialista (qualquer império humano ou das coisas), ora nos aquiesce como agora na leitura pura e desavisada de tuas linhas tensas... Ler é preciso, porque a hora de navegar já se aproxima... E navegar, bardo irrequieto, é se deixar extasiar com o que tua palavra nos bafeja... Ave, Benny...
Pepê Mattos · Macapá, AP 18/2/2010 18:01
Queria tanto ouvir...comunicações espirituais, bençãos dos mortos e vivos em mim...
bj
Caro amigo sempre relendo seus versos magníficos e extasiantes em seu blog.
Deixei msg no facebook pra vc...gde bju
oshf
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