Quando vi, já estava ali, como uma palavra que invade o branco da página que não era para ser escrita, ávida por um sentido. Sentido este, longe da racionalidade, abstrato, como devem ser a tristeza, a felicidade e a saudade. Estava ali, embora não soubesse como meus pés me levaram. Só sei que fui guiado pela alma, como que seguindo um estranho chamado alado.
Não haviam portas, como teria entrado e como sairia dali ? Não existiam paredes, os limites eram líquidos, um imenso mar de espelhos, onde minha imagem estava fragmentada em milhares de pedaços que tentavam se encaixar, nesse difícil quebra-cabeça que sou eu. Era um Teseu sem novelo, perdido no elo que me liga a mim mesmo. O homem lobo do homem, seu próprio monstro e anjo. Lados opostos delimitados por um fino fio, teia do subconsciente. Não havia morte, era só eu entre a vida e o corte tênue do tempo.
Sem margens, o rio desemboca no infinito e o céu azul mergulha na correnteza sem destino. Me sentia assim e não imaginava que seria assustador ser livre e não ter que lutar contra nada, nem mesmo contra mim, pois o elo partido foi com um outro, criado para devorar. Teria sido devorado por minha própria fome, num ritual antropofágico e só, então, libertado-me do bicho que me habita ? Teria saciado finalmente aquele apetite voraz dos desejos que tanto traziam dor e ilusão ? Ou essa busca nunca terá um fim ? Homens iluminados já haviam se desprendido dessa sina. Mas eu, ainda cheio de falhas, demasiado humano, teria de fato me libertado ? Tantas dúvidas na mente, tantos caminhos para escolher trilhar. Tudo era névoa..., mas não tinha o peso da penumbra. Era, antes, uma cortina de fumaça, uma espécie de mágica que acontecia por dentro. Quase podia ouvir os tambores ancestrais anunciando um novo homem, o fim entrelaçando o início, fazendo girar a Samsara num contínuo renascer...
Acordei, e na cabeceira da cama repousava a folha em branco, mas agora não havia pressa... O sentido chegaria silencioso no sopro da intuição sobre a nau do destino... Alguma coisa havia mudado e compreender não era preciso, bastava sentir e começavam, então, as primeiras contrações das palavras...
(Raiblue & Gustavo Adonias)
Nossa primeira parceria no campo da prosa (para mim, a minha primeira experiência na prosa a ser publicada)... Mais um momento especial (entre tantos com Raiblue)...
O que esperar de tão fantástica parceria?
Eis aí senhores algo que poderia com toda certeza descrever tantos e não descreve...
Eis que as nascentes que trazemos em cada santuário do nosso "ser" abundam da poesia desses dois poetas que murmuram em nossos ouvidos tanto auto-conhecimento que parece que nos conhecem de maneira absoluta... escrevem e descrevem o que ainda não foi dito sobre nós... pois a primeira parte de um é o outro...
Queridos poetas que a vida inunde tudo o que ainda está seco...
Deixem transbordar... deixe-me navegar com vocês e quem sabe nesse oceano de prosa a poesia aflorará brejeira e cheia de sentimentos... para dizer o que não foi dito...
Digam!
Gustavo Adonias · Salvador (BA)
SENTIDO SILENCIOSO NO SOPRO DA INTUIÇÃO...
Tem este bem extraordinário que guia as pessoas nos momentos de extrema dificuldade e de decisão.
É igual a um afirmar de que não se esta sozinho, de que há uma força abençoada dando apoio a quem crer e esta comprometido com o bem.
Maravilhoso e tem muito a ver com amor e Fé.
...guiado pela alma, como que seguindo um estranho chamado alado...
Parabéns.
Abração Amigo
Bela parceira vc tem Adonias...gostei de ler 'as primeiras contrações das palavras...'
E essa arceria sendo a sua primeira em prosa, está excelente, um raciocínio lógico que nos prende até o fim...uma suavidade,
não há nada assim que seja vamos dizer, uma escrita 'nervosa'...
um abraço aos dois e viva!
Uma grandiosa experiencia essa de compartilhar a palavra, sobretudo qundo se juntam a sensibilidade de Adonias e Raiblue. Parabens.
graça grauna · Recife, PE 14/9/2009 19:44
Ah! Receita infalível, seja em prosa, seja em verso, seja em foto... VocÊs são demias de lindos !
É muito gostoso ler e reler tudo que criam !
Beijos muitos !
Parabéns queridos !
Genteeeeeeeeeeeeeeeee!
Maravilhosoooooooooooooooooooooooooooooooooo.
Parabénsssssssssss!
Muito bom texto, Adonias. Grande abraço.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 15/9/2009 01:02Os labirintos da existência permeiam todo o caminho... a intuição é conexão com a Força Superior, guiando-nos prá fora das aparências materiais...Teseu é exemplo prá humanidade não se esquecer: 3 dias e 3 noites procurando a ponta do novelo - sem desistir da vida - com a persistência que caracteriza os que saem da vida vitoriosos... ótimo texto, right.
Marcos Filho · Campo Grande, MS 15/9/2009 13:53
Que surpresa mais linda,Gusta!!!!
Viu que tudo é possível?srrs...basta se deixar levar pelas palavras, sim, porque não somos nós que as dirigimos,mas elas que nos levam em suas infinitas asas...e os vôos acon_tecem invisíveis entre as mãos e o coração....e você,Gusta é um samurai do cotidiano desvendando caminhos na fluidez dos teus versos...
Que seja a primeira de muitas prosas.....(afinal, prosear contigo já e um vício,né?rsr)
obrigada por este instante tão inspirador!
E meus queridos overamigos, que bom vcs terem gostado desse nosso
delírio....delirar é preciso, sempre!obrigada pela leitura e emoção aqui registrada.Beijokas...
Um beijinho azul no terceiro olho,Gusta...hehe...
Blue
E que imagem linda,Gusta, incrivelmente poética!!!
Tem a beleza do teu coração navegante....apaixonante!
mais beijokas azuis...
Viva as palavras que apontam os caminhos das divinas loucuras !!
Gostoso de ler.
Abraço
Ola poeta!!!
Ha uma coisas maravilhosa entrevc's que é escrever divinamente.
Lindo e espetacular.
Beijinhos poeticos.
Meus queridos:
Na contração das palavras ... Pura emoção!
PARABÉNS!
Beijos_Meus*
*
Gustavão: Belo texto introspectivo com a chancela de quem conhece por dentro o que estava falando. Esta dupla de dois magos das letras tem futuro! Quem não sentiu ainda este sopro, que continue calado. Axé!
RUI LÔBO · Brumado, BA 16/9/2009 10:18
Olás,
bela prosa. Mas como a Cintia Thome fiquei surpreendido com a expressão contrações das palavras... Todos, ou a maioria dos nossos orgão se contraem para poder se expandir. Foi assim que pensei no verbo. Um contrair-se para poder ser expandir pela folha do papel.
Com paz,
Pessoa, caro amigo
Obrigado pela sua presença e leitura ! Que bom que tenha gostado da parceria. Deixemos transbordar toda a intuição que há em nossas nascentes, mergulhemos em nosso grotão, e lá encontremos o que há de mais valioso: nós mesmos !
Grande abraço.
Azuir, meu caro amigo
Obrigado pela sua presença também, mais uma vez ! Que bom que tenha gostado do texto em parceria...
Abraço.
Parabéns p estes dois amados meus !
Mil beijos!!!!
Lindo...lindo...lindo...
Cíntia,
Obrigado também pela sua presença, mais uma vez ! Que bom que tenha gostado da prosa em parceria...
Bjs.
Grauna,
Obrigado também por ter vindo, mais uma vez ! Que bom que tenha gostado da parceria...
Bjs.
É uma idéia de nascimento ... de renascimento ..quase um parto de algo que já havia navegado!
"Me sentia assim e não imaginava que seria assustador ser livre..."
A liberdade é assustadora mesmo!
Fiquei com uma inveja boa..quero uma parceria com a azulzinha tB!
o que sairia de nossas mentes em sinergia ?
rs....aposto que seria um delírio daqueles de tirar o fôlego....hehe...
taí...um desafio que vou adorar!!!
Valeu,Gabriel...el...elllll!!!
Um beijo azul,querido.
Meus queridos overamigos, que bom terem viajado conosco nesse
navegar pelas águas da intuição...essa parceria me deixou muito feliz! É sempre muito mais valioso todo trabalho que se contrói coletivamente. obrigada pelos carinhosos comentário!!!
E Gusta, se prepare pra mais...hahaha!!
obrigada,meu amigo lindo!
Saudades...
bluebeijokas a todos!
Blue
belo trabalho que juntos fizeram, parabéns.
vcs são muito especiais.
Pati, querida amiga
Sempre é muito bom te ver por aqui ! Que bom que gosta do que a gente escreve !
Bjão !
Não consigo "parir" uma palavra que traduza meu sentir ao ler o
SENTIDO SILENCIOSO NO SOPRO DA INTUIÇAO.
......só que...putz! fiquei em colicas de sentir!
bjsssssss;
Carlos, meu caro
Obrigado pela sua presença, mais uma vez ! Que bom que tenha gostado da produção em parceria...
Abraços.
Não havia morte, era só eu entre a vida e o corte tênue do
tempo.
Vocês traçam um painel muito interessante sobre as pulsações que tomam os escritores nos misteriosos momento de produção. é bem o que disseram. é um lugar que não se define, mas sobretudo se sente.
Quando a atmosfera nos envolve, é só deixar se levar que a folha não será mais branca...
Muito bom mesmo Gustavo e Raiblue.
Tragam mais divagações como essa para nós.
Parabéns e votado.
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