SEM VOLTA...
Queria hoje estar na casa de meu pai
O teu olhar vagando entre as formigas daquele chão
Comendo, trabalhando e um olhar triste
Triste por ver caminhos de lutas
De sobrevivência
Tão poucos? Começar algum?
Dos sonhados e desejados
Seria insanidade
Seria arriscado
Seria fadado
Seria rompido
Quando?
Nem eu sabia e nem ele, tão rico pai
Mas algo me dizia, me avisava
Talvez a gérbera comida, despetalada... Retalhada...
Quando ele tropeçava em seus próprios sapatos
Sapatos? Tão lustrosos tão impecáveis !
E ele ainda sorria sorrateiro, uma feição linda!
Ah! Se eu pudesse estar lá outra vez...
Seria mágica a volta, seria?
Correria e o abraçaria...
Mas talvez a vida tem seu
Sempre inefável destino
Nós dois nos olhando naquela manhã
Ele sorrindo sem graça
E eu um inocente sorriso
Pois se agora fosse
Eu choraria em seu ombro
E Ele também, desbragadamente
Ali seria a despedida
Não apenas um momento
Naquela casa, daquele pai
Tão perdida estaria
Como agora
Quando um segundo depois
Caminhos de lutas
De sobrevivência
Só as formigas
Ficaram minhas amigas...
Pelos dias... Pelos dias...
Cíntia Thomé
(devaneios-divórcios tantos.)
Cintia,
Que poema cheio de percepções pessoais e metáforaqs ricas.
um ser em sorriso, formigas que fiam amigas, o que as formigas representariam? Bem, a saudade é algo como formiga, acho. Vem em turma e faz cócegas e ás vezes pica.
Mais um belo poema minha querida
beijos
Cris
Vou responder...
é a tal saudade...
daquele momento
que poderia ser...de várias outras formas...
mas uma manhã...um pai andando pelo quintal...pensativo
já às vezes cambaleante pela doença...e rindo
de sua própria dificuldade, sem que eu soubesse....
e eu ali tomando sol sentada no chão com meus brinquedos...
e protegida pela presença...
momento mágico de paz...de paz...
e segurança (minha)....sem saber o que viria, nem ele....
sorry...emoção pura...
apenas rabisco, devaneios...a tal saudade....
Cintia, minha amiga, grande abraço.
casa de meu pai, quem me dera,
apesar de estar a alguns metros dela.sinto-me muito longe.
beijos, para uma grande mulher.
Obrigado em responder Cintia, achei que fosse por aí mesmo, só que seu amigo aqui viaja um pouquinho quase sempre.
Sua emoção transborda pelas palavras. Bom ler algo seu de novo.
beijos
Cris, mas vc falou tudo...as formigas...a vida cheia de lutas para sobreviver como formigas (igual a elas) e também me 'despetalando', comida....Mas a vida é assim...assim....
bfds
bju
Lembranças desses momentos gravados pela percepção. Lembro de meu pai, antes de seu falecimento. ele estava fortíssimo ew um aneurisma o levou de um dia para o outro. ainda me lembro dos olhos azuis, do calor da mão (grande e acolhedora) guardando a minha. E da alegria dele , sua animação pela vida. era menina quando o perdi, mas sinto a segurança da mão dele até hoje. Pai das cigarras , esse meu.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 10/10/2008 12:02
viajei , amiga. saí do primoroso poema de saudade e embarquei nas minhas. seu texto mais uma vez surpreende. " Nós dois nos olhando de manhã"..Ah, as manhãs da Cintia sempre encantadas.
Nem eu sabia e nem ele, tão rico pai
Mas algo me dizia, me avisava
Talvez a gérbera comida, despetalada...
gostei um excelente trabalho, abraçosssss
Oi Cintia,
Belo demais seu poema.
Somos formiguinhas sim, a procura de proteção
de um maravihoso pai que já se foi.
Deus! Como eram sábios, e como nos entendia.
bjssss
Cíntia, o trecho abaixo é de uma peça autobiográfica, que estou escrevendo. Penso que seja auto explicativa. Você perceberá o quanto o seu poema falou ao meu coração.
Um beijo.
Militante
Quando me despedi dele, ano passado, correram-lhe umas lágrimas; lágrimas que tinham um quê de resignação. Percebi-as quando eu virara a esquina e olhara para trás. Que coisa triste aquelas lágrimas! Vejo-o ainda em pé na soleira da porta daquela pequena casa como se me quisesse chamar e dizer algo que nem mesmo ele sabia, creio... (com profunda tristeza) quanta coisa não devia estar passando por sua mente naquele instante... Quanta angústia, quanta tristeza, impotência... Chovia fino naquele dia e tudo era mesmo desencanto (pausa curta). Havia sombra sem que houvesse sol (prossegue com melancolia). As árvores balançavam com o vento que gemia calmo e sem destino, sem norte. Ah, não vou esquecer aquele dia enquanto eu viver! Olhei para trás e, por um lapso de tempo, muita coisa aflorava naquelas lágrimas de choro contido. Anos e anos naquelas lágrimas, naquele aceno, naquele adeus... O vento levantava uma areia fina... Meu peito começou a apertar enquanto eu caminhava para a casa de minha avó e um cisco precipitou minhas lágrimas de sua morte, de saudade...
Era o dia 14 de julho de 1968. Eu saí de casa e fui para bem longe. Meu pai, aos 37 anos, no dia 2 de novembro do mesmo ano, morreu num acidente de automóvel. Nunca mais vi meu pai depois daquele dia da despedida.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 10/10/2008 22:23
Juscelino, muito triste essa ruptura,muito...doeu em mim, a mesma dor quando lembro dele com aquele sorriso, parecia que sabia que não teria tempo de ver eu crescida e na verdade me
deixou com 8 anos, cancer no cérebro...lembro até hoje os primeiros sinais, seus tropeços, esbarrava nas pessoas, nas coisas quando às vezes sujava a camisa pois não tinha mais controle motor para fazer suas refeições...
E pra mim só senti o que era morte passados uns dias , pois não entendi aquele ritual todo, em casa, cortinas, velório...eu achava que ele ia aparecer...nunca mais...principalmente no quintal...ano 63...
Cintia Thome · São Paulo (SP)
SEM VOLTA...PAI
Um grande sentimento de amor.
Uma vontade de chorar que é o valor moral.
Uma emocáo que vale a vida.
Depois de toda uma vida de luta ainda esta bem vivo o amor filial.
Retrato de uma vida que foi vivida e que vai dar seus frutos de amor sempre.
Um momento desse ilumina a vida que segue em frente.
Valeu demais.
Parabéns.
Abracáo Amigo.
Seu texto me faz pensar no belo.
De prima!
Bjs
ei cintia...belo devaneio...
votando para publicar.
beijos
É tão belo.
E tão triste.
Tão gosotosa a lembrança e o querer retornar ao momento e no retorno poder compreender o que se ia passando, e ao mesmo tempo rico o momento de estar cuidada sem dar-se conta, não por descuido, mas por criança, que já não se mais poderia nada fazer.
E a vida te fez assim sensível também por isso Cíntia.
"Só as formigas ficaram minhas amigas". Gostei bastante do seu poema, de pura reminiscência.
Sucesso!
Votado.
As vezes falta o tempo
às vezes a oportunidade
e a vida vai ficando feito
uma estrada velha.
Gasta e cheia de buracos.
Beleza de poema
Um abraço
Quando o meu pai morreu estava muito longe, em outo Estado do país, contudo, fiquei esperando o tempo parar, mas o sol, as cores, o amanhecer, o movimento da vida continuava e persistia. Fiquei impactado, esperando alguma coisa...
O seu sentimento me lembrou o instante em que soube da transição do meu pai. Penso que foi algo muito parecido, pelo menos o seu poema me remeteu e me pareceu passar esta sensação.
Realmente muito tocante.
Cintia querida PoetAmiga,
A tristeza e a alegria, sentimentos antagônicos
que nos animam a seguir em frente.
Somos a continuidade dos que partiram.
Beijos e votos,
Regina
Cintia,
Que saudade do meu pai ele em casa,no campo, nas viagens, na escola, no clube levava meus amigos, na praia catando conchinhas,
parabéns
beijos
Cíntia, poema comovente. A Falta do pai ainda e sempre tocando o coração, movendo o moinho do fazer poesia.
A imagem das formigas como as únicas amigas que ficaram... Sinto o cheiro das formigas, as suas picadinhas doídas. É uma lembvrança bem sensorial
Beijos.
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