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Sempre há motivo para escrever

1
Pepê Mattos · Macapá, AP
2/10/2007 · 76 · 6
 

Eu que quase sempre não sei de mim – nem mesmo
quando o espelho teima em mostrar
um Eu (ou outro-Eu?) que me desdiz
o tempo todo – tenho essa urgência
em preencher linhas e linhas.

Essa urgência
que nada mais é
do que um escamoteamento
de uma parte de mim.

Uma das mil partes de mim.

Tive um dia o lampejo de escrever
algo com o título "Escrever, escrever, escrever".

Foi umas linhas mais lindamente loucas
(ou loucamente lindas)
que um dia escrevi.
Mas se perdeu por sua temporalidade
e circunstância.

As conseqüências disso?
Um retraimento – antes,
uma admissão de minha derrota.
Um sinal de que tinha avançado
demais o limite.

Foi amargo reconhecer meu limite.

Hoje, humanizado pela dor de ser eu mesmo,
tento encontrar-me na escrita.

Dir-me-ão ser não mais um lampejo de razão.
Antes, uma des-razão,
outro escamoteamento.

Nem triste, nem alegre,
me descubro ante o fato
de ter de volta minha humanidade,
que quase me escapa por entre meus dedos.

Me acho onde minhas imperfeições afloram.

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Pepê Mattos
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Benny Franklin
 

Oi Pepê, Salve!
Expondo aos mortais a Verve Macapaense, de ti, em grande estilo.
Boa... A poesia de cada dia, te agradeçe, irmão.
Abçs. Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 29/9/2007 16:53
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Rita Costa
 

Me acho onde minhas imperfeições afloram.

Só esse verso já é poesia pra mais de metro.
Belo poema viu. Gostei muito!

Rita Costa · Rio de Janeiro, RJ 2/10/2007 03:06
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Cintia Thome
 

Pepê

Escrever, escrever, escrever...
Poeta, explodir as verdades é a razão.
Belo voto. abç

Cintia Thome · São Paulo, SP 2/10/2007 05:21
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azuirfilho
 

Salve Pepe Mattos de Macapá.
Muito sentimento de Humanidade.
Parabens pelo trabalho.
Esta em bom Lugar a sensibilizar nossa gente.

azuirfilho · Campinas, SP 2/10/2007 09:52
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Letícia L. Möller
 

Oi amigo,
puxa, quase não vejo teu texto... não me avisas mais?
Achei excelente, Pepê. O final fecha muito bem tua reflexão:
Me acho onde minhas imperfeições afloram.
Que assim seja, que é na nossa peculiar imperfeição que encontramos nossa (fugidia) identidade.
Beijos,
Leticia.

Letícia L. Möller · Porto Alegre, RS 2/10/2007 13:05
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Andre Pessego
 

Pepe, minha poetisa,
- Lindo texto, creio mesmo um belo momento.
Na verdade acho que ninguém reconhece seu próprio limite.
Via de regra nem se lhe dar por conta. E acho que esta seja a virtude de estar vivo, de buscar por viver, um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 2/10/2007 16:21
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