O Brasil é uma grande surpresa para os brasileiros e para que isto não aconteça mais, será preciso que os Norte/Nordestinos tenham uma pequena passagem ainda crianças pelo "Sul maravilha" e os "Sulistas" mesmo os do Sudeste como nós, façam o mesmo. Fazer isto adulto não funciona, pois a forma de pensar ja está formada e enraizada.
A "Doce" morte de mamãe!
Para nós, eu e meu irmão foi/é um grande choque ser ou nos sentir "estrangeiros" no próprio País!
O fim/final de nossa mãe foi uma grande lição, um "estímulo" à perca da esperança num futuro melhor, a partir da perda da própria confiança e por conseguinte na dos que nos cercam!
A morte de minha mãe foi uma "doce Morte" já que não podia ou queria comer nada, recusava engolir as amargas pílulas que fariam a circulação do sangue em suas paralisadas pernas pela impossibilidade de andar, criando feridas gangrenosas em vários locais, principalmente nádegas e cintura!
Nos trazia um certo alento quando ela tomava sôro que reforçava o parco alimento: 2 ou 3 colheres de comida, melancia e paçoca! No final ela recusaria as colheradas, as frutas, banana, maçã ficando só na melancia e paçoca, daí a razão do título!
Entramos em desespero, sem carro para levá-la ao Pronto Socorro (?) a 800 metros de casa, sem dinheiro para pagar um enfermeiro para dar-lhe o sôro, vi-me obrigado a implorar ao mesmo Pronto Socorro. Fui 2ª feira e solicitei uma ambulância e recebi a resposta de que, se fosse possivel, eles iriam busca-la! Não vieram, voltei na terça, nada, voltei na quarta e dei sorte, encontrei uma diretora que designou uma enfermeira para ver o estado de minha mãe, autorizando o soro.
Chegou na quinta feira uma 14:00 horas, viu uma provavel fugitiva dos Campos de Concentração Alemão, só pele e osso resultado da terrivel dieta. Esperei ansioso o resto da tarde e nada. Amanheci sexta-feira revoltado, não admitia tamanho desprezo ao sofrimento alheio por aqueles que são pagos para ameniza-lo! À tarde voltei e interpelei a diretora sobre o que a enfermeira lhe dissera, ela respondeu-me que nada lhe fôra relatado, disse-lhe que era impossivel pois minha mãe mal comia há 3 semanas!
Chamada e interrogada, a "enfermeira" infeliz responde que viu minha mãe jogada lá em casa. Senti nojo da covardia calúniosa mas recebi a promessa da diretora que sábado a tarde eu viesse para buscar a 1ª ambulância (só tem 2) que folgasse. Assim foi feito e sábado a tarde foi levada ao Pronto Socorro, é claro que corri o risco de ser preso por maus tratos, dado o estado terrivel em que ela se encontrava, mas Deus teve pena de mim e isto não ocorreu. Após vários telefonemas a prestativa Diretora conseguiu uma vaga em um Hospital de arquitetura moderna com uns 50 leitos. (foi os que eu vi pois fui impedido de xeretar na ala de cirurgias)
Nos 4 dias que lá ficamos foi só soro um atrás do outro, remédios, mas não fizeram curativos nas feridas gangrenadas. A comida quase sem tempero e sal fez minha mãe recusar logo no 2º dia de maneiras que esta ótima estadia de pouco adiantou, só serviu para eu ver que seja num Hospital bom ou Centro de Saúde ruim o pobre "baterá as botas" tranquilamente! Apesar de aparentemente a Diretora quase implorar a vaga, apenas no 3 e 4º dia o Hospital esteve com 70% dos leitos ocupados, nos outros dias menos de 50%! Sem TV para distrair adultos e crianças, sem radio para se ouvir uma música, o dito cujo se transforma num retiro espiritual, autêntica preparaçao para a morte, cuja sinfonia era tossidas turbeculosas de um, ou gritos terríveis de uma criança com medo de injeção!
A noite apenas uma enfermeira e uma atendente de telefone para cuidar de uns 30 doentes! Fiquei impressionado!
A volta para casa do moderno Hospital foi feita num carro Ambulância dos Bombeiros já que não tinhamos condução apropriada e o Hospital Modelo não forneceu ambulância!
Voltamos para casa com o fim previsto para poucos meses adiante. No dia derradeiro ela teve uma espécie de sufocação que a fazia respirar violentamente, corri no hospital, relatei um provavel ataque do coração e consegui uma ambulância.
Chegamos e houve um corre-corre de enfermeiras, uma delas aplicou um respirador com oxigênio, mas que só atingia o nariz e não como se vê em filmes, nariz e bôca, dando-me a impressão de sê-lo infantil. Mesmo assim as pupilas que eram da côr de jabuticabas voltaram ao normal, castanho-claro, me dando um certo alento. Outra enfermeira tentava tirar a pressão arterial com estranho aparelho pendurado na parede mas não conseguiu. Substituida por outra com um aparelho normal também não conseguiu dado a magreza do descarnado braço.
Nisto apareceu um Dotô com ares enfezado que rosnava para mim, tentando uma possível confissão de uma provavel tentativa de assassinato. Eu me defendia tranquilamente olhando friamente para a Diretora que me conseguira o soro após uma semana de tentativas!
Graças a Deus o Satanás retirou-se mas deixou seu cupincha, pois eu tive a infeliz idéia de ajeitar o aparelho para que ele cobrisse malmente por sinal, nariz e bôca. Alguns minutos depois notei umas manchas rôxas nas costas da mão e dedos, chamei a Diretora, que provindenciou imediata remoção para o Hospital das Clínicas há 20 minutos de carro dali.
Levamos na maca até a ambulância e aberto o forno, digo o porta-mala veio um calor de quase 40 graus, devido o tempo que o carro ficara no sol, isso umas 13:30!
Pensei comigo: Já era! enquanto ajeitava a maca no forno! Ora se ela ja estava com problema de respiração, coloca-la no forno só pioraria.
Não pude acompanha-la até a Clínica pois atrás só dava um o enfermeiro segurando o respirador e na frente ao lado do motorista uma amiga nossa. Cheguei 1:30 depois e ela tinha acabado de falecer.
Após assas....minha mãe no Pronto Socorro(?), tive que esperar no Hospital das Clínicas pra onde a mandaram, a empresa funerária que prepara o corpo. Aqui existem 2 as mais famosas, uma é São Brás, outra Max Domini. Aí estou esperando alguém me procurar no salão de espera, para entregar as roupas, ja que o atendimento foi de emergência , e lá em casa deixava-mos a mãe só de anágua para facilitar a troca das fraldas.
E espera, espera, e nada do carro funerário. Deu fome saí no pátio da entrada do Hospital para comprar biscoito. Entrou um carro, voltei correndo, não me procuraram. Repeti por 3 x a pantomina, até que o 4º carro veio. Era um calhambeque com as côres toda desbotada, nenhum logotipo nas laterais e tinha uma lanterna-sirene das que a Polícia Federal usa, indicando ser a carroça comprada lá. Nem me mexi, definitivamente aquele não era um carro fúnebre. E haja esperar, já tinha perdido a paciência, achado e perdido-a novamente, quando chega o carro de meu sobrinho, com meu irmão.
Aviso-lhes que até agora o carro fúnebre não tinha chegado. Eles me informam que o corpo já estava no cemitério. Pergunto-lhes: Sem roupa?
Acordamos que vestiríamos ela lá. Chegamos, o caixão já exposto num salão amplo, apenas 2 saletas laterais, com portas apertadas. Abrimos uma pré tampa que protege o vidro do caixão, podendo se ver o rosto, e inclinando a cabeça boa parte do resto do corpo. Os "sacanas" tinham tirado a anágua, (provavelmente suja de f...) e deixando-a só de fralda!
Enterramos assim mesmo, e na volta falei pro meu sobrinho:
Sua Avó morreu como viveu: sem nada!
Enquanto que minha "vizinha" mama nas tetas do Estado, com 4 filhos, (2 filhos e 2 filhas) e 5 netos,
recebendo Bolsa-Familia, Bolsa-Escola, Bolsa Isso e Bolsa Aquilo, se transformando numa Família Canguru, minha mãe morreu com 92 anos sem 1 Real de Aposentadoria!
Brasil mostra a sua cara.....
Sempre acreditei que a eutanásia era um sacrifício dispensável tanto para o doente terminal quanto para seus familiares. Hoje creio que ela é um mal necessário!
Minha mãe que tanto trabalhou pelo bem dos Society e por tabela da Sociedade, boa parte da vida de graça ou quase, teve este fim trágico e desassistida pelo poder público, o mesmo que aquinhoa eméritos desocupados que se banqueteia com verbas do Fome 0 e afins!Depois deste final tomei a decisão;
Não apodrecerei vivo, nem pretendo dar trabalho aos outros, espero ter força e coragem para "voar para o Além" bem antes disso!
Fica o alerta meu caro!
Muito bom e reflexivo esse texto
Beijos
Impossível não se revoltar com tanto descaso. Infelizmente esse não é um caso isolado, acontece todos os dias, em vários lugares. Nós nos sentimos impotentes diante de tanta desgraça que bem poderia ser evitada. Nossos governantes, enquanto vivem no bem bom, distribuem migalhas ao povo, tirando o pouco de dignidade que lhe resta.
Bem dado o seu grito de alerta.
abs
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