Nem mais palavras de amor
paralisa-me algum temor
importunar uma existência
uma outra circunstância
com um incômodo, a dor
um querer despropositado,
fora de hora e lugar
desajustado, indevido,
impróprio, ultrapassado.
Não há o que fazer
Nada mais importa
Nem teus retratos
ouso olhar, fecham-se
todas as portas. Eu sigo
desatento a conselhos
destoando do bom senso
persisto e desconexas
saltam no éter loucas palavras
se impõem como desejos
delas mesmas, insanas
se atiram nas pontas de facas
se estendem nas lâminas
das navalhas azuladas e frias
nos cortantes cacos de vidros
sobre paredes intransponíveis
Já é vermelho o muro que nos separa.
O sangue escorre dele,
numa ponta espetada, varado o coração.
Clamo às musas por inspiração
Ausentes, distantes, não me concedem
Nada me permitem, tudo sonegam
As palavras nem tem mais de mim
se me recordo, eu não mais as tenho
eu não a tenho mais a me inspirar.
Eu penso ainda que ainda não a tive.
Eu só a amei desesperadamente. Só!
É uma luz a passeio
que põe o sol na lua
à noite ela quase nua
mesmo ao dia,
fria, bem de longe,
lhe faz companhia
Furta-se por vezes
em revelar-se inteira
Em partes se dá,
a ouro banhada
rara, cheia, luzidia,
sempre ensolarada.
Cá estou maravilhada com o que li. Comentar só se for para dizer
que adorei ler seu lindo poema. Palavras belas e intensamente
fortes compõe esse texto muito reflexivo. Parabens, com prazer abro
os comentários. Sucesso Adroaldo
Ei Adro, lindo demais. A imagem do muro que separa os amantes, avermelhado pelo sangue do coração dele é dilacerantemente bela.
Vc diz que não tem mais a musa a te inspirar, imagina se tivesse!!! rs rs rs
Bjs
Maravilhoso!
"As palavras nem tem mais de mim
se me recordo, eu não mais as tenho""
ô poeta,tem muitas!!! Abraços,Nina.
" vivendo a não morrer" saí a passeio dentro de mim e encontrei esta lua ensolarada e cercada de musas que inspiram imagens fortes. Dentre elas destaco: palavras desejo que se atiram nas pontas das facas. E o resto do poema;)) em que o eu poético ainda ama, parece.
Bom domingo. Beijo pra Maria.
CD
As palavras nem tem mais de mim
se me recordo, eu não mais as tenho
eu não a tenho mais a me inspirar.
Eu penso ainda que ainda não a tive.
Eu só a amei desesperadamente. Só!
olha poeta lindissimos teus versos...a estrofe acima só ela já valeria pelo poema todo! Belissimo!
beijo na alma de poeta!
Lindo! lindo!, carregado de dor poética..... eu não saberia escrever algo assim.
bac'is
Quanta tristeza, o amor assim desesperançado!
Ainda assim, não emudece o poeta, cantando a dor vernelha do coração desfeito.
Entretanto, nenhum querer é
"desajustado, indevido,
impróprio, ultrapassado."
Belíssimos, os dois poemas.
beijos
Ah, querida Saramar, eu penso que nenhum querer assim possa de fato ser, mas, em sendo, não há o que conforte a alma. É precaução pura, à vista de uma realidade ou hipótese, assim, tão dura.
Agradecido
Se foi a dor que encontraste, Thiers, então o protesto atarantado te tocou.
Grato.
És boníssima, Celina.
Agradeço.
Cedê, percebo pela citação que leste já a última frase do epílogo da novela, que não denuncia se leste toda a novela já.
Dei teu beijo para Mamãe.
Ela agradece e reza por ti e os teus, que é ela aqui em casa que sabe fazer bem essas coisas espirituais.
Grato por tua presença.
É Nina, chega ao exagero o poeta em transe de dor, finge que esqueceu os verbos, apenas porque ama.
Grato.
A musa é que me tem Ize, ela me toma, faz tudo o que bem possa querer de mim. Vez por outra manifesta uma ponta de beleza ao meu coração e, sabe como são as musas, inspira... Agradecido.
Ysabella: Grato! Fico feliz que tenhas assim gostado.
Ysabella,
Ize,
vosso nomes deveriam ter sido também grifados.
Não as desmereço, nem as diminuo ante quaisquer,
ainda pouco que as conheço,
sequer posso fazer mais que desculpar-me
pelo trato tão diferente.
Ainda assim, com certeza, penso, distinto em todos os sentidos.
Ei Adro, alô sou eu a Ize, lembra? Estivemos juntos aí em POA e somos amigos. Não precisa se desculpar por nada, a não ser por dizer que pouco me conhece.
Bjs
da sua amiga IZE
AiIze, perdão. Eu lembro sempre com muito carinho de ti, dos teus comentários oportunos e instigantes em muitas mal-traçadas linhas minhas, e de tuas impressões de leitura da minha novela, que muito me honraram. Também sempre serei agradecido da tua gentil visita naquela tua estada aqui em Porto Alegre, em abril, na semana da minha saída do hospital. Espero a tua compreensão, amiga.
Bonito o teu novo avatar!
inicio sua votação com carinho!
beijo no coração!
Adroaldo
meus votos
lindo e sensível poema
bjsssssss
Que injustiça sua resposta ao meu comentário !
Cruz credo. Ave Maria, Adro.
Ainda bem que Maria mãe cuida;)))
bjos e votos de sucesso.
CD
Belo trabalho.
"As palavras nem tem mais de mim
se me recordo, eu não mais as tenho
eu não a tenho mais a me inspirar.
Eu penso ainda que ainda não a tive.
Eu só a amei desesperadamente. Só"!
Votado. Abraço...
Ah,esse querer despropositado!!
Esses amores por quem não merece
De repente parece que o mundo acaba,nada mais importa...
E quem tem bom senso quando está apaixonado,quem ouve conselhos?
Um texto mravilhosos e reflexivo
Beijos e publicado meu querido
Belas imagens e metáforas borbulham no lirismo deste teu poema. Como sempre, poesia pura!
meus votos (com prazer).
Adroaldo,
passando e que ótima leitura!
beijinhos
claudia almeida
Cedê, as injustiças aqui, parece, estão ocorrendo às avessas ou por conta própria.
Eu quis dizer apenas que ainda não sabia, eu, se já havias lido o livro.
Não quis, porque sei das tuas prioridades, impor um compromisso para tanto, um prazo, uma urgência.
Ter falado na última frase foi por me recordar que ela está ali como uma armadilha a uma legião de leitores, que existem, cujo primeiro gesto é abrir a última página de um livro.
Tem até filme sobre isso, uma gostosa comédia, por sinal.
Aquela frase está lá por causa desses leitores, que não deixam de ser leitores por que fazem isso.
E eu disse que nem sabia se havias feito isso - ler primeiro o fim - apenas e tão só referi que leras a frase e a minha dúvida sobre se já leras o demais.
No filme, a pessoa que lê por primeiro a última frase completa dizendo que, se não gosta do fim não lê o livro.
Ela está dizendo isso a um autor, que comenta horrorizado a postura, dizendo que isso não se faz, que é um comportamento que ele não admite como autor, etc.
O fim do filme é... bem, o fim do filme a gente fica sabendo é no final.
Em todos os casos, Cedê, por todas as razões, que devem existir, eu peço que me desculpes, porque, se essa tua interpretação foi possível, por certo eu errei.
Celina, Doroni, Delen, Ailuj, Rubênio, Cláudia, Cedê, Ize, Ysabella, Nina, Thiers, Saramar, agradecido fico com vossas presenças, comentários e estímulo.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 26/8/2008 13:36
Querido Adroaldo:
Nem sei o que dizer além do teu belo e triste bem_dizer do amor em dor e saudade de tê-lo em zelo e audaciosa descompostura ...
Belo por bem_dizê-lo ... Inefável ... Silêncio
Beijos_Meus*
*
Querido poeta de alma sensível, de coração doído...
Não há como explicar o inexplicável. Amamos, simplesmente. Esse amor ao mesmo tempo nos alimenta e nos devora e também se transforma em versos, atemporais, belos, escritos à sangue nos muros da cidade....E a lua fria tudo espia o sol abrasa...dor.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!