SENTE AQUI...
Sente aqui do meu lado
Retire tuas asas, tuas unhas,
Teu casaco deixe na cadeira.
Escute só os nossos corações
O relógio parou
Só escutemos o coração
Sente aqui do meu lado
Deixe-me alisar teus cabelos
Não vamos repetir nada
Pois esta será a última atitude
Pois a escada no corredor
Já sente a dor
de tua última presença
Sente aqui do meu lado
Escute a nossa respiração
Quase ínfima quase inaudível.
A emoção nem fôlego têm
Abra a janela, a pomba não está no parapeito.
A paz está indo com você
Não chore, pois eu não vou chorar.
O amor foi já tanto
Que penso só na felicidade de ter tido o possuir
Pranto agora seria macular
nosso amor tanto
Sente aqui do meu lado
Não olhe teu pulso, olhe pra mim.
Quero a tua imagem perpetuada
Olharei em teus olhos, teu corpo.
Não tens hora, mas sim o agora.
Não diga nada...
Levante... Leve teu casaco.
Terás frio em todas as ruas
Sentirás nua a vida toda
A chuva virá espelhar o teu vidro
Será vidro marejado, turvo,
E nele vais lembrar que aqui
Também estará chovendo
E ao fundo ouvirei
O barulho do teu andar
Teus sapatos saltos a musicar
O adeus... Música que foi sumindo...
Sumindo...
Sente aqui do meu lado
Digo isso todos os dias, todos os anos...
Estarás bem? Estarás agasalhada?
Eu sei que estarás perdida,
O coração sem o bater,
Como as asas daquela pomba que se foi
E não as ouvi e nem vi mais
Apenas repito sem saber por quê
"Sente aqui do meu lado, tire os sapatos"
Cíntia Thomé
FUI O PRIMEIRO,
"SENTAR-ME-EI, SOBRE PEDRAS, E SENTIREI NO SEU HÁLITO A SOLUÇÃO DAS ESPERAS E UM SENTIMENTO ESQUÁLIDO"
ZÉ RAMALHO.
BEIJÃO, AMIGA.
Confesso que chorei!
Fiquei sem palavras, querida.
Depois volto para dizer do que senti.
beijos
Cíntia, minha poeta,
o que dizer diante de obra tão delicada? Que é brilhante, calma e pétala como um dia no jardim? Ou que cheira a Adélia Prado na delicadeza e a Cecília Meireles na melancolia da Canção a Caminho do Céu, quando ela também chora uma ausência: "Foram montanhas? foram mares?/foram os números...? - não sei./Por muitas coisas singulares,/não te encontrei/E te esperava, e te chamava,/e entre os caminhos me perdi./Foi nuvem negra? maré brava?/E era por ti! (...)" O que posso mais dizer? Se não que tua poesia é linda com o dia! Parabéns.
Beijos e até a votação.
Por favor, vamos organizar a fila.
cada um senta um pouquinho e depois dá lugar a outro.
Já sou o terceiro. tô saindo, calminha...
deixa eu ficar só mais um pouquinho, tá tão bom.
bjs!!!!!
Quarto. Nivaldo chegou terceirizando esse colo.
eh eh eh... olha a fila...
quanta vontade na ausência...
lindo teu poema, obrigado por dá atenção aos meus também
outros bjus...
"Sente aqui do meu lado..."
Cíntia, que maravilha, volto já, já, como a pomba...
Para votar.
Abçs de Betha.
Cintia,
Cada vez mais a inspiração e os versos que são finas malhas,
tomam conta de você...
Curvo-me a eles.
Bjs.
Sabe Cintia, hoje sentei aqui muito triste e te confesso que estou chorando. Mas tuas palavras também me trouxeram esperança, continuo sentada e espero...
Bjs
Fiquei viciada. Já estou a espera do próximo... e do próximo... e do próximo... poema da Cintia... Bjs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 29/8/2007 21:57
Este texto, a meu ver, é forte e suave ao mesmo tempo, Cíntia.
Experimente passar tudo para a segunda pessoa (Senta aqui do meu lado / Retira tuas asas, tuas unhas, / Teu casaco deixa na cadeira... ) Acho que vai ficar ainda mais bonito.
Lindíssimo poema, com uma melancolia tão pungente, que sempre me deixa em lágrimas.
beijos
Minha queria Cíntia.
Resumo meu comentário sobre esse belo poema, dizendo apenas. NO SILÊNCIO, DEUS. Sei que me entendes.
Beijos
Noélio
Lindo lindo lindo.... melancólicas palavras suavizadas pela beleza das imagens.
Flores @>--
Cíntia,
revisto, amado e votado.
Bjs.
" ... a escada no corredor
já sente a dor
da tua última presença ... "
Os desvãos das nossas escadas internas parecem ser os lugares mais apropriados para depositarmos a nossa dor.
Um abraço.
Li, descalço e despido de qualquer preocupação, para sentir o bater de asas desses versos que nos colocam sentados juntos de ti.
Genial.
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